Oswaldo de Oliveira precisa de mais carinho

  • por Fernando Mattos
  • 8 Anos atrás

Quando chegou ao Botafogo, no início de 2012, Oswaldo de Oliveira veio com status de vencedor. Também pudera: o treinador já foi campeão mundial e brasileiro pelo Corinthians, fez bons trabalhos no Vasco e no Fluminense em sua primeira passagem, e conquistou quase tudo no Japão com o Kashima Antlers.

Entretanto, em pouco mais de um ano, as únicas conquistas de Oswaldo pelo Botafogo são uma Taça Rio, no ano passado, e a Taça Guanabara deste ano. Então, com o currículo que tem e pelo que fez até agora, o trabalho do treinador pode ser considerado ruim? Não. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

Se o trabalho de Oswaldo não é brilhante, também está de longe de ser um fracasso. Vale lembrar que ele assumiu o comando do Botafogo após mais uma frustrada tentativa de classificação para a Copa Libertadores e conseguiu fazer o clube chegar à final do Carioca de 2012, quando não figurava nem entre os favoritos. Embora a campanha no Brasileirão do ano passado tenha sido apenas razoável, o técnico recuperou jogadores como Márcio Azevedo, recém-vendido para o futebol da Ucrânia, lançou jovens como Dória, Gabriel e Bruno Mendes no time titular e soube encaixar Seedorf na equipe (o que, convenhamos, não é muito difícil). Outro êxito dele foi enxergar o que a torcida do Botafogo não enxergava: que Loco Abreu não é mais efetivo como antes e pouco lembra aquele jogador que chegou ao clube em 2010.

Foto: Satiro Sodre/AGIF - De braços abetos, Oswaldo espera o abraço do torcedor alvinegro

Foto: Satiro Sodre/AGIF – De braços abertos, Oswaldo espera o abraço do torcedor alvinegro

Mas o treinador é humano e erra como qualquer outro. Seu principal defeito é a teimosia, principalmente no que diz respeito à forma de jogo da equipe. Apesar disso, é um dos melhores do Brasil na sua função e nada justifica a implicância do torcedor em meio a tantas coisas positivas. Oswaldo é coerente, e a insistência com o atacante Rafael Marques, que vem sendo o melhor da posição nos treinos, prova isso.

Oswaldo de Oliveira não é um técnico, mas sim um treinador de futebol. Técnicos temos aos montes no país, mas treinadores não. O comandante alvinegro tem o grupo na mão, apoio dos jogadores (inclusive de Seedorf que é seu fã declarado) e conta também com a confiança da direção alvinegra. Agora só falta o apoio do torcedor. 

Está mais do que na hora da torcida abraçar e acreditar no trabalho desempenhado por Oswaldo de Oliveira. Falta carinho com o treinador alvinegro. E como diria o outro: “deixa o homem trabalhar”.

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Carioca, jornalista e apaixonado pelo velho esporte bretão. Rubro-negro de coração e torcedor do Tottenham por opção, já trabalhou em emissoras como TV Record e Rádio Livre do Rio de Janeiro. Também foi comentarista do programa Plus TV Sports. Virou um Doente Por Futebol em março de 2013.