Por onde anda Ramón, joia da base do Galo

  • por Saimon
  • 8 Anos atrás
Evolução física de 2005 até hoje

Evolução física de 2005 até hoje

24 anos, nove clubes defendidos e à procura do décimo. Essa é a carreira de Ramón Osni Moreira Lage, ou simplesmente Ramón. O habilidoso meia destro, que surgiu na base do Galo em 2005 e passou pela seleção brasileira sub-17 no mesmo ano, foi dispensado do Remo nesta semana. Esse é o caso de mais um jogador com talento, mas prejudicado por conta do álcool.

Início no Atlético e venda para o Corinthians
Ramón estreou no time profissional do Atlético Mineiro em 2005, mesmo ano em que foi vice-campeão Mundial sub-17, usando a camisa 10 do Brasil. Após boas atuações pelo time mineiro, o meia acabou comprado pela MSI e repassado ao Corinthians, que pouco o aproveitou. Começava já ali o declínio da carreira do jogador.

Passagem apagada pela Rússia
Depois de algumas fracas atuações com a camisa do Corinthians, Ramón acabou vendido para o CSKA Moscow, da Rússia, em 2007. Na época, surgiram especulações de que seu futuro poderia ser o Arsenal ou o Milan, e também algumas comparações com Kaká, destaque naquele ano. Sem vingar no CSKA, chegou a ser emprestado para o Krylya, também da Rússia, disputando apenas uma partida oficial pela equipe. Estava na hora de retornar para o Brasil.

Volta apagada ao Brasil e presidente “enterrando a carreira”
Após fraca passagem na Rússia, mas ainda com contrato com o CSKA, foi contratado pelo Flamengo no começo de 2010. Ali chegava para a disputa da Libertadores, já que o rubro-negro era o atual campeão brasileiro. Não chegou a fazer dez jogos pelo clube, e acabou devolvido para o CSKA. Lá não foi bem recebido, e ouviu do presidente do próprio time que ‘estava acabado para o futebol, fim de carreira; talento tinha de sobra, mas a cerveja não o deixava jogar’.

Sem espaço na Europa, foi mandando novamente para o Brasil em 2011, agora no Bahia. O bom futebol não voltou, mas a impressão não foi das piores. Com três gols em doze jogos, Ramón foi dispensado ao fim do Campeonato Baiano, com alguns problemas extracampo.

Veio 2012, e o milionário contrato com o CSKA já não existia mais. Com o passe livre, Ramón quase assinou com o Boavista, para jogar o Cariocão. Porém, uma proposta do Náutico mudou a cabeça do jogador, que foi para Recife. A história foi a mesma dos outros anos. Com apenas 4 jogos, Ramón foi dispensado no início do Brasileirão.

Passagem rápida pelo Japão
Pouco tempo depois de ter saído do Náutico, uma proposta do Consadole Sapporo seduziu o meia. Ramón aceitou um contrato de seis meses, mas que novamente não foi cumprido. Fazendo apenas seis jogos na J-League (Liga Japonesa de Futebol), deixou a Ásia com um gol marcado.

Volta modesta, reserva e dispensa
Sempre que tinha voltado ao Brasil, era para clubes da primeira divisão. Dessa vez, o rumo foi totalmente diferente. O meia assinou um contrato de dois anos com o Remo, clube que não está garantido nem na Série D, ou seja, pode ficar sem calendário para o resto do ano. Chegando ao aeroporto como estrela e sendo recepcionado pelo presidente como “grande contratação” do ano do clube, a eterna promessa não correspondeu mais uma vez. Sequer se firmou no time titular, sendo preterido por outros jogadores. Ao fim do primeiro turno, que o Remo perdeu para o Paysandu, a diretoria decidiu dispensar o jogador. Porém, como existe uma multa alta nesse contrato, as duas partes estudam o que fazer. O certo é que ficará treinando separadamente até que tudo seja resolvido.

 

Talento de sobra, cérebro de menos. Quem se lembra de Ramón hoje em dia, é mais por conta de “cachaça e cigarro” do que pelo futebol. Com apenas 24 anos, a carreira vai acabando. O salário da Rússia já não cai mais na conta. O salário de time pequeno não é muito. Tudo o que foi conquistado nesses quatro anos de contrato com o CSKA foi desperdiçado. Ramón tem tudo para virar um andarilho da bola, passando por diversos times pequenos, até encerrar a carreira de forma trágica daqui a dois ou três anos. Uma boquinha em time grande, nesse nível que atingiu a carreira, é muito difícil.

 

Comentários

Palmeirense, 23 anos. Acompanha futebol em qualquer canto. Fã da ótima geração belga.