Por um futebol com mais mulheres no poder

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Existem muitos tipos de mulheres Doentes por Futebol, mas aquelas que trabalham com os bastidores do mundo da bola merecem respeito e admiração. O meio masculino não assusta essas que têm como paixão os meandros do esporte. A rotina diária de um clube pode amedrontar a maioria das mulheres, mas o exemplo das que vivem o cotidiano do futebol é motivador.

Na Itália, o Calcio é repleto de figuras femininas. De presidentes de clube a integrantes do quadro diretor, as donnas completam o cenário sem drama. Rosella Sensi, ex-presidente da Roma, Francesca Menarini, que comandava o Bologna, e Bárbara Berlusconi, que compõe o corpo administrativo do Milan, são exemplos de renome. No caso delas, o fator “família” foi imperativo: todas têm o futebol como herança genética.

A herdeira do Milan, Barbara Berlusconi. Foto: Reprodução

A herdeira do Milan, Barbara Berlusconi. Foto: Reprodução

Ainda na Europa, Kathleen Krüger foge à regra do DNA. A alemã de 27 anos é gerente e assistente do Bayern de Munique e integrará a comissão técnica de Pep Guardiola. Kathleen era jogadora da equipe feminina, mas pendurou as chuteiras ao ser convidada para trabalhar na área. A moça, inclusive, desempenha o importante papel de ligação entre os atletas e a diretoria.

Integrante da comissão técnica do Bayern, Kathleen Krüger. Foto: Reprodução

Integrante da comissão técnica do Bayern, Kathleen Krüger. Foto: Reprodução

Uma das únicas mulheres no circuito diretivo das Américas faz parte da Concacaf. Caroline Morace, italiana e ex-atleta, compõe o comitê executivo da entidade. Na Conmebol e na América Latina, o preconceito ainda é muito grande. A argentina Florencia Arietto era responsável, até 2012, pela chefia de segurança do Club Atlético Independiente. Por diferenças com a presidência do time, Florencia, que já recebeu até ameaças de morte, renunciou a função. Em declaração ao portal hermano El Sol, a dirigente disse que não desistirá da luta pelos símbolos do futebol.

Ex-chefe de segurança do Independiente, Florencia Arietto. Foto: Reprodução

Ex-chefe de segurança do Independiente, Florencia Arietto. Foto: Reprodução

No Brasil, o espaço da mulher como gerente de futebol é quase nulo. O péssimo exemplo de Patrícia Amorim no comando do Flamengo serviu para intensificar os conceitos equivocados sobre o poder feminino no esporte. Dos vinte clubes da série A do Campeonato Brasileiro, nenhum sustenta uma mulher em algum cargo diretivo importante.

Em entrevista na última quinta-feira (07), Michael Laudrup, atual treinador do Swansea City e principal jogador que a Dinamarca já teve, deu declarações sobre a presença feminina na Premier League. Quando questionado sobre a possibilidade de uma mulher assumir posições de destaque na liga, Laudrup devolveu a pergunta ao repórter. “Por que não?”, disse o técnico.

A dúvida de Laudrup é a mesma que levanto aqui. Por que não permitir que mais mulheres Doentes por Futebol sejam colocadas em funções importantes do mundo da bola? Se o futebol brasileiro clama por mudanças, que uma delas seja a abertura ao público feminino na parte organizacional. Neste Dia Internacional da Mulher, o apelo é sincero: por um futebol com mais mulheres preparadas no poder.

Feliz Dia Internacional da Mulher a todas nós, que amamos o esporte bretão!

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Desde pequena, arriscou no esporte. Foi jogadora de tênis, mas pendurou as raquetes ao perceber que sua vocação era nos bastidores das modalidades. Apaixonou-se por futebol aos 11 anos, quando o pai a levou ao estádio pela primeira vez. Terminou a gloriosa carreira no futsal aos 16 anos, depois de defender um pênalti na final da liga do Ensino Médio. Cultiva com orgulho, desde 2010, o blog "Entrando no Jogo". Apresentadora de TV, comentarista de rádio, boa tenista, goleira mediana e péssima nadadora.