Quando Mano estragou Ralf

  • por Doentes por Futebol
  • 8 Anos atrás
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Foto: Reprodução – O volante Ralf foi uma das opções do técnico Mano Menezes na Seleção.

Por Anderson Canale Garcia

“Talvez seja o melhor marcador do Brasil, mas quero para a Seleção um volante que marque e tenha característica de saída para o jogo. Tenho buscado um jogador assim, mais completo”.

A explicação dada por Mano Menezes ao não convocar Ralf, que vinha sendo convocado até então, para os amistosos da Seleção contra Iraque e Japão, em setembro passado, refletia o pensamento da maior parte dos brasileiros. E talvez essa tenha sido a principal razão dessa declaração, já que o treinador da Seleção na época buscava respaldo na aprovação popular.

A infeliz declaração de seu ex-comandante só poderia ser recebida de duas formas pelo volante corinthiano: ou ele se abalaria pela crítica e principalmente por ver-se descartado de futuras convocações, por uma preferência de perfil – ou por demagogia – de Mano; ou, o que seria ainda pior, ele passaria a tentar provar em campo que o treinador estava enganado.

Ralf parece ter feito a segunda opção, para sua desgraça e preocupação corinthiana.
Desde esse período, Ralf tem sido visto cada vez mais arriscando-se ao ataque, conduzindo a bola desde o campo de defesa ou executando lançamentos de longa distância. E não é que ele faça isso mal. Ao contrário, vem recebendo elogios por algumas assistências precisas a seus companheiros. O problema é que esses elogios surgem justamente porque essa nunca foi a característica do jogador. Não é a dele. Mesmo que faça direito, provavelmente haverá outros tantos à sua frente, na corrida pela amarelinha, para realizar esse tipo de tarefa.

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Foto: Reprodução – O volante disputa bola com o Meia-atacante alemão Müller, em jogo amistoso.

No que ele realmente é bom, e provavelmente seja mesmo o melhor do país, é na proteção à zaga. Na cabeça da área. E ao aventurar-se com a bola nos pés rumo ao campo ofensivo, praticamente como um meia, Ralf tem deixado cada vez mais sua defesa desprotegida. E é notória a maior vulnerabilidade do sistema defensivo alvinegro este ano em em comparação com 2012.

O que o jogador deveria entender é que ele não tem que mudar suas características para voltar a almejar seu espaço na Seleção Canarinho. A sua maior chance de estar na Copa de 2014, se tiver alguma, é pelo que faz de melhor. E falta muito alguém assim na Seleção, mesmo que seja como opção no banco. Muitos esperavam que essa fosse a opção de Felipão logo nas primeiras convocações, mas o novo técnico do Brasil provavelmente preferiu fugir das críticas pré-moldadas da imprensa esportiva, que já cobrava um meio-campo mais leve antes mesmo da primeira lista do ano. No entanto, com o insucesso no amistoso contra os ingleses, o próprio Felipão já começa a sinalizar para a busca de um sistema de proteção à zaga mais sólido. Ralf continua de fora, preterido por nomes que não cumprem tão bem sua função, sem agregar quase nada em qualidade técnica com a bola nos pés. Então, a grande receita para ele é que volte a ser “apenas” o melhor marcador do Brasil, que sua vaga pode pintar naturalmente.

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