Um clássico para rasgar todas as previsões

Felipe Azevedo foi o dono do clássico: correu, marcou, criou e anotou o gol decisivo. | Foto: Diego Nigro.

Felipe Azevedo foi o dono do clássico: correu, marcou, criou e anotou o gol decisivo. | Foto: Diego Nigro.

Ontem, na Ilha do Retiro, o juiz apitou o início do clássico entre Sport e Náutico e, aparentemente, desfez todas as previsões e análises que foram proferidas antes do jogo. Aqueles que esperavam uma atuação dominante por parte do Náutico viram um alvirrubro acuado pela imposição tática e principalmente física dos donos da casa. O Sport jogou com “sangue nos olhos” e superou o favoritismo timbu para conseguir uma vitória, de virada, por 2×1.

No primeiro jogo em casa desde a volta de Sérgio Guedes, o Leão se postou bem em campo, em um 3-5-2 que sempre deixava um homem na sobra para combater os perigosos atacantes alvirrubros e dava total liberdade aos alas Reinaldo e Cicinho. Foi numa dessas subidas que o experiente lateral tabelou com Felipe Azevedo e centrou uma bola à meia altura com perfeição – que Rithelly não conseguiu finalizar bem, obrigando ainda assim o goleiro Felipe a fazer uma grande defesa. O Náutico, que manteve seu padrão de jogo habitual e contou com o retorno de Martinez, pouco conseguiu produzir e foi dominado durante toda a metade inicial do primeiro tempo. Até que num lance isolado, a bola chegou no pé de Rogério, que acertou um chutaço de fora da área e pegou Magrão completamente desprevenido. O arqueiro rubro-negro ainda tocou na bola, mas sua ação não foi suficiente para evitar o primeiro gol alvirrubro. Um gol que evidenciou o grande momento que vive o camisa 10 alvirrubro, que vem aprimorando sua finalização e se tornando um jogador mais completo.

O treinador Sérgio Guedes apostou no 3-5-2 para anular o perigoso ataque alvirrubro. Na frente, Felipe Azevedo decidiu.

O treinador Sérgio Guedes apostou no 3-5-2 para anular o perigoso ataque alvirrubro. Na frente, Felipe Azevedo decidiu.

Timbu usou sua habitual trinca de volantes, mas Vinícius Pacheco não conseguiu criar as oportunidades para os artilheiros.

Timbu usou sua habitual trinca de volantes, mas Vinícius Pacheco não conseguiu criar as oportunidades para os artilheiros.

O fantasma voltava, então, a assombrar a Ilha do Retiro. A torcida rubro-negra se calou, enquanto os alvirrubros começaram a fazer festa. O Sport tinha o domínio das ações do jogo mas sofria com a habitual esterilidade do seu ataque. Quando o primeiro tempo parecia se encaminhar para uma vitória parcial do Timbu, Cicinho cobrou escanteio e a bola sobrou nos pés de Hugo, que encheu o pé e mandou, de primeira, para o fundo das redes. O empate rubro-negro fez explodir a torcida leonina, que recobrou a fé no time e transferiu o fantasma para o outro lado da disputa: desta vez, a assombração era o tabu alvirrubro de quase dez anos sem vitória nos domínios do Sport.

Veio o segundo tempo e a tônica do jogo seguiu a mesma, com o Sport pressionando e buscando a vitória em casa e o Náutico tentando se impor. Nesse sentido, Martinez representava a lucidez no meio-campo alvirrubro, tentando ditar o ritmo do seu time e fazendo a bola rodar. A perigosa dupla de ataque timbu pouco pôde fazer, já que a bola não chegou muitas vezes. A situação melhorou com a entrada de Marcos Vinícius, mas nem o talentoso meia foi suficiente para tornar o jogo mais favorável à equipe de Rosa e Silva. Do outro lado, Felipe Azevedo era o jogador mais perigoso do Leão: após ter tido descanso no meio da semana, o atacante parecia de fôlego renovado para ser decisivo. Correu o campo todo na marcação e sempre se apresentava nas jogadas ofensivas do Sport. Certamente, uma de suas melhores partidas a serviço do Leão, que foi coroada com o gol decisivo: aos 37’ da etapa final, Elicarlos bobeou e Lucas Lima roubou a bola próximo da linha de fundo da meta alvirrubra. Ele só teve o trabalho de rolar para o camisa 11 rubro-negro que vinha, desabalado, se apresentar para concluir.

Meia Hugo voltou ao time titular em grande estilo. | Foto: Diego Nigro.

Meia Hugo voltou ao time titular em grande estilo. | Foto: Diego Nigro.

A torcida então explodiu em gritos, caçoando dos rivais e comemorando a manutenção do tabu que tanto significa para a rivalidade. Mais uma vez, a vitória ficou com os donos da casa, que agora respiram aliviados e terão uma semana de sossego para trabalhar e continuar o momento de ascensão. Ao Náutico, resta apenas juntar os cacos e não baixar a cabeça: o elenco alvirrubro tem qualidade e totais condições de manter a boa fase que vinha apresentando antes de enfrentar o rival. No mais, nada como um clássico para espantar a monotonia e apimentar o insosso Campeonato Pernambucano.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.