Um Real Madrid unido

  • por Victor Mendes Xavier
  • 5 Anos atrás

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Entre dezembro e fevereiro, o Real Madrid viveu uma grave crise nos vestiários. A divisão entre espanhóis e portugueses era clara e o estopim foi a titularidade de Adán em um difícil confronto contra o Málaga na Andaluzia, quando Mourinho optou por deixar Casillas no banco por questão técnica. Para piorar a situação merengue, o goleiro da seleção espanhola acabou se lesionando numa disputa de bola com Arbeloa, o que resultou num período de três meses fora dos gramados. O jeito foi contratar um goleiro novo, que acabou sendo o canterano Diego López.

No início de fevereiro, Sara Carbonero, a namorada de Casillas, confirmou a um canal de televisão espanhol os consecutivos atritos dos jogadores com o treinador português. Até com Cristiano Ronaldo o bicampeão da Champions League discutiu de maneira áspera. Em campo, o desempenho era bastante abaixo da média se comparado com a equipe da temporada passada. O reflexo disso era a abissal diferença para o Barcelona, que chegou a estar 18 pontos à frente na liderança, e até para o Atlético de Madrid.

Era difícil imaginar os merengues saindo dessa crise. Ainda mais porque o calendário ingratamente colocou dois confrontos consecutivos contra o Barcelona e um decisivo contra o Manchester United no Old Trafford, pelas oitavas de finais da Uefa Champions League. No entanto, paradoxalmente, o melhor que poderia ter acontecido para os blancos foram esses confrontos contra o maior rival. A começar porque, de maneira merecida, a vitória por 1×3 no Camp Nou marcou a reconciliação dos jogadores com Mourinho. O gol que sacramentou a passagem à final da Copa do Rei, marcado por Varane, teve de especial a comemoração do francês, que, ao lado de seus companheiros, abraçou o treinador português.

Não bastasse a vitória em Barcelona, o Real Madrid se abasteceu de moral para encarar o líder da Premier League na Inglaterra, ao voltar a derrotar o Barcelona utilizando uma equipe mista. Novamente, os merengues neutralizaram o jogo do rival e souberam o que fazer nos momentos que tiveram a bola. Pepe foi claro após a partida: “Necessitávamos de vitórias desse jeito para enfrentar o United em Manchester”.

A sequência de vitórias diante dos azulgrenás serviram para ratificar o retorno da melhor versão de Cristiano Ronaldo, autor de dois gols no Camp Nou. O contra-ataque também está fino. O segundo gol contra o Barcelona pela Copa foi demonstração de como a transição madridista é letal. Messi errou passe no ataque e, dez segundos depois, viu seu time sofrer o gol. Di María desconcertou Puyol e Ronaldo concluiu. No setor defensivo, Varane e Sergio Ramos formaram uma sólida dupla de zaga na Catalunha, mas Pepe teve atuação especial no confronto de sábado. Mourinho pode deslocar Ramos à lateral direita e deixar francês e português no comando da retaguarda, com Fábio Coentrão, em boa fase, na lateral esquerda.

Por mais que encarar o Manchester United seja tarefa árdua (os merengues não fizeram boa partida na ida), o Real Madrid recuperou a auto-estima necessária para o duelo decisivo em busca do título europeu. Se a taça da Liga Espanhola dificilmente escapará das mãos do Barcelona, a orelhuda é um sonho possível. E, impulsionado por um mágico Cristiano Ronaldo, os blancos são capazes de levarem o troféu ao Santiago Bernabéu.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.