A maldição dos ex-Arsenal

  • por Victor Gandra Quintas
  • 7 Anos atrás
Foto: Reprodução - Arsène Wenger

Foto: Reprodução – Arsène Wenger

por Luiz Felipe Santos

Os torcedores do Arsenal são pessoas que não aguentam mais ver, temporada após temporada, seus jogadores irem embora do clube. Alguns por simplesmente se encantarem por uma proposta mais atrativa (Arsène Wenger quase nunca paga salários exorbitantes), ou por se cansarem da filosofia de jogo e de contratações do técnico francês. Outros também deixam o clube por não sentirem ambição nas metas da diretoria e, dessa forma, saem para conquistarem os sonhados títulos que não possuem.

Essa vem sendo a tônica do Arsenal desde 2006, quando conseguiu chegar na final da Uefa Champions League e perdeu a decisão contra o Barcelona. Este ainda foi o último ano em que o clube conquistou um troféu.

Porém, apesar de desde então sofrerem com este cenário tão comum, os torcedores do Arsenal também se consolam quando percebem que boa parte dos jogadores que defenderam as cores do clube caem de rendimento quando vestem outra camisa. E esse é o objetivo desse post. Destrinchar todos os jogadores que saíram dos Gunners almejando vôos altos, mas que no final acabaram no chão – ou pelo menos perto dele.

Vamos lá:

Edu Gaspar:

Foto: Reprodução - Edu Gaspar

Foto: Reprodução – Edu Gaspar

O volante revelado pelo Corinthians foi parte importantíssima do Arsenal invicto de 2003/2004. Edu era uma espécie de 12º jogador, junto do espanhol Reyes. Após a temporada de sucesso, o brasileiro encontrou alguns problemas físicos depois que voltou da Copa América de 2004. No fim da temporada, depois de muita especulação, Edu foi negociado com o Valencia. No clube espanhol ficou fora da temporada antes mesmo dela começar e, depois disso, nunca mais conseguiu ser o mesmo.

Mathieu Flamini:

Foto: Reprodução - Mathieu Flamini

Foto: Reprodução – Mathieu Flamini

Veja o Flamini hoje em dia no Milan. O que você acha do futebol dele? Pois é… Em 2004 o francês chegou ao Arsenal sem nenhuma badalação, mas surpreendeu a todos quando, na temporada 2007/2008, deixou Gilberto Silva no banco para formar uma grande dupla de volantes com Cesc Fábregas. No final dessa temporada, Flamini despertou o interesse dos rossoneros, campeões da Champions League do ano anterior, dizendo que “se o Arsenal tivesse a mesma verba de Milan e Barcelona, seria um dos três maiores times do mundo”. Todos nós sabemos o desfecho da história…

Alexander Hleb:

Foto: Reprodução - Alexandr Hleb

Foto: Reprodução – Alexander Hleb

O bielo-russo chegou ao Arsenal desconhecido do grande público, mas com o aval de quem o viu jogar pelo Stuttgart na Bundesliga – e eles estavam certos. Hleb foi sucesso imediato. Com boa técnica para contribuir com trocas de passes rápidos, velocidade para partir pra cima dos adversários e visão de jogo para criar boas situações de gol, Hleb foi, talvez, o melhor meia esquerda do Arsenal desde a saída de Robert Pirès, ídolo da torcida. Com todas essas qualidades, após ótimas temporadas, Hleb despertou o interesse do Barcelona, que pagou 14 milhões de euros para contar com o futebol do jogador. O desempenho foi fraquíssimo. Jogou de 2008 até 2012 no clube catalão, fez apenas 19 jogos e não conseguiu fazer um golzinho sequer. Hoje atua pelo BATE Borisov, time de seu país natal.

Kolo Touré:

 

Foto: Reprodução - Kolo Touré

Foto: Reprodução – Kolo Touré

Esse foi uma das tacadas de mestre de Arséne Wenger no comando do Arsenal. Kolo chegou ao Arsenal em 2002 pela incrível bagatela de 150 MIL libras, valor absolutamente inimaginável nos padrões atuais. O marfinense se estabeleceu como titular do elenco Gunner na temporada 2003/2004, formando, com Sol Campbell, a dupla de zaga que levou o Arsenal ao título invicto e, dois anos depois, à sua única final de Liga dos Campeões da história. Touré ganhou mais notoriedade ainda nas temporadas seguintes. Junto de Gallas, Kolo passou a ser considerado um dos melhores zagueiros da Inglaterra, o que rendeu interesse do novo rico Manchester City. Os Citizens pagaram 16 milhões de libras pelo zagueiro marfinense (lembrem-se, Wenger o comprou por 150 mil libras), e a partir daí sua carreira começou a declinar. Hoje é apenas a quarta opção de Mancini atrás de Kompany, Lescott e Nastasic.

Patrick Vieira:

Foto: Premiere League - Patrick Vieira

Foto: Premiere League – Patrick Vieira

Nada muda o que Vieira significa para torcida do Arsenal. O francês foi eleito em votação popular como o 5º maior jogador da história Gunner, foi o capitão da conquista mais marcante do time e um símbolo de raça e dedicação toda vez que entrava em campo. No entanto, em 2005, o assédio pelo volante passou a aumentar. Real Madrid e Juventus o disputaram, com o clube de Turim levando a melhor e desembolsando 20 milhões de Libras para levá-lo para a Itália. Vieira não foi um fracasso pela Velha Senhora, mas, no reencontro com o seu ex-time nas quartas-de-final da Liga dos Campeões 2005/2006, Patrick viu seu substituto, um garoto de apenas 19 anos chamado Francesc Fábregas, decidir a classificação do Arsenal com uma grande atuação. Será que se arrependeu?

Emmanuel Adebayor:

Foto: Reprodução - Emmanuel Adebayor

Foto: Reprodução – Emmanuel Adebayor

O atacante togolês é um dos jogadores que a torcida do Arsenal mais guarda rancor. Com o apelido de “Baby Kanu”, Wenger o buscou no Monaco por uma quantia de 3 milhões de libras em 2006. Adebayor demorou para engrenar no Arsenal. Apesar de alguns gols importantes marcados na sua primeira temporada, a torcida o via como um jogador pouco técnico na época. Na temporada 2007/2008 “Adeba” engrenou e conseguiu fazer 24 gols na Premier League e 30 gols no geral. Em 2009 foi contratado por 30 milhões de Libras pelo Manchester City e, com o treinador Mark Hughes, teve um bom começo marcando muitos gols. Entretanto, com a chegada de Roberto Mancini, o togolês saiu totalmente dos planos do clube e viveu de empréstimos fracassados para Real Madrid, onde mal jogou, e Tottenham onde, hoje, é reserva de Defoe.

Fracassos questionáveis

Além dos seis jogadores citados anteriormente, há outros que saíram do Arsenal e não decolaram como prometido em seus times.

Samir Nasri conseguiu ser campeão inglês na sua primeira temporada pelo City, mas hoje é titular do banco de reservas.

Foto: Action images - Samir Nasri

Foto: Action images – Samir Nasri

Cesc Fábregas sempre faz bons jogos pelo Barcelona, mas quando saiu o espanhol disse que iria à Catalunha “para jogar, e não ficar sentado coçando a cabeça”. Convenhamos que vira a mexe isso acontece.

Foto: Reprodução - Cesc Fàbregas

Foto: Reprodução – Cesc Fàbregas

Sol Campbell rodou por diversos times sem se firmar. Até teve um rápido retorno ao Arsenal, porém sem brilho.

Foto: Reprudução - Sol Campbell

Foto: Wire/Press Association- Sol Campbell

Freddie Ljungberg foi para o West Ham, não teve sucesso. Jogou em dois times da Major League Soccer, e nada. Em 2012 foi para o Japão, até, no final do ano passado, se dar conta que era hora de parar.

Foto: Reprodução - Fredrik Ljungberg

Foto: Reprodução – Fredrik Ljungberg

Robert Pirés na sua primeira temporada pelo Villareal, em 2006, sofreu uma lesão no ligamento cruzado anterior do joelho e teve de parar por sete meses. Foi o declínio da sua carreira.

Foto: Reprodução - Robert Pirés

Foto: Reprodução – Robert Pirés

O Arsenal dessa temporada provavelmente não terá grandes perdas. A especulação que mais ronda o norte de Londres é a do interesse do Barcelona no zagueiro Thomas Vermaelen, jogador que chegou até a ficar no banco em alguns jogos do campeonato. Em compensação a especulação em torno da chegada de Stefan Jovetic, atacante da Fiorentina, cresce cada vez mais.

Resta aos torcedores do Arsenal esperar. Só assim para ver se a política de contratação do time capitaneado por Arsène Wenger trará ares renovados.

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Comentários

Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).