A volta de Joel Santana e o famoso “mais do mesmo”

  • por Victor Gandra Quintas
  • 8 Anos atrás
Foto: Reprodução - Joel Santana de volta ao Bahia.

Foto: Reprodução – Joel Santana de volta ao Bahia.

Por Leandro Lainetti

Na última segunda-feira o Bahia anunciou o retorno de Joel Santana como treinador do clube. Depois da goleada de 5×1 sofrida para o Vitória na reinauguração da Itaipava Arena Fonte Nova, o então técnico do tricolor baiano, Jorginho, foi demitido. Menos de 24 horas depois, Joel foi anunciado. Uma contratação que diz muito sobre o mercado futebolístico brasileiro quando o assunto é treinadores.

O ponto de partida começa com a seguinte questão: por que os clubes contratam sempre os mesmos treinadores? Joel, por exemplo, já passou um par de vezes pelos quatro grandes cariocas, está em sua quarta passagem pelo Bahia e já treinou times como Cruzeiro, Inter, Guarani e Corinthians. Celso Roth foi outro que rodou bastante. Esteve no Grêmio quatro vezes, no Inter outras três, foi treinador de Atlético-MG e Cruzeiro, bem como dos rivais Flamengo, Vasco e Botafogo. Apenas mais um exemplo só para a lista não ficar muito extensa. Luxembrugo está no mercado desde a década de 80. Nos mais de 30 anos de carreira, treinou 16 clubes brasileiros diferentes, além da Seleção. Corinthians, Palmeiras, Santos, Flamengo, Cruzeiro e Atlético-MG são alguns dos clubes no currículo do “pofexô”.

Foto: Globoesporte - Luxemburgo em sua apresentação no Grêmio.

Foto: Globoesporte – Luxemburgo em sua apresentação no Grêmio.

Clubes grandes x treinadores

A relação entre os maiores clubes do país e os treinadores é um ciclo ininterrupto. Além dos três exemplos citados acima, outros tantos técnicos vão e voltam, entram e saem dos mesmos clubes. Joel, Celso Roth e Luxemburgo, no caso, passaram por várias equipes iguais. E continuarão passando. Nesse relacionamento entre professores e clubes de futebol, há quase uma necessidade de repetição. Se um treinador não serve para o clube A, pode servir para o clube B. Assim, de um dia para o outro. Basta um técnico treinar um clube grande que, em seguida, passa a fazer trabalhos em outros. Lembram do Adilson Batista? Belo trabalho no Cruzeiro entre 2008 e 2010 e, logo depois, uma sequência de fracassos em Corinthians, Santos Atlético-PR, São Paulo e Atlético-GO, tudo isso entre 2010 e 2012. Ou seja, no mesmo espaço de dois anos, o ex-zagueiro treinou cinco clubes.

Foto: Reprodução - Celso Roth é outro treinador com boa bagagem.

Foto: Reprodução – Celso Roth é outro treinador com boa bagagem.

Por que não mudar?

Hoje, muito por conta da internet, é fácil perceber o notório destaque de treinadores estrangeiros, principalmente os sul-americanos. O expoente desse fenômeno é Jorge Sampaoli, que montou a temida Universidad de Chile durante 2011 e 2012, ganhando, inclusive, a Copa Sul-Americana 2011 em cima do Vasco. Em 2012, teve o nome cogitado como possível treinador do Flamengo, mas acabou renovando com o clube chileno. Se o rubro-negro carioca buscou uma novidade, isso não é comum. No Brasil existe a cultura de que somos os melhores no futebol. Apesar de muita gente não aceitar, isso mudou tanto dentro quanto fora de campo. Hoje, seria interessante ver um clube brasileiro com um treinador de outro país que possa trazer novas culturas, filosofia e ideias. Alguém que venha com um sopro de renovação. Mas esse ainda não é um cenário possível, muito pela nossa cultura e, talvez, medo de ver um gringo dar baile nos nossos técnicos. Fato é que alguns técnicos brasileiros, como Muricy, insistem em dizer que não devem nada aos lá de fora.

Duas pequenas tentativas

Se para os técnicos estrangeiros o mercado ainda torce o nariz, não se pode dizer o mesmo de algumas novidades nacionais. Flamengo e Internacional contrataram, respectivamente, Jorginho e Dunga, a dupla que comandou a Seleção Brasileira na Copa da África do Sul de 2010. Se ambos vão dar certo, só o tempo dirá, mas, pelo menos, foi uma alternativa diferente encontrada pelos dois clubes. Algumas coincidências pautam as contratações. Jorginho foi jogador do Flamengo. Dunga, do Inter. Ambos estão, pela primeira vez, em um clube grande. E, se Jorginho já treinou América-RJ, Goias, Figueirense e Kashima Antlers (Japão), Dunga está em sua primeira experiência em clubes e em seu primeiro trabalho desde a eliminação na África.

Foto: Globoesporte - Ex-trenador e auxiliar da seleção agora treinado grandes clubes do Brasil.

Foto: Globoesporte – Ex-trenador e auxiliar da seleção agora treinado grandes clubes do Brasil.

Que venham novos nomes

A contratação de Joel é apenas um pequeno pedaço desse quebra-cabeça. Mas, como tantos outros, Natalino é uma das peças repetidas desse jogo de montagem. Pensando nos mesmos nomes e contratando mais do mesmo, os clubes brasileiros seguem reféns de treinadores e conceitos iguais. E mesmo que esse quebra-cabeça esteja ultrapassado, sempre vai ter alguém querendo pegar uma pecinha.

Comentários

Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).