Amaral, uma carreira de beleza

  • por Fernando Carreteiro
  • 8 Anos atrás

AMARAL carreira de beleza

Por Luiz Felipe Santos

Há jogadores que, só de pensar, você já consegue abrir um sorriso. Há o protagonista de frases folclóricas, o eterno brincalhão, ou o cara que sempre apareceu com aquela alegria estampada no rosto. A verdade é que Amaral, o coveiro, é com certeza uma dessas personagens.

Um dos jogadores mais carismáticos que já surgiram no futebol nacional, Amaral carrega o apelido pelo fato de ter trabalhado enterrando defuntos antes de se profissionalizar.

O volante, revelado pelo Palmeiras, passou a ganhar destaque em 1995 quando foi convocado pela primeira vez para a Seleção Olímpica. Nascido com uma ptose palpebral, razão do olho direito levemente caído, ele aproveitou o embalo do Palmeiras campeão paulista e agarrou a oportunidade de disputar uma Olimpíada – o que lhe rendeu uma primeira experiência no mercado internacional, pelo Parma.

Neste mesmo período, o nosso querido coveiro foi capa da revista Placar do mês de maio de 1996. Lá falou um pouco sobre assuntos tristes e também, como ótimo contador de histórias que sempre foi, sobre fatos engraçados que já havia presenciado no futebol.

Muita gente não sabe, mas enquanto tinha apenas quatro anos de idade, sua mãe, Dona Rosária, subiu em cima de um penhasco com o menino nos braços e ficou a um passo de por fim a tudo. Ao olhar para o garoto e perceber o olho diferente, imaginou que havia ali uma pessoa especial, alguém que ela poderia levar fé. Ela desistiu da morte.

Fato é que Dona Rosária tomou a decisão certa. Se não fosse por isso, nunca veríamos o volante dar o sangue por grandes clubes, como Palmeiras, Vasco e Corinthians – mesmo convivendo com o famoso elástico de Romário como um estigma.

Além disso, não saberíamos jamais que, num jogo contra o Nagoya, Amaral causou o desespero de um zagueiro que lhe acertou uma cotovelada. O motivo? O japonês pensou ter causado o olho caído.

O coveiro é inquieto. Quando todos nós dávamos sua carreira como encerrada, o nosso volante reaparece, aos 40 anos, jogando o fino da bola no amistoso de despedida do goleiro Marcos. A atuação lhe rendeu dois momentos de decepção.

Contratado pelo Poços de Caldas (MG), Amaral se disse enganado pelos empresários que o levaram ao clube. Segundo ele, foi prometido um contrato não conseguiriam ter verba para cumprir. Dias depois, o Itumbiara (GO) o buscou e fechou contrato. Mais uma decepção. Após 19 dias e um jogo feito, a diretoria o demitiu. Sempre carismático, Amaral brincou com a situação. “Não pensei o que vou fazer não. Vou trabalhar no ‘Pé na Cova’, já que eu trabalhei em funerária. O Miguel Falabella já me ligou e falou: ‘vem para cá’. Agora eu vou”, disse, brincalhão, fazendo alusão ao seriado da Rede Globo.

E assim segue o incansável Amaral. Desde 1995 com o mesmo carisma, bom humor, força de vontade e, acima de tudo, amor ao futebol.

Comentários