Aprendeu, Moratti?

  • por Tiago Lima Domingos
  • 8 Anos atrás

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Nessa última quarta-feira, a Internazionale deu adeus à última esperança de título na temporada. Foi eliminada em casa, em uma derrota por 3×2 para a Roma (também havia perdido o jogo de ida na capital por 2×1). Até aí, tudo normal. Mas a eliminação nerazurra passou por fatores muito recorrentes na grande maioria dos clubes italianos: o não aproveitamento de jovens promissores formados na base associado a contratações equivocadas.

A Roma marcou cinco gols na Inter nos dois jogos da semifinal. Três deles foram anotados por Mattia Destro, atacante revelado pela Inter, mas que nunca recebeu chances na equipe principal. Destro, diga-se de passagem, era um dos atletas mais promissores da Primavera da Inter, sendo, inclusive, artilheiro do campeonato de juniores com 18 gols em 2008/2009. Como de praxe na Itália, os novatos de times grandes são envolvidos em negociações com os pequenos como forma de abater o preço de uma compra. Com Destro não foi diferente: foi para o Genoa na negociação que levou Ranocchia à Inter. Mas, em 2001/2012, o faro goleador dos juniores começou a aparecer. Emprestado ao modesto Siena, Mattia foi o destaque do time, marcando 12 gols em 30 partidas pela Série A.

destro inter

Foto: Reprodução – Um dos poucos registros de Destro com a camisa da Inter.

O sucesso no Siena despertou o interesse de Roma, Juventus, Milan e… Inter! Isso mesmo, a própria Inter que o revelou e não lhe deu oportunidades. Se Moratti superasse a concorrência da Roma, que o contratou por € 15 milhões, ficaria ainda mais escancarada a trapalhada da direção do clube, que teria gasto essa cifra em um jogador que era seu, de graça, e que não foi aproveitado por ter o “defeito” de ser jovem.

A Inter tem sido um dos últimos clubes a perceber que, com a grave crise econômica do país, a melhor solução é apostar na base e criar novos valores. Talvez só tenha atentado a essa possibilidade dada a necessidade da situação. Não tenho dúvidas que, se o dinheiro de outrora ainda estivesse jorrando nas mãos de Massimo Moratti, o presidente não olharia para seus jovens. A lição foi aprendida nessa quarta-feira da maneira mais doída possível: pela eliminação em uma competição graças a um jogador formado no clube, mas que nunca pode atuar por ele. Ao invés de apostar em seu talento, a Inter preferiu grifes como Zárate, Forlán e Rocchi, que viviam péssima fase em seus clubes à época da contratação. Que sirva de lição, e, sobretudo, de aprendizado. Aprendeu, Moratti?

* Poderíamos elencar outros jovens que já saíram ou foram incluídos em negociações absurdas. Caso de Santon, Livaja, entre outros. A matéria fica em Destro, aproveitando o fato de quarta-feira.

Um dos 3 gols de Destro contra a Inter:

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Carioca e rubro-negro. Do Rio de Janeiro a Milão. Doente por futebol, é claro. E apaixonado pelo Calcio.