As surpresas e decepções da 1ª fase

  • por Mauricio Fernando
  • 7 Anos atrás

Foto: UOL Esporte.  O novato Garcilaso goleia o tradicional Cerro.


A Taça Libertadores da América 2013 confundiu um pouco a cabeça dos analistas de plantão. A maioria dos times ditos favoritos se classificaram, mas ainda sim tivemos muitas equipes decepcionando. Surpresas foram poucas, mas também tivemos. Outro fato interessante é que o considerado “grupo da morte” se decidiu com antecipação e o grupo tido como mais desequilibrado se decidiu de forma dramática. O que dizer então de um modesto time de apenas três anos de fundação eliminar um tradicional de mais de cem anos? Tivemos ainda um clube de pouco mais de seis anos se destacando, mas também teve ressurgimento de clubes tradicionais que, desacreditados, fizeram bonito. Vejamos algumas curiosidades relacionadas às surpresas e decepções da fase de grupos da competição de clubes mais importante das Américas.

Vamos explicá-los de uma forma diferente.

Pois bem, no Guia da Libertadores apresentado em nosso site antes do início dos grupos, demos palpites (veja abaixo) com relação aos classificados de cada grupo. O percentual de acerto, no fim das contas, acabou sendo razoável. Foram 11 acertos em 16 possíveis, cerca de 69%. Sinal de que a maioria dos times confirmaram o favoritismo, mas (quase) nada foi tão fácil quanto parecia. Vejamos primeiramente nossos “erros” e o por quê deles:

Foto: Tribuna Hoje.  Libertad cai em casa diante do Tigre.

Foto: Tribuna Hoje. Libertad cai em casa diante do Tigre.



Grupo 2: Libertad – Semifinalista em 2006 e participando de sua décima segunda edição consecutiva, a equipe paraguaia foi uma das grandes decepções da competição. O Gumarelo até começou bem, com duas vitórias e bom futebol , mas parou por aí. O time até mostrou qualidade e organização, mas faltou consistência e equilíbrio nos momentos decisivos. A equipe ainda teve a chance de chegar à liderança na última rodada, mas fez uma partida ruim e conseguiu perder em casa por 5×3 para o Tigre-ARG, que ficou com a segunda vaga do grupo.

Grupo 4: Não chega a ser uma surpresa. O Emelec tem feito boas campanhas nos últimos torneios sulamericanos e tem incomodado muita “gente grande”, mas inicialmente o Peñarol, campeão do último Apertura uruguaio, era considerado o favorito para conquistar a segunda vaga. O Peñarol pareceu que iria conseguir confirmar o favoritismo, mas os confrontos contra o líder Vélez acabaram fazendo a diferença. Enquanto o Peñarol perdeu as duas para os argentinos, o Emelec venceu em casa e empatou de forma “suspeita” na última rodada, quando o resultado favorecia as duas equipes. De qualquer forma, o Emelec mostrou mais regularidade e apresentou um futebol um pouco melhor que o credenciou à próxima fase.

Foto: UOL.  Omar Pérez foi o cara do Santa Fé.

Foto: UOL.    Omar Pérez foi “o cara” do Santa Fé.



Grupo 6: Um grupo que começou estranho e terminou da mesma forma. Era para o Cerro Porteño, equipe mais tradicional (100 anos) e com campanhas mais significativas, passear. E o time foi mesmo a passeio nos jogos. Com problemas em todos os setores e pouca inspiração ofensiva, os paraguaios sequer demonstraram o espírito aguerrido que sugeria seu (ex) treinador, o uruguaio Jorge Fossati. Foram quatro derrotas nos quatro primeiros jogos e veio a eliminação precoce. Em sequência, sob o comando de “Chiqui” Arce e já testando jogadores, ainda veio a goleada sofrida frente ao Garcilaso por 5×1 e o empate sem gols diante do Tolima, que deu ao Ciclón seu único ponto conquistado. Uma campanha desastrosa, a pior da fase de grupos.

Como se não bastasse o fracasso do Cerro, o grupo ainda proporcionou a classificação do Real Garcilaso-PER, maior surpresa da atual edição. O clube peruano tem apenas 3 anos de fundação e, logo em seu debute na Libertadores, já alcançou a classificação para as oitavas. Conquista espetacular, ainda mais se considerar que o clube será o único representante peruano nas oitavas de final. A classificação se deve à eficiência tática da modesta equipe treinada por Fredy Garcia, que iniciou de forma eficiente, com um empate e duas vitórias pelo placar mínimo, e depois apenas “administrou” a vantagem. Contou ainda com a incompetência do Tolima, que precisava de uma vitória simples sobre o já eliminado Cerro na última rodada, mas acabou empatando sem gols.

O grupo ainda teve o Santa Fé-COL, outra grata surpresa e um dos grandes times da fase de grupos, o único invicto até aqui. Foi o ponto de equilíbrio em um grupo tão confuso. Foram dois empates nas primeiras rodadas e quatro vitórias consistentes em sequência. O grande destaque foi, sem dúvida, o meia Omar Pérez, que ditou o ritmo do time como um autêntico camisa 10. O meio campo, aliás, foi o grande trunfo da equipe treinada por Wilson Gutiérrez, que ainda conta com a rapidez de atacantes como Medina, Borja (ex-Flamengo) e Cuero à frente. Por tudo o que fez, o Santa Fé tem condições de incomodar no mata-mata e já deixou de ser surpresa.

Foto: La Tercera.  Dario Franco sofreu duras críticas da imprensa chilena

Foto: La Tercera.   Dario Franco sofreu duras críticas da imprensa chilena



Grupo 7: A Universidad de Chile já não era mais aquela que havia encantado a América do Sul quando conquistou a Sulamericana de 2011 e foi à semifinal da última Libertadores, mas ainda tinha alguns bons jogadores daquele time, como Aránguiz, Lorenzetti, Mena, José Rojas. Tecnicamente, a equipe não devia a nenhuma do grupo, mas faltou padrão tático. A saída de Jorge Sampaoli para a seleção chilena agravou a situação. Seu substituto, Dario Franco, também da escola de Marcelo Bielsa, não foi bem, prova disso são as duras críticas da imprensa chilena ao trabalho do treinador.

Foto: Fox Sports.  O Olímpia superou as adversidades extra-campo e fez bonito.

Foto: Fox Sports.        O Olímpia superou as adversidades extra-campo e fez bonito.

Soma-se a isso a surpreendente campanha do Olímpia, clube que começou a competição desacreditado, com graves problemas financeiros e em meio a troca de diretoria, mas que acabou fazendo uma das melhores campanhas da fase de grupos, tendo inclusive um dos melhores ataques da competição, com 16 gols. O meia Salgueiro e o atacante Bareiro são dois dos grandes responsáveis pelo bom desempenho da equipe comandada por Ever Hugo Almeida. A equipe, no fim das contas, foi a salvação do futebol paraguaio, que apresentou duas das maiores decepções desta edição.

Outras decepções

Foto: MSN Esportes. O grupo 1 que consagrou Nacional e Boca foi decepcionante.

Foto: MSN Esportes.     O grupo 1 que consagrou Nacional e Boca foi decepcionante.



Grupo 1: O “grupo da morte” prometia, mas não cumpriu. A primeira rodada ainda nos enganou, apresentando bons jogos, com Barcelona-EQU e Toluca-MEX aprontando fora de casa frente a Nacional-URU e Boca Juniors-ARG. Ainda tivemos um bom jogo entre Nacional e Toluca decidido nos minutos finais. Mas foi só isso. Depois disso, o que se viu foi pragmatismo e o prevalecimento dos clubes mais tradicionais, especialmente o Nacional-URU, que dominou o grupo e terminou na liderança. Os uruguaios se classificaram com antecipação, assim como o Boca Juniors, que também pouco apresentou, apesar da volta de Riquelme e Bianchi. A última rodada foi mera formalidade. A verdade é que nenhum dos integrantes apresentou aquilo que se esperava deles.

Foto: Lancenet. O São Paulo de Osvado se classificou na "bacia das almas".

Foto: Lancenet.    O São Paulo de Osvado se classificou na “bacia das almas”.



São Paulo: Enquanto o Atlético Mineiro dominava os outros adversários do grupo com certa tranqüilidade, o São Paulo sofria com os mesmos adversários. O “auge” foi o mísero ponto conquistado nos confrontos contra o fraco Arsenal-ARG. A classificação veio em uma ótima partida diante do Galo já classificado, o que pode dar moral ao tricolor paulista, que entra em igualdade de condições contra o mesmo Atlético nas oitavas. Importante seria o time aprimorar a pontaria, já que os inúmeros gols perdidos foram outro fator que contribuiu para a má campanha, a pior dentre os 16 classificados.

Foto: Fox Sports.  O Millos não teve o que comemorar nesta Libertadores.

Foto: Fox Sports.    O Millos não teve o que comemorar nesta Libertadores.



Millonarios: Atual campeão colombiano e semifinalista da última Copa Sulamericana, o Millos aparecia como forte postulante à segunda vaga do grupo 5, mas não mostrou o futebol que se esperava, sendo eliminado precocemente. Alguns jogadores importantes saíram no fim de 2012, casos de Vasquez e, especialmente, Cosme, que fazia ótima dupla de ataque com Reintería. Para seu lugar veio Freddy Montero, que estava nos Estados Unidos, mas não deu certo. Além disso, a equipe treinada por Hernán Torres perdeu o poderio do fator casa que tanto fez a diferença na temporada passada. Como resultado, uma péssima campanha com apenas uma vitória e o último lugar do grupo, ficando abaixo até do frágil San José-BOL.

Outra surpresa:

Foto: Gazeta Esportiva.  O Grêmio de Barcos sofreu com o Huachipato.

Foto: Gazeta Esportiva.       O Grêmio de Barcos sofreu com o Huachipato.



Grupo 8: O cenário parecia tranquilo para a classificação de Fluminense e Grêmio, o que no fim das contas acabou acontecendo, mas não de maneira fácil como se imaginava. Desde o início, os concorrentes mostraram resistência. O Huachipato, que disputava sua segunda Libertadores, sendo a primeira no longíquo ano de 1975, venceu o Grêmio na estreia por 2×1 na recém inaugurada Arena, e mais que isso, dominando a partida Os chilenos ainda iriam aprontar com o Fluminense no Engenhão, conquistando o empate em 1×1. O Caracas também mostrou seu poderio ao vencer o Grêmio em casa por 2×1, bem verdade que por pura “distração” dos gaúchos, que dominaram boa parte do jogo. Fato é que na última rodada todos os quatro times tinham chances de classificação e todos dependiam de si, bastando uma vitória simples para cada. O empate favorecia os brasileiros. O Fluminense acabou vencendo o Caracas com dificuldades, por 1×0, e o Grêmio arrancou um empate complicado com o Huachipato em 1×1, no Chile. Os favoritos acabaram passando, mas poderiam ter ficado pelo caminho. Muito disso se deve à irregularidade dos brasileiros, mas também parte se deve a um futebol acima do esperado apresentado pelos concorrentes. O Huachipato apresentou a América do Sul, o centroavante Braian Rodríguez, artilheiro da fase de grupos com 5 gols e que pode vir para o futebol brasileiro. Outra curiosidade do grupo é o fato de nenhuma das equipes vencer como mandante por mais de uma vez.

Palpites DPF (antes da fase):

Grupo 1: Boca Juniors e Nacional-URU
Grupo 2: Libertad-PAR e Palmeiras
Grupo 3: Atlético Mineiro e São Paulo
Grupo 4: Vélez-ARG e Peñarol-URU
Grupo 5: Corinthians e Tijuana-MEX
Grupo 6: Cerro Porteño-PAR e Tolima-COL
Grupo 7: Newell´s-ARG e Universidad de Chile
Grupo 8: Fluminense e Grêmio

A DPF vai seguir apresentando matérias com o que de melhor e também o que de pior aconteceu na fase de grupos da Taça Libertadores da América 2013. Aguarde!

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21 anos, morador de Maringá-PR. Corintiano de coração, aprendi ainda a ser Liverpool, na Europa. Como Doente por Futebol, acompanho diariamente jogos, jogadores e tudo o que acontece acerca deste apaixonante esporte. Minha função por aqui será de analisar e informar tudo o que rola na América do Sul e no México. Responsável ainda pelas colunas "Craque DPF" e "Futebol na Mídia".