Clubes desaparecidos: O caso do Perugia

Clube de tradição do Calcio passou por problemas financeiros até a sua extinção em 2005.

Torcida do Grifone apoiando a equipe durante os jogos da Prima Divisione | Foto: Quattro Tratti

Torcida do Grifone apoiando a equipe durante os jogos da Prima Divisione | Foto: Quattro Tratti

Muitos devem pensar desta forma: Poxa, só há Milan, Juventus e Inter de Milão como grandes clubes italianos, além de Roma, Lazio e Napoli, medianos e aspirantes às vagas para a UEFA Champions League e Euro League. Mas tenho certeza que este nome pode ser familiar para quem é realmente amante do esporte bretão: O Perugia Calcio, clube de Úmbria, localizado na região central do país. A agremiação, que um dia, já contou com grandes jogadores como Marco Materazzi e Gennaro Gattuso veio a desaparecer do mapa.

História

Escudo do A.C .Perugia Calcio | Foto: Reprodução

Escudo do A.C .Perugia Calcio | Foto: Reprodução

Fundado em 1905 ainda como A. C. Perugia, em uma fusão com a Fortebraccio EUA e Libertas, o clube teve poucos feitos registrados na história do futebol italiano. A promoção para a Série B do Calcio em 1966, onde ficou por oito anos até conquistar a Série A em 1975 foi um dos marcos da equipe de Úmbria.

O que mais marcou a equipe vermelha e branca foi o feito realizado na temporada 1978-1979, quando manteve-se invicta no campeonato nacional com 11 vitórias e 19 empates, mas conseguindo obter apenas o vice-campeonato, que naquela ocasião, o título ficou nas mãos do Milan.

Além disso, o Perugia também foi responsável por revelar e dar oportunidades a jogadores até então desconhecidos, como o sul-coreano Ahn Jung-Hwan, que atuou de 2000 a 2002, e dispensado pelo próprio presidente da equipe italiana, Luciano Gaucci, ao marcar um gol contra a seleção Azurra na Copa do Mundo sediada na Koréia do Sul e no Japão.

Também tiveram passagem o iraquiano Rahman Rezaei, Hidetoshi Nakata, brilhante jogador japonês, o chinês Ma Mingyu e as estelas europeias Marco Materazzi e Gennaro Gattuso. Até mesmo, o filho do ex-ditador líbio e morto Muammar Gaddafi, Al-Saadi Gaddafi. Apesar de ter jogado apenas uma partida em 2003, foi considerado o primeiro jogador do país a atuar no Velho Continente.

Chinês Ma Mingyu com a camisa do Perugia | Foto: Reprodução

Chinês Ma Mingyu com a camisa do Perugia | Foto: Reprodução

 

Filho de ex-ditador líbio, Muammar Gaddafi, Saaid Al Kadafy também teve passagem pela equipe italiana | Foto: Reprodução

Filho de ex-ditador líbio, Muammar Gaddafi, Saaid Al Gaddafi também teve passagem pela equipe italiana | Foto: Reprodução

Zé Maria deixou sua marca no Perugia | Foto: Reprodução

Zé Maria deixou sua marca no Perugia | Foto: Reprodução

Apenas algumas curiosidades

Em toda a sua história, o Perugia enfrentou o Clube de Regatas Flamengo em duas oportunidades. A primeira, em 1980 pelo Troféu Perugia. Vitória rubro negra por 1 a 0. No segundo confronto, em 1996, válido pelo Troféu Naranja, goleada carioca por 5 a 2 frente aos italianos.

Na temporada de 1998-1999, o atacante Edmundo, que na época, defendia as cores da Fiorentina e voltava à Itália após o Carnaval do Rio de Janeiro, fez dois gols contra o Perúgia pela Série A antes de deixar a equipe sob vaias e queixas de falta de profissionalismo.

Anos difíceis, a crise instalada e reformulações

O Perugia passou a maior parte dos anos 1980 tentando regressar à Série A. Foram anos de descenso, quedas para divisões inferiores. Até que em 1996, com o comando do técnico Giovanni Galeone, o clube voltava à primeira divisão.

Em 2003, o time conquistou um de seus primeiros e único título de maior expressão: A Copa Intertoto da UEFA, ao lado de Villareal, da Espanha e Schalke 04, da Alemanha. O clube já havia ganho a Série B italiana na temporada 1974-1975, Série C em 1945-1946 e 1966 e 1967 e a Série C1 (Lega Pro Prima Divisone) em 1993-1994.

Já nos anos 2000, a crise econômica, que atingiu outras equipes de menor expressão no país, havia começado no clube da região central da Itália. A falência da equipe profissional é decretada em 2005. Algumas medidas foram adotadas, como a mudança de nome para Perugia Calcio. A agremiação ficou nas mãos de Leonardo Pisa Covarelli, então presidente em 2009.

Em 2010, o Tribunal de Perugia declara a falência do clube, que ainda não conseguiu o direito de disputar a terceira divisão nacional naquele mesmo ano. Mas no verão de 2010, novamente mudou seu nome para A.S.D Perugia Calcio, na tentativa de resgatar as épocas perdidas e buscar um recomeço nas quatro linhas.

Jogadores do Perugia comemorando uma das poucas conquistas do time nesses últimos anos | Foto: Reprodução

Jogadores do Perugia comemorando uma das poucas conquistas do time nesses últimos anos | Foto: Reprodução

Torcida do Perúgia durante os jogos do time pelo Calcio | Foto: Reprodução

Torcida do Perúgia durante os jogos do time pelo Calcio | Foto: Reprodução

No verão de 2011, novamente reformulado, desta vez como Associazione Calcistica Perugia Calcio, jogando na Pro Seconda Divisione Lega B, equivalente a última divisão do Calcio, o “Grifoni”, como é chamado, ainda possui uma pequena legião de fãs e admiradores que hoje se encontram melancólicos com tantas mudanças que a equipe passou nos últimos anos, mas que um dia tiveram o prazer de ver algumas das futuras joias do planeta bola vestindo a camisa deste senhor de mais de 108 anos de tradição.

Comentários

Jornalista formado pela Universidade Paulista - Unip em 2012, é torcedor doente pelo Palmeiras e amante do bom futebol. Foi estagiário da produção do Domingo Espetacular, da Rede Record. Em um de seus trabalhos acadêmicos, realizou um documentário sobre o Nacional Atlético Clube intitulado "O Futebol Nacional", publicado no YouTube, com o intuito de relatar a falta de estrutura no clube e de visibilidade na mídia esportiva.