Começo de temporada do Boca Juniors

  • por Gustavo Ribeiro
  • 8 Anos atrás
Bianchi e Riquelme

Foto: Urgente24.com – Bianchi e Riquelme

Boca Juniors e Corinthians vão se enfrentar pelas oitavas de final da Libertadores e, como na final entre as duas equipes na temporada passada, o primeiro jogo vai ser na La Bombonera e o jogo de volta no Pacaembu. Em outros tempos, enfrentar o Boca Juniors em uma fase de mata-mata da Libertadores, era o maior azar possível. Hoje, a situação é bem diferente. Enquanto o Corinthians passa por um bom momento dentro e fora de campo, o time argentino vem sofrendo derrotas e mais derrotas e, até agora, o técnico Bianchi não conseguiu dar uma cara ao time.

O Boca começou o ano com Carlos Bianchi, técnico tricampeão da Libertadores pelo clube, assumindo o cargo de treinador no início da temporada, no lugar de Julio Cesar Falcioni, que vinha se desgastando com os jogadores do elenco, principalmente com Riquelme. Bianchi chegou com a missão de dar ao time aquele bom futebol que levou o time a conquistar as Libertadores de 2000, 2001 e 2003. Mas até hoje não conseguiu dar um padrão de jogo ao time, que tem na defesa o ponto mais fraco, onde Burdisso e Caruzzo não passam confiança.

No ataque, Bianchi tem feito vários testes. No começo do ano, com a ausência de Riquelme que tinha saído do clube, “El Vierry” apostou no jovem Leandro Paredes, revelado na base do próprio clube, que ganhou a missão de ser o substitudo de Riquelme. O jovem teria que ser o novo “enganche”, mas a camisa 10 pesou e aos poucos foi perdendo espaço. E com o retorno de Riquelme, o jogador foi praticamente deixado de lado.

Um dos destaques do time é o atacante Martínez, que até a temporada passada defendia o Corinthians, mas por falta de regularidade e sequência de jogos no clube paulista, pediu para se transferir. El Burrito chegou ao Boca como uma das maiores contratações do futebol argentino da temporada, mas ainda não conseguiu deslanchar. Na Libertadores, o atacante fez apenas 1 gol.

No Torneo Final, o time vem fazendo uma campanha pífia. O time já não sabe o que é uma vitória há 9 rodadas, quando venceu o Quilmes na primeira rodada. Os números da equipe no Campeonato Argentino são de assustar: são 11 jogos, 1 vitória, 6 empates, 4 derrotas, 8 gols marcados e 17 sofridos. Santiago “El Tanque” Silva é o artilheiro do time na competição com 4 gols marcados. Esse é o pior momento de Bianchi no comando do clube e conseguiu igualar o ano de 1957, quando o time passou 10 jogos sem saber o que é uma vitória no Campeonato Argentino.

Na Libertadores, o time começou sofrendo uma derrota inesperada para o Toluca, dentro da mística La Bombonera, sendo totalmente dominado pelo time mexicano. Na segunda rodada foi até Guayaquil enfrentar o Barcelona e venceu por 2×1. Na terceira rodada, fez o confronto contra o Nacional, o outro gigante do grupo, e perdeu a segunda em casa. Nos dois jogos seguintes, venceu Barcelona e Nacional, mas continuou sem convencer. Na última rodada, perdeu para o Toluca, quando o sistema defensivo foi o mais criticado. Nessa primeira fase, o Boca venceu 3 jogos, empatou 0, perdeu 3 e marcou e sofreu 7 gols.

TATICAMENTE

Bianchi começou a temporada no 4-4-2, que mostrou que poderia dar certo. Tinha Pol Fernández e Paredes pelo lado direito, que era o ponto forte do time. Com a chegada de Riquelme, Bianchi decidiu mudar o esquema e o estilo do time, que agora joga no 4-3-1-2, em que Riquelme é o “engnache”, o meia responsável por criar as jogadas ofensivas.

Com a chegada de Riquelme, as jogadas passaram a ficar centralizadas somente no camisa 10, tendo ele a missão de fazer a bola chegar nos dois atacantes, nos laterais quando avançam e até nos volantes, que sempre aparecem como elementos surpresa. Mas com a forma física longe da ideal, Riquelme sente muita dificuldade quando sofre pressão e essa é a principal característica da marcação do Corinthians.

Reprodução;  Flagrante tático do 4-3-1-1 do Boca Juniors

Reprodução; Flagrante tático do 4-3-1-2 do Boca Juniors

Os pontos fracos desse 4-3-1-2 xeinenze são muitos. Os zagueiros perdem a maioria das jogadas pelo alto e são muito lentos; os laterais, além de não apoiarem bem o ataque, marcam mal; o trio de volantes -Erviti, Bravo e Pol Fernández- tem muitas dificuldades para trocar passes e dão muitos espaços na marcação; e o ataque não consegue prender a bola no campo adversário.

Sem a bola, o time se defende num 4-4-2, mas que na maioria das vezes deixa muitos espaços entre as duas linhas, culpa da falta de compactação. Um dos únicos que vêm conseguindo se salvar nessa fraca temporada é o goleiro Orion, que vem mantendo uma ótima regularidade desde a temporada passada

Reprodução: Flagrante tático das duas linhas de 4 do Boca Juniors

Reprodução: Flagrante tático das duas linhas de 4 do Boca Juniors

Se olharmos só o que ocorre dentro de campo, o Corinthians é amplamente favorito. Mas nunca podemos esquecer que o Boca Juniors não é qualquer um. É o segundo maior campeão da Libertadores, com sete títulos conquistados. A camisa “azul y oro” tem muito peso, principalmente dentro da mística La Bombonera, onde a torcida grita durante todo o jogo, seja qual for o resultado. A prova disso é que só quatro clubes brasileiros conseguiram vencer a equipe xeineize na história da Libertadores (Santos, Cruzeiro, Paysandu e Fluminense).

Esse confronto contra o Corinthians pode definir o futuro do Boca Juniors para o restante da temporada, afinal no Torneo Final já está fora da briga pelo título. Se perder, deverá haver uma reformulação no elenco. No comando técnico, Bianchi tem créditos com a torcida e diretoria, mas a paciência um dia acaba.

Comentários

Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.