E se…? Um convite ao surreal

521815_510829122296096_226122444_n

Personagens verdadeiros. Histórias imaginárias. Que poderiam ter sido reais, ou não. Sempre permeadas por aquele velho delírio que cutuca, atrás da orelha: “e se…?”. É esta a tônica do futebol. Desde detalhes que poderiam ter provocado mudanças radicais, até exercícios de imaginação fantásticos sobre realidades paralelas distantes: tudo isso faz parte da cultura do torcedor.

Todos gostamos de especular o que teria sucedido se – ah, se! – aquele craque não estivesse suspenso naquela decisão. Ou se aquele jovem talento tivesse mantido o foco em sua carreira: que futuro desperdiçado! O torcedor registra bem suas glórias, mas ainda melhor suas lástimas e vexames.

Magrite, "O Falso Espelho". Abstração enquanto fuga da realidade. Nossos olhos têm o dom de ver além.

Magrite, “O Falso Espelho”. Abstração enquanto fuga da realidade. O cérebro humano vê além dos olhos.

É perfeitamente normal e até recomendável, pois, revirar o passado e relembrar o que podia ter sido – ainda mais se o papo se der acompanhado de uma cerveja gelada e boas companhias. Nessas horas, qualquer argumento é fundado em um plano imaginário qualquer. Nada passa de impressão e suposição; é tudo fumaça que se desfaz no ar, mas que serve para sustentar qualquer crença: o título que inevitavelmente viria, a bola que teria entrado ou algum outro quase-acontecimento. Ah, se…

Esta coluna se propõe a cogitar, portanto. Do trivial ao absurdo. Qualquer hipótese que podia ter acontecido, mas não aconteceu por algum fator que, aqui, ocorrerá. Campeões, artilheiros, craques: nossas referências aqui serão outras. Os fatos concretos, aqui, darão lugar à especulação, ao inusitado, ao “quase” e ao “se”. Aqui eles terão seu lugar reservado, porque também fazem, e sempre farão, parte do futebol.

Comentários

Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.