Estaduais: Vitrines subestimadas

  • por joao_vitor
  • 7 Anos atrás

Torcedores, dirigentes, treinadores, jogadores, parte da imprensa, enfim, a queixa em relação aos estaduais vem de todas as partes. Quem defende – Federações e detentores dos direitos de transmissão – pensa apenas no lado comercial, no conveniente. Não resta dúvida que os estaduais, com tantas datas e inchados como estão, representam um atraso na evolução do futebol brasileiro. Mas será que só de mazelas vivem esses anacrônicos torneios?

Durante muitos anos, se falou na importância dos times pequenos na hora de fornecer jogadores aos clubes grandes. As agremiações de menor investimento sempre usaram os estaduais como principal vitrine para expor seus jogadores e, posteriormente, vendê-los aos principais clubes do país. A prática ainda ocorre com freqüência, mas já não é difundida como antes.

No cenário atual do futebol brasileiro, o Corinthians é um dos clubes mais respeitados. Tendo conquistado praticamente todos os títulos possíveis no recente período, a equipe paulista teve sempre entre seus destaques jogadores vindos de times de menor investimento. Romarinho é um exemplo. O atacante jogou o Paulistão 2012 pelo Bragantino, se destacou e logo migrou para o Parque São Jorge. Poucos dias depois, já estava calando a La Bombonera e entrando para a história do Timão.

Foto: Reprodução Internet - Romarinho marcando um dos gols mais importantes da história do Corinthians.

Foto: Reprodução Internet – Romarinho marcando um dos gols mais importantes da história do Corinthians.

Outro setor que vem dando alegrias à nação corinthiana é a volância. Elias, Jucilei, Paulinho, todos foram brilhantemente garimpados pelos olheiros do Corinthians em torneios regionais. Elias e Jucilei chagaram, inclusive, a ser vice-campeões estaduais por seus clubes – Ponte Preta e Corinthians Paranaense (hoje J. Malucelli), respectivamente. Apesar de estar muito bem financeiramente, o Corinthians mostra que não precisa necessariamente gastar rios de dinheiro para adquirir bons jogadores. E que os estaduais continuam sendo importantes vitrines para o futebol brasileiro.

Além do lado técnico, os clubes compradores costumam obter bons lucros em cima dessas negociações. O atleta chega por valores irrisórios e costuma sair por altas cifras. Quando a coisa não vinga dentro de campo e o jogador torna-se um “flop”, o prejuízo financeiro é praticamente inexistente.

O Vasco de Dedé (negociado com o Cruzeiro) vive uma das piores fases de sua história. Sem dinheiro em caixa, afogado em dívidas, o clube carioca viu no zagueiro uma maneira de amenizar a grave crise financeira. O Mito, como ficou conhecido pela torcida vascaína, chegou a São Januário em 2009, após um bom Carioca pelo Volta Redonda. O zagueiro foi adquirido por aproximadamente um milhão de reais e está sendo vendido por um valor 15 vezes maior. Pelo Vasco, Dedé contribuiu diretamente para o título da Copa do Brasil de 2011, obteve destaque individual, tornou-se ídolo da torcida e chegou à seleção brasileira. Ou seja, um jogador procedente de um estadual, teve uma relevante importância para um clube tradicional como o Vasco tanto dentro como fora de campo.

Foto: Reprodução Internet - Dedé atuando pelo Volta Redonda. Na ocasião, Júnior Baiano foi seu companheiro de zaga.

Foto: Reprodução Internet – Dedé atuando pelo Volta Redonda. Na ocasião, Júnior Baiano foi seu companheiro de zaga.

Assim como Dedé, que hoje é figura freqüente nas listas de convocação da atual seleção brasileira, outros jogadores oriundos de estaduais vêm sendo lembrados por Felipão. Paulinho, citado anteriormente, é um deles.

O volante Ramires, atualmente no Chelsea, foi revelado pelo Joinville. Após o Catarinense de 2007, conseguiu uma transferência para o Cruzeiro, onde conseguiu destaque no cenário nacional. Ainda no próprio ano de 2007, o jogador teve sua primeira convocação para a seleção. Foi para os Jogos Olímpicos de 2008, Copa do Mundo de 2010 e vem sendo, até hoje, presença constante na seleção brasileira. De um torneio estadual secundário para o mundo, tudo muito rápido, tudo muito intenso.

Como podemos observar, no futebol as coisas são bastante cíclicas. 8 e 80 andam sempre lado a lado. Para ir do underground ao glamour é um pulo. Talvez os jogadores citados tenham desfrutado da única chance efetiva que ganhariam ao longo da carreira. Milhares de atletas batem cabeça em divisões inferiores, centros obscuros e até mesmo campeonatos de várzea. Os estaduais surgem como uma rara e concorrida vitrine. Uma estimada oportunidade para serem vistos, reconhecidos e valorizados no mundo da bola. Com o tão clamado fim dos regionais, essa explorada fonte teria fim. Nesse contexto, perderiam clubes grandes, clubes pequenos e jogadores.

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