Hegemonia bávara à vista

  • por Leandro Lainetti
  • 7 Anos atrás

A goleada imposta pelo Bayern de Munique ao Barcelona (4×0), no primeiro jogo da semifinal da Champions League, foi de assustar. Muito mais pela maneira como aconteceu do que pelos números no placar. Há muito tempo não se via um Barcelona tão facilmente dominado, intranquilo e sem saber o que fazer com a bola, apesar de mais uma vez ter ficado com ela a maior parte do tempo. O que os bávaros fizeram, e com muita propriedade, ninguém conseguiu.

Com a incontestável vitória, o Bayern nos impõe uma reflexão. Será o fim da “Era Barcelona” e o começo de outra, liderada pelos próprios alemães? É possível. Motivos para alçar os bávaros como novos “donos do mundo” não faltam. Listamos abaixo algumas razões que podem, em breve, transformar o Bayern no time mais temido do planeta bola.

Gestão profissional e lucrativa

Não é de hoje que o Bayern figura entre os times mais ricos do mundo. Para se ter uma ideia, o faturamento dos alemães em 2012 foi de 332,2 milhões de euros (R$ 874 milhões), 15% a mais do que em 2011, e o terceiro maior entre todos os clubes de futebol. Além de uma marca forte, o clube conta com patrocínios vantajosos, que são divididos em três categorias: principais, premium e clássicos. No primeiro tipo estão a Adidas e a Deutsche Telekom. Cada uma contribui, por ano, com 25 e 30 milhões de Euros, respectivamente. A categoria premium é composta por algumas empresas, como Allianz, Audi, Bwin, Coca-Cola, Lufthansa e Samsung. A Allianz, por exemplo, paga seis milhões de euros por ano para dar nome ao estádio do clube (Allianz Arena). Dos patrocínios clássicos fazem parte empresas como Continental, Lego, Nestlé, Siemens, Viagogo e WMF, que contribuem com cerca de dois milhões de euros por ano.

O estádio

Vencer a equipe na Allianz Arena é tarefa ingrata. Não bastasse isso, o estádio é forte aliado na saúde financeira do clube, já que é responsável por uma arrecadação de aproximadamente 130 milhões de euros por ano. Com capacidade para 69.000 torcedores, é difícil achar um lugar vazio durante os jogos da equipe alemã. A estratégia é simples. Assim que sai o calendário da temporada, o Bayern coloca 39 mil ingressos à disposição dos sócios em forma de carnê, ou seja, o torcedor compra todos os jogos de uma vez. O restante fica disponível para que outros torcedores também possam adquirir as entradas. Os ingressos variam de preço e o mais barato custa apenas 7,5 euros, o equivalente a 20 reais. A loja do clube dentro do estádio chega a faturar, por jogo, 250 mil euros.

Casa cheia: Allianz Arena fica lotada em todos os jogos do Bayern

Casa cheia: Allianz Arena fica lotada em todos os jogos do Bayern

Contratações pontuais e bem feitas

Com o faturamento que possui, o Bayern consegue investir pesado em jogadores. Mas se engana quem pensa que o clube gasta o dinheiro de qualquer forma. Apesar de trazer alguns jogadores por altos valores, os alemães costumam dar tiros certeiros. Segundo o jornal “El País”, de 2007 para cá o Bayern gastou 260 milhões de Euros em contratações. A lista inclui Ribéry (26 milhões), Mario Gomez (30 milhões), Robben (25 milhões), Javi Martinez (40 milhões) e, mais recentemente, Gotze (37 milhões). Outros jogadores importantes no elenco foram contratados por preços bem menores, casos de Luiz Gustavo (15 milhões), Mandzukic (13 milhões), Shaquiri (11,6 milhões) e Dante (4,7 milhões). Além de fortalecerem o elenco bávaro, algumas aquisições também enfraquecem os rivais. Mario Gomez, Neuer, Luiz Gustavo, Dante, Mandzukic e Gotze eram destaques em clubes da Alemanha quando foram contratados. Essa situação, certamente reflete no campeonato nacional.

Hegemonia na Bundesliga

Antes de dominar o mundo, que tal dominar o próprio território? Não que isso já não tenha sido feito, afinal, os 23 títulos conquistados fazem do Bayern, de forma disparada, o maior vencedor da história do campeonato. Mas manter e aumentar essa hegemonia, que pode tornar a Bundesliga monótona, é passo fundamental para atrair mais investidores, torcedores e, claro, jogadores. O provável enfraquecimento do Borussia Dortmund, em razão da saída de Gotze para o time vermelho, pode facilitar ainda mais a dominação bávara na Alemanha. É bom lembrar que outros jogadores importantes do time da cidade de Dortmund, como Lewandowski e Hummels, também são fortementes especulados no Bayern.

Recente histórico na Champions League

Nos últimos anos o Bayern provou que é uma das atuais potências do continente europeu. Se concretizar a classificação para a final nessa temporada, será a terceira decisão em quatro anos. Apesar dos vice-campeonatos em 2010 e 2012, o clube alemão vem fazendo campanhas consistentes na competição, sempre eliminando times considerados favoritos. Na temporada 2009/10, eliminou Milan e Manchester United. Na temporada 2011/12, tirou o Real Madrid. Sem conquistar o título desde a temporada 2000/01, a “orelhuda” é objeto de desejo para os bávaros. A conquista, ao que parece, é questão de tempo e pode vir ainda nesta temporada.

Elenco forte e equilibrado

Com média de idade de 26 anos o Bayern sabe aliar experiência, juventude e muito talento, óbvio. Sob a batuta do meio-campista Bastian Schweinsteiger, ícone do clube, a equipe possui um estilo de jogo característico. Posse de bola, marcação forte e troca de passes em alta velocidade. Com média de altura de 1,85m, o jogo aéreo também é constante preocupação dos rivais. Além de Schweisteiger, jogadores experientes como Robben, Ribéry, Mario Gomez e Neuer fazem a diferença. Thomas Muller, Mandzukic, Alaba, Kross e Shaqiri, este último contratado nessa temporada, são os principais jovens da equipe, que deve ficar ainda mais forte na próxima temporada já que outros jogadores devem chegar além dos já anunciados Mario Gotze e Jan Kirchhoff, zagueiro do Mainz 05 e da seleção alemã sub-21.

Foto: Lars Baron/Getty Images - Ribéry e Schweinsteiger, dois dos principais jogadores dos bávaros

Foto: Lars Baron/Getty Images – Ribéry e Schweinsteiger, dois dos principais jogadores bávaros

Novo técnico: Guardiola

O treinador espanhol, considerado o melhor do mundo, foi anunciado logo no começo do ano, já que o atual comandante, Jupp Heynckes, vai se aposentar ao fim da temporada. Ao contrário do que muitos podem pensar, o trabalho de Guardiola poderá ser mais árduo do que parece. Heynckes montou um time avassalador, que foi campeão alemão com seis rodadas de antecedência, está na final da Copa da Alemanha e atropelou o Barcelona. O espanhol terá que melhorar o que já está quase perfeito. Se conseguir mesclar sua filosofia de trabalho com a do clube, é bom os rivais se prepararem.

Pelos motivos apresentados podemos imaginar que uma nova “Era” está para surgir, mesmo que os bávaros não vençam a Champions League nessa temporada. Com bons resultados dentro e fora de campo, enxergar o Bayern como novo bicho-papão do futebol, daqui a pouco tempo, será mais do que possível, será provável.

Comentários

Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.