Lucas ensina Neymar a vencer

  • por Doentes por Futebol
  • 7 Anos atrás

neymar lucas

Por Leandro Lainetti

Quem tem Twitter e segue boa parte dos jornalistas esportivos brasileiros se deparou com uma situação durante o segundo jogo entre Barcelona e Paris Saint Germain. Muitos ironizavam Neymar pelo fato de Lucas, outro nome forte da nova geração de jogadores brasileiros, estar em campo contra o Barcelona, um dos melhores times do mundo, enquanto Neymar enfrentaria o Flamengo-PI, horas depois, à noite. 

Claro que nem todos os jogos disputados na Europa são melhores que os que acontecem em solo nacional. Mas, neste caso específico, a partida que envolvia a ex-joia são paulina estava anos luz à frente do jogo em que Neymar, obviamente, seria a principal atração. Se Lucas ainda não é o ator principal, apesar de agradar a torcida do PSG, está caminhando para ser. Com a cabeça no lugar e jogando em uma equipe repleta de jogadores experientes, que facilitam, e muito, a vida de um novato, é notória a sua evolução. Passados três meses da estreia oficial, tem sido corriqueiro ouvir o garoto falando que cresceu muito como jogador, principalmente no aspecto tático.

Este mesmo aspecto tático, hoje, talvez seja o que mais falta para Neymar. Não me refiro a números. 4-3-3, 4-2-3-1, 4-3-2-1, 4-4-2. Esqueçam tudo isso. É fácil montar esquemas, mas no campo é diferente. No Brasil, o camisa 11 do Santos tem o respeito dos adversários. Domina a bola e tem tempo de parar, pensar e só depois executar a jogada. Um respeito natural e merecido, adquirido por tudo que mostrou nos últimos anos. Mas o ponto não é esse. Em jogos da Libertadores 2012 ou da Seleção Brasileira, já foi possível perceber: Neymar não se destaca, não decide tanto. Jogando lá fora, chegaria sendo apenas mais um, tendo que provar dentro de campo que merece o mesmo respeito que possui aqui.

Se Neymar sair após a Copa das Confederações, ainda haverá um ano até a Copa do Mundo de 2014, tempo suficiente para jogar em um grande centro, disputar a Champions League e, claro, evoluir. O que seria bom para ele, se realmente tiver pretensões de ser o melhor do mundo, e para a Seleção, que ganharia um jogador completo e muito mais decisivo. Lucas resolveu ir cedo para a Europa. Até o momento, não se arrependeu. Neymar preferiu ficar. E também não se arrependeu. É ídolo, ganha muito, tem família, amigos e namorada por perto.

Porém, no quesito principal, aquele que envolve o futebol e nada mais, Lucas é quem tem a vantagem. Mesmo que o PSG tenha perdido a vaga na semifinal para o Barcelona, ele saiu ganhando ao poder observar tão de perto a mítica equipe catalã. Neymar, mesmo que o Santos garanta a vaga na Copa do Brasil (2 a 2 no primeiro jogo), sairá perdendo. 

Mais dinheiro, idolatria, amigos, família, namorada e fama. Menos futebol.

Neymar precisa aprender as coisas que realmente importam ganhar, ainda que seja necessário perder outras.

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