Miguel Brindisi, o novo técnico do Independiente

  • por Gustavo Ribeiro
  • 8 Anos atrás
Foto: Reprodução - Brindisi assumi o Independiente

Foto: Reprodução – Brindisi assumi o Independiente

Como sempre, em momentos difíceis, a primeira opção de uma diretoria é trocar de técnico, pensando que o futebol, a vontade e os resultados do time vão melhorar. Depois de um empate contra o Unión, pelo Torneo Final, Gallego foi demitido. Mas não demorou muito e o Independiente anunciou seu novo técnico: Miguel Algel Brindisi. Isso depois que Jorge Fossati e Falcioni não aceitaram assumir o clube nesse momento difícil. A equipe luta contra um rebaixamento, que parece cada vez mais inevitável.

Nascido em 08 de outubro de 1950, Brindisi teve uma carreira como jogador muito irregular. Seu primeiro clube foi o Huracán. Jogou de 1967 a 1976 e de 1979 a 1980, e conquistou o Metropolitano de 1973. Atuou no Boca Juniors de 1981 a 1982 e foi destaque ao lado de Maradona no título da Metro, em 1981.

Brindisi ainda jogou no Las Palmas-ESP (1976-1979), Nacional-URU (1983), Unión (1983) e Racing (1984, na segunda divisão).

Brindisi começou sua carreira como técnico em 1986, comandando o Atlético Alumni de Villa Maria, de Córdoba. No ano seguinte, assumiu o Municipal de Guatemala. Conquistou dois títulos nacionais. Treinou o Barcelona, do Equador, em 1989, conseguindo levar o clube à final da Libertadores de 1990, a primeira do time, que terminou com o vice-campeonato depois de perder a final para o Olimpa. Nesse seu tempo no Equador, Brindisi teve uma rápida passagem pelo Las Palmas, da Espanha, e pela seleção da Guatemala.

Brindisi ainda comandou outros times, como Racing (1995-1996), Espanyol (1998-2000), Huracán (2001-2002), Lanús (2002-2003), Boca Juniors (2004), Comunicaciones (2005-2006), Atlas (2007-2008), Jaguares (2009) e Huracán (2010-2011).

Como técnico, Brindisi teve seu melhor momento no próprio Independiente, conquistando o Clausura de 1994, a Supercopa de 1994 e a Recopa de 1995. Quando chegou ao clube, o time tinha acabado de ser vice-campeão do Claurura de 1993 e terceiro colocado no Apertura do mesmo ano. Seu principal objetivo logo de início foi passar confiança aos jogadores. E deu certo.

No Clausura de 1994, foi campeão sofrendo apenas uma derrota, que foi para o San Lorenzo, na décima rodada. O título foi conquistado na última rodada com uma vitória sobre o Huracán, que estava na segunda posição com um ponto a menos. Na Supercopa de 1994, depois de eliminar Cruzeiro, Santos e Grêmio, foi campeão vencendo o Boca Juniors na final, empatando o jogo de ida no La Bombonera em 1 a 1. No jogo de volta, em Avellaneda, venceu por 1 a 0. Na Recopa de 1995, o time conquistou o título depois de vencer o Vélez por 1 a 0.

A situação é bem diferente hoje. Brindisi não tem à disposição um time tão bom quando aquele dos anos 90, que contava com jogadores como Ricardo Gareca (hoje técnico do Vélez), Gustavo López e Sebastián Rambert. Brindisi pega um clube que vem sem confiança, mas que conta com bons jogadores. Com o ex-técnico Gallego, o time jogava bem, mas mesmo assim não conseguia conquistar as vitórias.

Nesse momento difícil, Brindisi deverá optar por usar jogadores mais rodados, que provavelmente sentirão menos o peso da obrigação de tirar a equipe dessa situação. Na partida contra o Atletico Rafaela, além de mudar o esquema, saindo do 4-2-3-1 para o 4-4-2, dará preferência para jogadores mais experientes. Pelo menos foi o que mostrou nos treinamentos durante a semana, usando Farías (32), Montenegro (34), Osmar Ferreyra (30), Victor Zapata (34), Tulla (35), Santana (31) e Tuzzio (38).

A mudança mais significativa deverá ser a entrada do centroavante Farías no time titular, que havia perdido espaço no time depois de fracas atuações e por um relacionamento conturbado com o ex-técnico Gallego. Os titulares vinham sendo Caicedo e o jovem Fernández, mas não conseguiram melhorar o ataque Rojo.

Em 9 jogos no Torneo Final, o time perdeu 4, ganhou 2 e empatou 2. A última vitória foi na terceira rodada, quando venceu o Racing por 2×0. Além disso, o time tem o segundo pior ataque da competição, ao lado do San Lorenzo, com 6 gols.

A torcida tem apoiado e vai continuar até quando houver chances de escapar do rebaixamento. Será difícil ver esse time treinado por Brindisi apresentar um futebol tão vistoso quanto aquele do time campeão do Clausura de 1994. O importante, no entanto, é que os resultados positivos apareçam.

Comentários

Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.