O adeus de Alex Frei

  • por Gregor Vasconcelos
  • 8 Anos atrás

FREI!

Neste sábado, o suiço Alex Frei se despediu do futebol com festa emocionante no St.Jakob’s Park, em Basel. Frei marcou, com belissima cobrança de falta, o gol de empate na vitória por 3×1 sobre o FC Zurich (que ajudou o Basel a abrir 3 pontos para o segundo colocado, o Grasshoppers Zurich). Após a partida, o jogador foi recebido por uma torcida eufórica por um idolo não só do clube como da nação.

Ao encerrar sua carreira no Basel, seu clube de infância, Frei termina o seu ciclo da maneira que sempre sonhou. A sua estreia na equipe principal do Basel, aos 18 anos, não foi a desejada. Frei marcou apenas 1 gol em 11 jogos com a camisa do FCB e depois disso foi vendido ao FC Thun. Frei rodou por diversos clubes suiços até finalmente se encontrar no Servette.

O bom desempenho de Frei no clube de Genebra atriu o interesse do modesto Stade Rennais da França. Lá, Frei conseguiu a primeira artilharia de sua carreira professional, quando marcou 20 vezes na temporada 2004-2005, o que o tornou o artilheiro da Ligue1. Depois de três anos no clube francês, Frei foi para o Borussia Dortmund para ajudar a reerguer o clube que passava por um momento instável. Lá, o suiço virou idolo, principalmente após sua atuação no derby contra o Schalke 04 na temporada 2008-2009. O Borussia perdia por 3×0 e Frei, que estava voltando de contusão, entrou no intervalo para tentar resgatar a partida. O suiço comandou um empate heroico, dando a assistência para o primeiro gol, marcando o segundo com um lindo chute de fora longa distancia e, de pênalti, empatando a partida aos 45 do segundo tempo.


Frei só não teve mais sucesso no Dortmund por conta das lesões que o afetaram em parte importante de sua carreira. A grande frustração do jogador, por exemplo, foi a contusão sofrida no primeiro tempo do jogo de abertura da Euro 2008 na Suiça. O jogador, que era o capitão de sua seleção, sofreu falta feia e rompeu os ligamentos do joelho, tendo que ficar de fora do restante da competição. Mesmo necessitando de cirurgia no joelho, Frei decidiu ficar com a equipe durante a Euro, torcendo do banco para os seus companheiros, que acabaram eliminados na fase de grupos.

Foto: reprodução - A contusão na abertura da Euro foi o pior momento da carreira de Frei

Foto: reprodução – A contusão na abertura da Euro foi o pior momento da carreira de Frei


Apesar disso, Frei teve uma carreira de sucesso pela sua seleção. É o maior artilheiro da história do país com 42 gols em 84 partidas e jogou duas Eurocopas e duas Copas do Mundo, até se aposentar da seleção em 2011, quando viu que já não rendia mais o esperado.

Quando as lesões começaram a atrapalhar sua vida em Dortmund, Frei voltou a Basel em 2009 para realizar o seu sonho de ser ídolo no clube pelo qual ele cresceu torcendo. Nas últimas três temporadas, Frei, como capitão, liderou o Basel ao tricampeonato suiço (sendo artilheiro e melhor jogador em duas edições) e duas copas nacionais (2010 e 2012). O jogador também foi responsável pela classificação do Basel sobre o Manchester United na Liga dos Campeões da última temporada, além de estar presente na vitória nos pênaltis sobre o Tottenham que levou o Basel a primeira semifinal europeia de sua longa história, na atual edição da UEFA Europa League. Os míseros 11 jogos e 1 gol que Frei registrara em sua primeira passagem pelo clube se transformaram hoje em 107 gols em 186 partidas pelo seu time do coração (na sua carreira inteira, Frei marcou 309 gols em 521 jogos).

Agora, com seu sonho realizado, Frei começará uma nova carreira como diretor esportivo do FC Luzern. Mas independentemente do que vier daqui pra frente, “der König des Strafraums” (o rei da grande área) sempre será lembrado como o grande ídolo do emergente futebol suiço.

Foto: Action Images - Frei é carregado por seus companheiros  após seu gol contra o FC Zurich. O último de sua carreira

Foto: Action Images – Frei é carregado por seus companheiros após seu gol contra o FC Zurich. O último de sua carreira

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Torcedor fanatico do Arsenal e do Flamengo, Gregor é fã de longa data da Premier League, acompanhando a liga avidamente há 10 temporadas. Formado em linguística inglesa pela universidade King's College em Londres, agora faz mestrado em linguistica e literatura na universidade de Zurich. Colunista da extinta revista "Doentes por Futebol", hoje é o editor de futebol inglês no site.