O Cavalheiro do Futebol

  • por Alexandre Perdigão
  • 8 Anos atrás

Rincón, Valderrama, Higuita e Shakira. Quando se ouve falar alguma dessas quatro palavras, o subconsciente já te leva a pensar na Colômbia. Hoje em dia, ao pensar em futebol colombiano, Falcao Garcia é o principal nome. O jogador do Atlético de Madrid, e um dos melhores do mundo, é o responsável de uma possível volta da tradicional seleção para uma Copa do Mundo. A Colômbia não participa da competição desde 1998. Atualmente, a população local está em êxtase.

Os mais velhos sempre irão se lembrar dos mais importantes jogadores colombianos: Valderrama e sua cabeleira, Rincón e sua classe, Higuita e suas graças. Poucos irão se recordar de Andrés Escobar.

Escobar atuava como zagueiro e vestiu a camisa de dois clubes durante sua carreira. Jogador de excelente classe, foi apelidado de “Cavalheiro do Futebol”. Suas boas atuações pelo Atlético Nacional lhe rendeu uma convocação para a seleção colombiana, em 1987. Atuou nela até o fim de sua vida.

Foto: Reprodução - Escobar com a camisa da Colômbia.

Foto: Reprodução – Escobar com a camisa da Colômbia.

O atleta jogou no Atlético Nacional entre 1987 e 1989. Foi campeão da Taça Libertadores da América, tendo um grande destaque. Após o título continental, foi vendido para o Young Boys, da Suíça. A adaptação de Escobar não foi muito boa no país e, portanto, resolveu voltar ao seu time de origem. Então, em 1990, o “Cavalheiro do Futebol” regressou ao Atlético Nacional.

Sua índole dentro e fora de campo lhe rendeu a faixa de capitão da seleção. Jogava com ela quando Valderrama estava ausente. Em 1990, estava no time que disputou a Copa do Mundo da Itália. O grupo da Colômbia contava com duas forças do futebol na época – Iugoslávia e Alemanha Ocidental, e o fraco Emirados Árabes. Na estreia, vitória contra os Emirados Árabes por 2 x 0. No segundo jogo, derrota contra a forte Iugoslávia, e o placar de 1 x 0 preocupava a Colômbia, que precisaria de um empate contra a Alemanha para passar de fase. O placar de 1 x 1 classificou os colombianos, ao lado de Iugoslávia e Alemanha Ocidental. Foi um resultado muito comemorado, pois era a primeira vez que a seleção chegava nas oitavas de final de uma Copa do Mundo. Na fase seguinte, a Colômbia enfrentou a sensação Camarões, de Roger Milla. Os africanos vinham tendo dificuldades contra a Colômbia, até que o goleiro Higuita perdeu uma bola para Roger Milla e levou o gol. O placar de 2 x 1 eliminou os sul-americanos, que voltaram para casa sonhando com a Copa de 1994, com um time mais encorpado e maduro.

Após a Copa, Escobar vislumbrava um futuro promissor pela frente. A seleção era forte e seu time estava bem, tanto que Escobar levantou a taça de Campeão Colombiano de 1991. A boa campanha na Copa da Itália empolgou os colombianos, que chegaram em 1993 ao terceiro lugar na Copa América. Nas Eliminatórias, mandaram a Argentina para a repescagem com duas vitórias convincentes, inclusive um 5 x 0 no Monumental de Nuñes. No sorteio para a Copa, Escobar e seus companheiros vibraram, pois caíram em um grupo teoricamente fácil, com EUA, Suíça e Romênia.

Os colombianos fizeram festa e as casas de apostas colombianas deram como certo a classificação da seleção. O futebol e o narcotráfico andavam juntos no pobre país. Os traficantes financiavam o esporte e os narcotraficantes apostavam alto na seleção.

O desastre colombiano começou contra a Romênia. A seleção europeia, liderada por Hagi, ganhou por 3 x 1, com a Colômbia jogando um futebol abaixo da crítica. A segunda partida foi contra os donos da casa, os EUA. Os colombianos novamente estavam irreconhecíveis e, aos 35 minutos do primeiro tempo, em um chute despretensioso vindo da esquerda, o “Cavalheiro do futebol” tentou cortar a bola e, de carrinho, marcou contra. A seleção dos EUA ainda marcou mais um gol no segundo tempo, e a Colômbia descontou. Placar final: 2 x 1. Acabou aí a participação da Colômbia e a vida de Escobar. Só restou cumprir tabela contra a Suíça.

Foto: Reprodução - Escobar após o gol contra.

Foto: Reprodução – Escobar após o gol contra.

Os jogadores, ao contrário de 4 anos atrás, voltaram ao país desolados e envergonhados. No dia 02 de Julho de 1994, na cidade de Medelín, Andrés Escobar estava se divertindo em uma boate e, após uma discussão com um torcedor, “O Cavaleiro do Futebol” levou 12 tiros e faleceu. O mundo do futebol ficou chocado. Humberto Muñoz Castro foi o responsável pelos disparos. A discussão, que acabou no homicídio, começou quando o autor dos disparos questionou o zagueiro em relação ao lance que acabou com o gol contra e a vitória dos EUA ante a Colômbia. Escobar foi responsabilizado pela pífia campanha nos Estados Unidos e morto por um motivo aparentemente banal. Muitos dizem que o assassinato foi uma represália dos narcotraficantes, pois apostaram muito na seleção, e isso serviria de lição para todos os jogadores.

A melhor geração do futebol colombiano ficou aterrorizada com tamanha brutalidade, mas conseguiram ainda o terceiro lugar na Copa América no ano seguinte e ainda se classificaram para a Copa do Mundo da França, na qual Escobar foi homenageado por diversas vezes.

Foto: Reprodução - Homenagem dos torcedores colombianos ao jogador.

Foto: Reprodução – Homenagem dos torcedores colombianos ao jogador.

Escobar é lembrado como ídolo por muitos colombianos. No ano de 2002, foi erguido um monumento com a imagem do atleta na cidade de Medellín, local onde nasceu e atuou durante praticamente toda a carreira.

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Alexandre Perdigão é Mineiro, estudante de Direito, ex-futuro Engenheiro Químico, Técnico em Radiologia, apaixonado pelos esportes e principalmente pelo futebol. Graças a seu pai é torcedor roxo(ou azul) do Cruzeiro. Dizem que sua primeira palavra foi "Goool".