O despertar de um gigante na França

  • por Fernando Carreteiro
  • 8 Anos atrás

saint et fampage

Por Lucas Paiva Imbroinise

Problemas financeiros, escassez nas divisões de base, perda de identidade, nove anos sem conquistar nada. Nem mesmo os mais pessimistas torcedores do Saint-Étienne podiam esperar tantas decepções nos últimos anos. Desde a temporada 2003-04 que o maior campeão do campeonato francês, com dez troféus, não levanta uma taça sequer. A última delas, inclusive, foi a da segunda divisão nacional, na volta por cima em um dos momentos mais trágicos da história do clube.

Nesta temporada, porém, o gigante parece ter despertado de vez. Com um elenco construído à base de contratações pontuais e pouco badaladas, o técnico Christophe Galtier montou um time rápido e bastante ofensivo. O resultado não poderia ser mais animador para uma das torcidas mais fanáticas da França: briga pelo topo da tabela no campeonato nacional, quartas de finais da Copa da França (a equipe foi eliminada agora pouco (16/04) pelo Lorient com um gol no minuto 93′) e final da Copa da Liga, esta última a ser disputada neste sábado, contra o Rennes.

A oportunidade de levantar um caneco depois de nove anos e se classificar para a tão sonhada UEFA Champions League, da qual foi vice-campeão em 1976, faz a cidade do sudeste francês delirar. O estádio Geoffroy-Guichard dificilmente não recebe lotação máxima nos jogos em casa. Em quarto lugar na Ligue 1, o time ainda briga por uma das vagas na competição mais importante da Europa com o Olympique de Lyon e o Olympique Marseille. Com 54 pontos, dois a menos que o rival regional Lyon, restam 6 jogos para o Saint-Étienne conseguir alcançar o sonho da torcida. 

Na realidade, a esperança é mais do que real para um time que cresceu muito nos últimos meses e tem na equipe titular alguns dos principais nomes do torneio. O goleiro Ruffier, por exemplo, é considerado por muitos críticos franceses como melhor do país. É nele que se baseia a segurança e a eficácia da segunda melhor defesa francesa, com apenas 25 gols sofridos no campeonato.

No meio-campo, a versatilidade do jovem cabeça de área Guilavogui, de apenas 22 anos, faz crescer o número de roubadas de bola do time no setor. Junto com os experientes Lemoine e Cohadé, faz o time ser dinâmico na transição defesa-ataque. Isso agiliza e facilita o trabalho do trio de ataque da equipe, comandado pelo artilheiro Pierre Aubameyang, vice-goleador da Ligue 1, atrás apenas do badalado matador parisiense Zlatan Ibrahimovic.

No 4-3-3 vertical de Galdier, o Saint-Étienne segue sua saga em busca de retomar as glórias do passado. O time que lançou Michel Platini para o estrelato mundial luta com todas as suas armas para voltar a ser protagonista no cenário continental. Para chegar lá, porém, vencer em solo francês é mais do que importante, é essencial.

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