O dia em que “nasceu” o apito amigo.

  • por Bráulio Silva
  • 8 Anos atrás

 Clássicos DPF – O dia em que “nasceu” o apito amigo.

15 anos do jogo Corinthians 2×2 Portuguesa, Paulistão de 98

Certamente você já ouviu a expressão “apito amigo”. Criado por alguém e imortalizada pelo jornalista Milton Neves, o apito amigo é destinado ao time que conta com o apoio da arbitragem. Na visão bravateira do jornalista, o clube que mais conta com o auxílio da arbitragem é o Corinthians.

E, na verdade, em 26 de abril de 98 a ajuda veio, mesmo, e foi em grande estilo. Corinthians e Lusa jogavam pelas semifinais do Paulistão daquele ano. Na primeira partida, empate em 1×1. Como tinha campanha superior, o Corinthians jogava pela igualdade no segundo jogo.

Numa época em que o Paulistão era valorizado, a Federação Paulista de Futebol (FPF), presidida por Eduardo José Farah, sempre inovou. Nos grandes jogos eram trazidos árbitros estrangeiros, e na partida da semi-final não foi diferente. Da Argentina veio o renomado Javier Castrilli, principal nome da arbitragem no país vizinho.

A Lusa tinha um time extremamente consistente. O treinador Candinho contava com o zagueiro Cesar em excelente fase, com o recém-surgido Leandro Amaral e com Aílton e Augusto fazendo o time fluir pelo lado esquerdo, além do experiente Evair servindo o jovem Da Silva no ataque.

Já o Corinthians começava, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, a fazer uma reformulação. Do time campeão paulista no ano anterior, só restavam no elenco o meia Marcelinho – que tinha voltado após uma passagem apagada pelo Valência -, o volante Romeu e o atacante Mirandinha.

Em campo e precisando da vitória, a Lusa começou a partida com cautela, explorando os contra-ataques. Assim, o Corinthians pressionou e teve as melhores chances. Logo no início, o lateral alvinegro Rodrigo avançou pela direita e mandou uma bomba que explodiu na trave do goleiro Fabiano. Pouco tempo depois foi a vez de Souza pegar um rebote, driblar o goleiro e perder um gol feito. Como castigo, a Lusa abriu o placar. Evair recebeu na ponta em posição duvidosa, foi ao fundo e cruzou. A bola chegou até o meia Alexandre, que serviu ao meia Aílton, que abriu o placar.

O gol assustou o Corinthians, que pouco produziu até o fim da primeira etapa. No segundo tempo, outro lance polêmico. Marcelinho cobrou escanteio e o foi marcado puxão de Evair no zagueiro Cris na pequena área. Pênalti contestado pelos lusitanos e cobrado com maestria por Marcelinho Carioca.

O jogo ficou novamente morno. Aos 26, o camisa 7 alvinegro foi expulso por uma falta violenta. Aos 33, a Lusa retomou a vantagem no placar. Após cobrança de falta, a bola sobrou para Da Silva apenas empurrar para as redes. Após o gol, muitos corintianos reclamaram com o bandeirinha, que mesmo assim validou o gol.


Com um a menos, o Corinthians voltou a pressionar, mas parava no sistema defensivo rubro-verde, sempre bem postado. Aos 44 minutos da etapa complementar ocorreu o lance que entrou para a história. O lateral alvinegro Sylvinho foi ao fundo e cruzou. O zagueiro Cesar interceptou o cruzamento com a barriga. O juiz anotou penalidade máxima, para perplexidade dos mais de 60 mil presentes ao estádio. Na reclamação, a Lusa teve três atletas expulsos. O volante Rincón cobrou com perfeição, empatou a partida e levou o Corinthians à final diante do São Paulo.

Após o jogo, o presidente da FPF entrou com uma representação contra Castrilli na FIFA, que de nada adiantou. No mesmo dia, o árbitro pegou o avião e desembarcou em Buenos Aires, de onde, meses depois, partiu para apitar a Copa do Mundo na França.

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.