O futsal – parte 2

Segunda parte da narrativa sobre o futsal

Segunda parte da narrativa sobre o futsal

Descrevemos brevemente no texto anterior as regras que movem o futsal. Se não fossem craques como Manoel Tobias e Falcão, e treinadores consagrados como Ferretti, o esporte não seria assistido por milhões de brasileiros, que param para acompanhar a mais importante competição brasileira na modalidade: a Liga Nacional. O campeonato começou nessa segunda (15) e está sendo transmitido pelos canais Sportv e ESPN.

As posições que os jogadores de futsal desempenham são as seguintes: goleiro, fixo, ala (esquerdo-direito) e pivô. Em quadra ficam um fixo, dois alas e um pivô, mas isso não é nenhuma regra. Como veremos a seguir, jogadores podem desempenhar mais de uma função.

O goleiro não necessita de mais explicações, já que sua tarefa é defender a meta. Porém, muitas vezes ele se torna opção de jogo, passando a bola para os fixos ou para um dos alas.

O fixo é o equivalente ao zagueiro do futebol. Os alas, por sua vez, poderiam ser comparados aos meio-campistas box-to-box, fazendo a transição entre o ataque e a defesa. Estão compondo por vezes o sistema defensivo, mas podem ficar na mesma linha do pivô, junto à linha lateral, para abrir a marcação, para que o fixo ou outro jogador possa concluir a gol.

Já o pivô seria o centroavante do campo. Além do papel fundamental de marcar gols, todos os bons pivôs conseguem “fazer a parede” (também chamado de “fazer o pivô”), isto é, segurar a bola com o marcador atrás, podendo tocar ou girar e concluir a jogada individualmente.

Essas são as definições formais das posições de um jogo de futsal. Mas nem sempre são seguidas à risca, porque isso varia com a qualidade do plantel que o treinador tem à disposição. Com isso, muitas vezes um mesmo jogador pode desempenhar mais de uma função. Os mais comuns de ver (e é representado na TV, quando mostra a posição do atleta) são o fixo-ala e o ala-pivô.
A maioria das pessoas, quando se fala em tática no futsal, associa com o esquema em losango (ou diamante), no qual o fixo e o pivô ficam na reta dos goleiros, centralizados, enquanto os dois alas jogam bem abertos, quase em cima da linha lateral. Apesar dessa tática ser muito adotada, não é a única, já que, para algumas situações, ela é contra-indicada. Por exemplo: pode ser necessário trocar o ala com características mais ofensivas por um fixo de origem quando o time está sofrendo uma pressão, para resguardar o placar.

Dentre as táticas utilizadas no jogo, destacam-se 4:

  • 1-2-1 losango;
  •  2 – 2 quadrado;
  •  1 – 3;
  •  3 – 1;


A principal vantagem na tática losango é a saída de bola. Como teremos uma equipe equilibrada, os dois alas abrem pela ponta para receber a bola do fixo ou do goleiro. Com isso, a marcação do time adversário não consegue afunilar, o que permite que o fixo tente uma jogada individual. O mesmo não pode ser dito em esquemas como o 2 – 2 e o 3 -1, pois ainda teria que esperar o reposicionamento dos jogadores, por serem táticas mais defensivas. Todavia, dependendo das características dos alas, a formação pode deixar o time mais vulnerável a contra-ataques.

Formação 1-2-1

Formação 1-2-1

Já a tática 2 -2 se caracteriza por formar um quadrado: dois fixos (ou fixo e um ala-fixo) e dois jogadores mais avançados, que podem ser tanto pivôs com uma maior mobilidade quanto alas ofensivos, que conseguem desempenhar o papel do pivô. É tido como um esquema defensivo, já que mantém, todo o tempo, dois jogadores mais recuados, evitando assim o contra-ataque.

A tática 3-1 é a mais defensiva das quatro apresentadas, mantendo somente um atleta perto da linha central da quadra, que fica marcando o jogador com a bola – seja o zagueiro ou o goleiro. A aposta dessa tática, com esse jogador sozinho, é no contra-ataque rápido. Portanto, a jogada deve ser executada de maneira veloz, o que resulta em poucos toques na bola e chutes de média distância.

Formação 3 -1: Nessa tática, o pivô precisa proteger o franco, enquanto fica de olho no goleiro. O usual é permanecer entre os dois, para ter tempo de reagir

Formação 3 -1: Nessa tática, o pivô precisa proteger o franco, enquanto fica de olho no goleiro. O usual é permanecer entre os dois, para ter tempo de reagir


E, por último, o inverso da 3-1, com 3 jogadores de ataque e somente um fixo, cuja função maior é armar o jogo para os 3 membros da frente, que podem, muitas vezes, ficar em uma mesma linha. Essas duas táticas usualmente se complementam durante a partida: quando uma equipe se torna muito ofensiva, instintivamente a outra recua, formando uma equipe 3-1.

Formação 1 - 3, com o goleiro adiantado. Nessa tática, a rotação entre os jogadores é frequente.

Formação 1 – 3, com o goleiro adiantado. Nessa tática, a rotação entre os jogadores é frequente.


Como se pode perceber, as táticas do futsal são frequentemente alteradas durante a partida, mesmo que sem uma ordem explícita do treinador para que isso ocorra. Outra questão é que os ataques das equipes duram vários segundos, podendo chegar na casa dos minutos, só com troca de passes no campo adversário. Se não houver uma movimentação grande entre os atacantes, a marcação facilmente se encaixa, o que resulta na perda de bola ou na estagnação do ataque. É frequente vermos uma rotação em quadra dos jogadores, com os mesmos trocando de posição entre si para tentar confundir a marcação. A figura a seguir exemplifica a situação:

A marcação pode ser feita de duas maneiras, como no campo: homem a homem ou por zona. Na primeira, o jogador é responsável por marcar o adversário por toda a quadra. Na marcação por zona, o treinador delimita espaços e atribui um atleta por área. Com isso, o jogador não se prende a um determinado adversário, mas sim ao que estiver em sua área. A principal vantagem dessa abordagem, que é mais utilizada, é que elimina a necessidade do jogador se locomover pela quadra marcando alguém. Com isso, o fixo fica na sua posição certa, bem como os alas e o pivô.

Além disso, o local da quadra onde haverá uma marcação mais forte também influência no jogo. Por exemplo: quando o time precisa desesperadamente marcar, o treinador pode mandar seus jogadores pressionarem a saída de bola. Em outras situações, porém, para evitar um cansaço maior, pode-se compactuar a marcação, marcando somente em meia quadra. Com isso, os quatro jogadores de linha são separados por pequenos espaços, o que torna a marcação muito mais efetiva. Esse comportamento reforça a necessidade dos jogadores de ataque se rotacionarem.

É claro que estamos abordando uma questão puramente teórica, sem levar em consideração a habilidade individual, que pode, em um drible, ter a oportunidade do chute ou passar para o pivô concluir a jogada.

Os escanteios também podem ser muito importantes para definir o resultado de uma partida: se bem trabalhados, podem resultar em gol. Em caso de intercepção da defesa adversária, não é incomum pegar o time desarrumado, podendo marcar o gol por cobertura no goleiro, já que ele se torna opção de passe na linha central da quadra, ou aplicar um contra golpe letal. Falcão, camisa 12 da seleção, é famoso por esses gols. Vendo o goleiro adiantado, principalmente quando o arqueiro linha está em quadra, o jogador não titubeia e encobre o goleiro, que nada tem a fazer a não ser ver a bola morrer devagar, quase que pausadamente, no fundo do gol.

A figura a seguir demonstra, através das setas, opções de jogadas. O técnico pode instruir o cobrador qual delas realizar e indicá-la através de gritos e gestos com as mãos, ou o cobrador escolhe por si só e a executa. Nas laterais funciona de maneira semelhante, só mudando a organização defensiva. É primordial, em um escanteio, fechar aquela região onde os jogadores 3, 4 e 5 (do time listrado) estão, pois dali, pela curta distância, o chute é praticamente indefensável. Na maioria dos escanteios será visto essa formação triangular.

A principal preocupação da defesa é impedir que a bola seja tocada no meio da área.

A principal preocupação da defesa é impedir que a bola seja tocada no meio da área.


O futsal, como demonstrado, requer uma equipe muito bem treinada e com opções no banco que possam mudar o panorama da partida, seja por sua qualidade técnica ou pelas características diferentes daquelas em quadra, como maior mobilidade, maior poder ofensivo ou um exímio finalizador. É frequente vermos equipes vitoriosas mantendo suas bases por um bom tempo, só repondo uma ou duas peças do elenco entre um ano e outro. É o caso da ACBF, que mantém os mesmos atletas por 3 anos, enquanto adapta, lentamente, novas táticas que se enquadrem nas qualidades dos jogadores vindos do sub-20 ou recém-contratados.

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Gaúcho, colorado e estudante de Engenharia de Computação. Doente por futebol desde que se entende por gente. Joga futsal nas horas vagas. A cada dois jogos, uma lesão.