Onde deve ser feita a verdadeira renovação

  • por Leandro Lainetti
  • 7 Anos atrás

Quando falamos em Seleção Brasileira, atualmente, quase sempre colocamos a palavra “renovação” junto. Passaram-se três anos desde a Copa do Mundo da África do Sul e ainda estamos estagnados nessa palavrinha. Mano Menezes começou as mudanças e, quando tudo parecia se encaminhar, foi demitido. Felipão voltou ao selecionado nacional e não só cogitou o retorno de alguns medalhões, como transformou a hipótese em realidade. Kaká, Ronaldinho e Luiz Fabiano, por exemplo, já foram convocados.

Mas o assunto aqui não é se há a tão falada renovação ou não. A questão é: temos as peças necessárias para substituir a geração que saiu e a outra que acabou não entrando? Vale lembrar que, hoje, Neymar, Oscar e Lucas são os principais nomes da renovação e, mesmo assim, ainda não podem ser considerados soluções definitivas. Eles poderiam, sim, ser o complemento de um time liderado por Kaká, Ronaldinho e Adriano, jogadores que acabaram saindo de cena mais cedo do que todos esperavam. Os dois primeiros ainda jogam, mas muito abaixo daquilo que se esperava deles. Já o Imperador praticamente abandonou os campos, mesmo que ainda não tenha realmente anunciado a aposentadoria.

Neymar e Oscar tentarão provar em 2014 que é possível vencer uma Copa do Mundo mesmo tão jovens

Neymar e Oscar: ícones da renovação brasileira

Quando falamos nos três jovens, falamos em jogadores de ataque, ofensivos. É cultural, está em nossas raízes. Mas, e a cozinha, como fica? O principal problema do futebol brasileiro reside nas laterais. Simplesmente não temos mais, em nenhum dos lados. Não me esqueci de Marcelo, Daniel Alves, Rafael, Filipi Luis, entre outros. Embora sejam bons laterais, não chegam ao nível dos antecessores. Talvez o fato de Cafú e Roberto Carlos terem reinado por tanto tempo nos lados do campo fez com que esquecêssemos de criar outros laterais. E isso vale para o meio-campo e ataque também, onde até temos bons valores, mas não com a mesma abundância de outros tempos.

A velha máxima de que “no Brasil os craques aparecem naturalmente” está cada vez mais ultrapassada. Ainda temos a ginga, habilidade, o talento, o improviso, mas se apegar a isso é muito amador. Tanto a CBF quanto os clubes precisam olhar para a base com outro pensamento. A entidade, por exemplo, poderia criar melhores mecanismos de observação e até treinamento para as seleções de categorias inferiores. E os clubes, formadores que são, ou deveriam ser, têm que esquecer os títulos e focar na produção. Título é para os profissionais. Na base, título é revelar um jogador que sirva ao plantel principal.

Se o atual panorama persistir vamos continuar revelando jogadores, mas cada vez menos preparados e em menor quantidade. Antes de pensar nas mudanças em cima, é preciso olhar para baixo. Com as categorias de base modificadas, a renovação não será objetivo e, sim, consequência.

Comentários

Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.