Portsmouth: no fundo do poço, mas com esperança renovada

  • por Levy Guimarães
  • 7 Anos atrás
Foto: reprodução

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Poucos times na história do futebol sofreram uma queda tão vertiginosa em um curto espaço de tempo como o Portsmouth, tradicional clube inglês. Após a histórica conquista da FA Cup na temporada 2007/2008, o clube passou a viver o período mais negro de sua história: rebaixado para a segunda divisão em 2010, para a terceira no ano passado e, neste mês, foi confirmada a queda para a quarta divisão. Atolado em dívidas, administrado pela Justiça inglesa e correndo risco de extinção, o clube parecia não ter esperança para se reerguer. Mas ela veio no último fim de semana: agora, quem manda no Portsmouth são os seus torcedores. Literalmente.

Tudo começou na época em que o clube era administrado pelo russo Alexandre Gaydamak, um período vitorioso e de ascensão em que o Portsmouth tinha um time forte, com jogadores conhecidos, como Sol Campbell, Muntari, Jermain Defoe e Milan Baros. Venceu a FA Cup na temporada 2007/2008 e disputou a Copa da UEFA em 2008/2009, quando chegou à fase de grupos. Apesar da boa fase dentro de campo, o Pompey começava a contrair dívidas e perder jogadores importantes, como Defoe e Lassana Diarra. Ainda no meio da temporada, Gaydamak anunciou que não investiria mais no clube e venderia agremiação a outro magnata. Isso se refletiu na performance ruim do time na segunda parte da temporada, quando chegou a estar ameaçado de rebaixamento. Porém, graças a uma reação nas rodadas finais, terminou na 14ª posição. Mas mesmo assim a desconfiança começava a rondar os torcedores.

O clube foi vendido em agosto de 2009 a um empresário dos Emirados Árabes, Sulaiman Al Fahin, que chegou prometendo montar times fortes e fazer o Pompey sonhar alto. Mas a ilusão durou pouco. Os problemas financeiros eram maiores do que Al Fahin imaginava e o clube já tinha dificuldades para pagar suas contas. Com um elenco bem mais limitado do que nas temporadas anteriores, o começo de campeonato foi terrível, com a equipe figurando desde as primeiras rodadas na lanterna da Premier League. Desde outubro não conseguia mais pagar em dia os jogadores.

O clube mudou de mãos mais três vezes só naquela temporada: foi comprado por outro magnata do Oriente Médio, em dezembro, e por um empresário de Hong Kong, Balram Chainrai, em fevereiro de 2010. Até que em março o clube entrou em concordata. Com uma dívida de 135 milhões de libras e administrado pela Justiça, o time perdeu 10 pontos no Campeonato Inglês por não conseguir arcar com as despesas. Era a concretização do rebaixamento para a League Championship, a segunda divisão. A torcida ainda teria um último momento de alegria e orgulho: mesmo rebaixado e praticamente falido, chegou mais uma vez à final da FA Cup e por pouco não derrotou o Chelsea na decisão.

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Foto: reprodução – Balram Chainrai, que colocou o time em concordata

O começo na Championship foi complicado. Além da crise financeira, o Pompey contava com um elenco de não mais que 14 jogadores para um campeonato de 46 rodadas. Ainda assim, sob administração judicial, conseguiu manter alguns de seus principais atletas e se manteve na segundona, terminando em 16º lugar. Mas na temporada 2011/2012, o clube não escapou. O início até foi promissor, com o Portsmouth saindo da concordata e sendo adquirido pelo grupo Convers Sports Iniciatives. Porém, foi apenas um pequeno alívio no pesadelo vivido pelo clube: o dono do CSI foi preso acusado de crimes fiscais e o grupo entrou em falência em novembro de 2011. Três meses depois, o Pompey voltava a ser controlado pela Justiça e a perder 10 pontos na tabela. Brigando contra o rebaixamento desde o início da temporada, foi inevitável a queda para a League One, a terceira divisão.

Foto: Reuters - Imagem ironizando a situação do Portsmouth em concordata

Foto: Reuters – Imagem ironizando a situação do Portsmouth em concordata

Na League One, é como se desde o início da competição a torcida já soubesse da colocação final do time, que já começou a disputa com 10 pontos negativos e tendo que remontar o seu elenco do zero. Com uma campanha semelhante à que fazia na temporada anterior pela Championship, o Pompey caminhava a passos largos para mais um rebaixamento. Enquanto isso, uma movimentação dos torcedores do clube começava a ganhar destaque: o Pompey Supporters Trust, fundo criado por torcedores do Portsmouth para comprar o time e salvá-lo da falência. E o sonho desses torcedores, três anos e meio após a criação do PST, tornou-se realidade. Primeiro com a compra do estádio Fratton Park, no último dia 11 de abril.

Dias depois, veio a confirmação do rebaixamento para a League Two, a quarta divisão. Mas a reação nas arquibancadas do Fratton Park era de euforia. Não só pela vitória por 3×0 sobre o Sheffield United (que em nada mudou os rumos do time no campeonato), mas pela notícia que todos esperavam: enfim, o fundo dos torcedores concluía a compra do clube.

Agora, o Portsmouth será presidido por Ian McInnes, um empresário local. Os desafios pela frente não serão nada fáceis: fazer a reabilitação financeira do clube e voltar a montar times competitivos a fim de, no futuro, retornar à Premier League. Mas de uma coisa o torcedor tem certeza: o clube não será mais tratado como uma mera posse por um empresário qualquer. Está nas mãos de quem verdadeiramente o ama e, mais do que nunca, jogará junto dele. O sentimento pode ser resumido na fala de McInnes, após a compra do Fratton Park:

“Chorei no tribunal, pois é um dia fantástico para o clube. Sempre acreditei que conseguiríamos. Tem sido meu trabalho manter todos unidos neste ideal. Tudo isso é pelos torcedores que sofreram durante estes anos e que não terão mais essa tristeza. Subestimaram-nos, mas aqui estamos para provar que nossa união valeu a pena. Ganhamos a guerra, agora temos de conquistar a paz”.

Foto: reprodução - Torcedores festejam compra do clube pelo PST na vitória sobre o Sheffield

Foto: reprodução – Torcedores festejam compra do clube pelo PST na vitória sobre o Sheffield

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.