Pré-Jogo: Málaga x Borussia Dortmund

  • por Vicente Freitas
  • 7 Anos atrás

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MÁLAGA (por Igor Fonseca)

14 de Março de 2013 foi um dia histórico para uma fanática torcida de uma cidade ao sul da Espanha. Nesse dia, o Málaga CF venceu o Porto por 2×0 e avançou às quartas de final da Liga dos Campeões da atual temporada.

Em meados de 2010, o clube foi comprado pelo sheik Abdullah Al Thani, bilionário do Qatar. Até então, o Málaga era um clube de pretensões modestas na Espanha, tendo como alvo permanecer na primeira divisão. Mas após a chegada do sheik, o clube abriu os cofres e trouxe, de uma só vez, jogadores como Demichelis, Nistelrooy, Mathijsen, Toulalan, Cazorla, Joaquin e Isco, além de vários outros menos importantes, todos para a disputa da temporada 2011/12. Para comandar esse time, a aposta foi na manutenção de Manuel Pellegrini. A equipe oscilou em toda temporada, chegando a ficar 6 jogos invicta na no Campeonato Espanhol (5 vitórias e 1 empate entre a 25º e a 30º rodadas) e seis jogos sem vitória (4 derrotas e 2 empates entre a 15º e a 20º rodadas). Mas mesmo assim terminou em 4º lugar no campeonato, garantindo uma vaga para a Liga dos Campeões.

O time, no começo da temporada, se reforçou com jogadores como Saviola e Roque Santa Cruz e era visto como azarão.

No começo da atual temporada, a equipe teve problemas financeiros e por causa disso perdeu importantes peças, como Santi Cazorla e Rondon (artilheiro da temporada 11/12). Para o lugar desses, a equipe trouxe jogadores como Saviola e Roque Santa Cruz.

Como o adversário na última rodada de play-offs era o Panathinaikos, a equipe consegui tranquila classificação à fase de grupos, vencendo o jogo de ida por 2×0 e empatando a volta em 0x0. O time espanhol caiu no grupo do Milan, Zenit e Anderlecht e todas as apostas eram no sentido do time brigar com a equipe da Bélgica pela vaga na Liga Europa, com Milan e Zenit avançando ao mata-mata. Porém, dentro do campo, a história foi outra e o Málaga avançou com 12 pontos conquistados, sem nenhuma derrota na fase de grupos, conquistando 3 empates e 3 vitórias. O triunfo mais contundente foi um 3×0 sobre o Zenit, na estreia das equipes na Liga dos Campeões.



Convém lembrar também da vitória por 3×0 sobre o Anderlecht, em partida disputada na Bélgica.



Após passar pela primeira fase de forma tranquila, o time de Pellegrini ainda encontrou forças para aumentar a crise do Madrid na época, vencendo a equipe de Mourinho por 3×2 no Estádio La Rosaleda, em grande atuação de Isco e Roque Santa Cruz.



Após três confrontos contra o Barcelona em curto espaço de tempo (1 pelo Campeonato Espanhol, 2 pela Copa do Rei), a equipe ficou quatro jogos invicta na Liga e encarou o Porto em jogo fora de casa. A equipe portuguesa venceu por 1×0, dominando completamente as ações. O placar saiu até barato para o time espanhol. Por não ter marcado fora de casa, todos apostavam contra o Malaga no jogo da volta, já que o Porto possui um grande ataque e a expectativa era de marcar pelo menos um golzinho no jogo disputado na Espanha. Mas a equipe espanhola não deu a menor chance ao time do Porto e venceu por 2×0, com mais uma grande atuação de Isco.



No Campeonato Espanhol, a equipe está em 6º lugar com 44 pontos, 3 a menos que a Real Sociedad, que ocupa a última vaga para a Liga dos Campeões. Além de Real Sociedad e Málaga, Valencia e Betis também disputam a última vaga para o torneio europeu, já que é cada vez menos provável que Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid deixem as três primeiras posições na tabela.

O time de Pellegrini ainda aguarda definição sobre sua suspensão de competições da Europa, em virtude da aplicação do fair play financeiro. As cotas que a equipe conquistou por disputar a Liga dos Campeões estão bloqueadas.

Dentro de campo, o trabalho de Pellegrini consiste em armar a equipe no 4-2-3-1.

O esquema tático é baseado na forte marcação no meio, setor em que todos os jogadores têm grandes atribuições defensivas, além da manutenção da posse de bola e saída rápida para o contra ataque, graças à grande capacidade de saída de bola dos volantes Toulalan e Camacho, a velocidade de Joaquin e Eliseu e a técnica de Isco. A equipe marcou 14 gols até agora na Liga dos Campeões, sendo Eliseu o artilheiro, com 4 gols marcados na competição. No Campeonato Espanhol, foram 38 gols, com Isco como artilheiro, com 8 gols, seguido por Saviola com 7 e Santa Cruz com 5.

Como podemos ver nos números, a equipe não tem um artilheiro que concentra o número de gols (Isco é o artilheiro da temporada, com 10), mostrando um lado positivo de vários poderem decidir partidas quando determinado jogador não está bem. Mas também tem o aspecto negativo. Com apenas um gol marcado nos últimos quatro jogos da Liga BBVA – derrota de 3×0 para o Bétis, 0x0 Atlético de Madrid, 1×1 com o Valladolid e derrota de 2×0 para o Espanyol – a falta de um centroavante se faz sentir. Tais resultados ruins derrubaram o clube da Andaluzia para a sexta posição no campeonato. O que alenta os torcedores é que a equipe de Pellegrini já passou por outra fase ruim dentro da competição e depois conseguiu se recuperar. Mas dessa vez será um pouco mais difícil, tendo em vista que, na sequência do campeonato, a equipe irá jogar fora de casa contra Real Sociedad, Valencia, Real Madrid e Barcelona.

Provável formação: (4-2-3-1) – Caballero; Gámez, Demichelis, Weligton e Antunes; Toulalan, Camacho (Iturra); Joaquín, Júlio Baptista e Isco; Santa Cruz.

 

BORUSSIA DORTMUND (por Vicente Freitas)

A nada fácil jornada do Borussia Dortmund na UEFA Champions League 2012/2013 começou já no sorteio dos grupos, já que o clube foi parar no Grupo D, o grupo da morte, que contava apenas com campeões nacionais da Inglaterra (Manchester City), Espanha (Real Madrid) e Holanda (Ajax). O retrospecto aurinegro na última liga continental, quando ficou com a lanterna de um grupo relativamente fraco, composto por Arsenal, Olympique Marseille e Olimpiacos, o que não dava respaldo a sonhos muito ousados, pois os oponentes de agora eram muito mais qualificados.

No entanto, nada melhor que o tempo e um jogo após o outro para demonstrar que um bicampeonato nacional de um país como a Alemanha não é fogo de palha. Após a saída de Shinji Kagawa, peça fundamental no meio-de-campo e vetor criativo do time germânico, o Borussia Dortmund se reforçou com umas das pérolas da nova geração do futebol alemão: Marco Reus. O investimento se mostrou acertadíssimo, pois em menos de uma temporada, o meia-atacante se adequou perfeitamente ao estilo de jogo da equipe liderada por Jürgen Klopp.

Outro fator que veio a calhar para a evolução futebolística do clube amarelo: a incrível evolução técnica de Gündogan e Lewandowski na última temporada. O turco-germânico assumiu a posição de segundo volante, ao lado do capitão Kehl ou de Lars Bender, jogadores de contenção, e cresceu absurdamente em qualidade de distribuição de bola e passes precisos, ligando a defesa ao ataque com muita perícia, além de fechar bem os espaços e marcar bem quando em suas funções defensivas.

Já o polonês foi de uma incrível máquina de perder gols desengonçada para o patamar de um dos “camisas 9” mais cobiçados do planeta bola. Marcando gols e mais gols na Bundesliga desde do ano passado, o atacante é também um dos melhores pivôs da atualidade, função que propicia inúmeras chances de gol aos jogadores que vêm de trás, como os já citados Réus e Gündogan e o “geniozinho criativo” Mario Götze.

Götze que é o outro importante elemento desse jovem e talentoso time. O potencial criativo nas suas assistências para gol e a habilidade notável nos dribles lhe renderam o apelido de “Götzinho”, em analogia a “Ronaldinho”.

A CAMPANHA

Com o impacto inicial do sorteio passado, era hora da estreia contra o Ajax. Jogo tenso, travado, parecia que o filme do vexame da UCL anterior ia se repetir. Um 0x0 se arrastava, com direito a pênalti perdido por Hummels no primeiro tempo, até que, aos 42 minutos do segundo tempo, a Muralha Amarela explodiu com o gol do polonês Robert Lewandowski. 1×0 e a agonia da estreia estava superada.

Na segunda rodada, era hora de enfrentar o campeão inglês, o “new rich” Manchester City, com seu elenco recheado de super-estrelas, no Reino Unido. O primeiro teste de fogo. Empate em 1×1, num belo jogo, com muitas chances para ambos os lados, sendo o gol do City marcado nos acréscimos, por Balotelli, num pênalti bastante controverso. O gol borussiano foi de Reus.

A hora da verdade era chegada, o poderoso Real Madrid era o oponente da vez. Jogo duro no Signal Iduna Park, dificílimo, quando Pepe errou um recuo de bola e Lewandowski ficou na cara de Casillas para marcar 1×0. Os Merengues empataram quase que imediatamente com o gajo Cristiano Ronaldo encobrindo Weidenfeller, com um toque sutil, após belo lançamento de Özil. No segundo tempo, o lateral-esquerdo Marcel Schmelzer enlouqueceu a torcida westfaliana ao pegar de primeira bola rebatida por Iker Casillas, fazendo 2×1 para a jovem equipe alemã.

Era tempo dos jogos de volta e muita gente dizia que em Madrid o time alemão ia levar um “sacode”. Mas, novamente, o que se viu foi uma equipe impetuosa e buscando o gol, sem se intimidar diante do Santiago Bernabéu lotado e com a qualificada equipe montada por José Mourinho. Essa disposição rendeu a abertura do placar no belo gol de Marco Reus. Pouco depois, Pepe empatou de cabeça, numa bola alçada à área. Ainda no primeiro tempo, Mario Götze dividiu bola com Arbeloa e marcou (as estáticas bizarramente computaram gol contra do defensor espanhol). 2 x 1 no placar e o BVB caminhava para uma histórica vitória sobre o time madrilenho, em pleno solo espanhol. Mas um gol de falta de Mesut Özil, nos acréscimos, selou o empate: 2×2.

O próximo embate seria contra o Ajax, em Amsterdam, e os comandados de Klopp não deram oxigênio aos vizinhos holandeses. O resultado: 4×1 na Arena de Amsterdam. Gols de Reus, Götze e Lewandowski (2).

Com o empate entre Real Madrid e Manchester City por 1×1, o Borussia Dortmund, com 11 pontos, já havia assegurado, não somente a classificação, mas o 1º lugar do grupo. Podendo ser alcançado em pontos pelo Real Madrid, o critério do confronto direto era favorável ao clube alemão. A surpreendente classificação antecipada permitiu a Jürgen Klopp dar-se ao luxo de escalar um “mistão” contra o Manchester City. Mesmo assim, manteve os 100% de aproveitamento jogando dentro de casa. 1×0, gol de Schieber.

 

Classificado em na ponta do Grupo D, o BVB enfrentaria, nas oitavas-de-final, o bom time do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. O primeiro jogo ocorreu no país eslavo e terminou com um suado empate por 2×2, gols de Lewandowski e Hummels para o lado amarelo e Srna e Douglas Costa para o time laranja. Já na partida da volta, os aurinegros venceram de maneira fácil por 3×0, assegurando seu lugar nas quartas-de-final.

Após passar de maneira até surpreendentemente tranqüila pelo clube ucraniano, ao Borussia Dortmund caberá enfrentar o Málaga na próxima fase do interclubes europeu. Confronto que foi encarado como um alívio, já que depois de confrontos tão difíceis na campanha, pegar um Bayern, Barcelona ou Real Madrid já nas quartas seria mais pesado.

O MOMENTO

A atual situação do Borussia Dortmund é positiva. Apesar de não ter mais a menor chance de título na Bundesliga (o título já é virtualmente do Bayern München), o BVB tem tudo para ficar com o vice-campeonato e assegurar vaga para a UCL 2013/2014. Apesar de ter perdido novamente o clássico conta o Schalke 04 por 2×1, o time vem de convincente vitória por 5×1 sobre o Freiburg, com gols de Lewandowsky (2), Sahin (2) e Bittencourt.

No intervalo entre as fases dos campeonatos de clubes europeus, houve jogos da Alemanha pelas eliminatórias para a Copa do Mundo do Brasil: duas partidas contra o Cazaquistão, e duas fáceis vitórias germânicas, especialmente no mais recente jogo em Nuremberg: vitória por 4×1 com todos os tentos marcados por jogadores borussianos: Reus (2), Götze e Gündogan, o que demonstra a solidez desse conjunto.

No seu mais recente jogo da Bundesliga, o atual bicampeão alemão, já sem o tricampeonato no horizonte – pois o Bayern München faz uma campanha ridiculamente absurda e lidera com 20 pontos de vantagem – jogou o necessário para bater o Stuttgart fora de casa, pelo placar de 2×1, com “aquela ajudinha” dos poloneses, já que foram os gols de Piszczek e Lewandowski que decretaram a vitória aurinegra. Com a vitória, o Borussia abriu quatro pontos de vantagem em relação ao Bayer Leverkusen na luta pelo o vice-campeonato, que garante vaga direta na fase de grupos da próxima UEFA Champions League.

Para um de seus mais importantes confrontos dos últimos anos em sua história recente, o BVB deverá alinhar-se com Weidenfeller; Piszczek, Subotic, Santana e Bender (?); Kehl, Gündogan; Błaszczykowski, Götze, Reus e Lewandowski. As grandes baixas serão o zagueiro Mats Hummels, lesionado, dando vaga ao imponderável Felipe Santana, e o lateral Schmelzer, que fraturou o nariz após jogada, no mínimo, cretina no último sábado. Essa pode ser uma questão que deve deixar o treinador alemão com mais cabelos brancos, já que o BVB 09 não tem em seu elenco um outro lateral-esquerdo. A solução deve ser um improviso na posição, talvez com o volante Bender.

Provável formação: (4-2-3-1) – Weidenfeller; Piszczek, Subotic, Santana e Bender (?); Kehl, Gündogan; Błaszczykowski, Götze, Reus e Lewandowski

Uefa Champions League – Quartas de final

Data: 03/04/2013

Horário: 15:45

Estádio: La Rosaleda

Transmissão: ESPN  e ESPN +

Comentários

Pernambucano. Formado em Direito, pela UFPE. “Sofredor” do Santa Cruz FC e apaixonado pelos Aurinegros de Dortmund, acompanha o Tottenham Hotspurs na Premier League. Germanófilo e Eslavófilo, apesar de não saber nada em alemão, muito menos em russo, tcheco ou polonês. Entende que o futebol perfeito seria uma mistura de verticalidade e disciplina tática alemã, técnica e elegância argentina e raça uruguaia. É fã de Nedved, Pirlo, Zidane, Romário, Kahn, Messi. Tem raiva de não ter visto Puskas, Heleno de Freitas, Cruyff, Pelé, Maradona, Sammer e nem Beckenbauer jogar.