São Jorge e Corinthians

  • por Caio Araújo
  • 5 Anos atrás

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Corinthians carrega um estigma de time lutador, guerreiro e perseverante. Características também atribuídas ao seu Santo padroeiro, São Jorge. Apesar das semelhanças, não foi essa a razão para começarem a associar o Santo ao clube, mas sim uma obra do destino.

Em 1928, o então emergente clube municipal Corinthians adquiriu sua própria sede. O terreno ficava no extinto Parque São Jorge, no Tatuapé. Apesar de o parque ter acabado, o nome ainda permaneceu. E o clube resolveu adotar o Santo Guerreiro como parte de sua história.

Essa versão da sede, porém, não é totalmente aceita. Segundo Monsenhor Beltrame, responsável pela capela do clube até 2001, São Jorge era padroeiro do Corinthian Football Club, equipe inglesa que inspirou a fundação do Sport Club Corinthians Paulista.

A imagem do Santo começou a ganhar muita força no clube na época do jejum de títulos entre 1954 e 1977. Sem conseguir levantar uma taça, os corintianos começaram a recorrer a São Jorge. E uma capela em homenagem ao Santo foi erguida no clube, aumentando esse vínculo.

Foto: Cida Souza - Capela construída no clube e protegida por São Jorge

Foto: Cida Souza – Capela construída no clube e protegida por São Jorge

Um dos fatos mais tristes da história do Corinthians acabou sendo registrado na capela, em 1969. Dois jogadores promissores, Eduardo e Lidu, sofreram um acidente fatal de carro e foram velados em frente ao altar de São Jorge. Esse triste capítulo também acabou ajudando a reforçar a identificação entre os corintianos e o santo.

O desespero por um título aumentava a cada ano que passava. Em um desses momentos de agonia profunda, após a derrota para o Palmeiras no Paulista de 1974, o compositor Paulinho Nogueira acabou lançando uma música chamada “Ai Corinthians” em que São Jorge era citado nos seus versos:
“…Oh, são 20 anos de espera. Mas meu São Jorge me dê forças, para poder um dia enfim, descontar meu sofrimento em quem riu de mim”.

Mesmo com o fim do jejum em 1977, a torcida não abandonou São Jorge. O Santo, inclusive, foi enredo da Gaviões da Fiel, no Carnaval de 1991.

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