São Paulo e Ney Franco à beira do caos

  • por Bráulio Silva
  • 7 Anos atrás

caos2

Tempos atrás, Ney Franco era um dos convidados do programa “Bem, Amigos!”, do canal por assinatura Sportv. Em vez de comentar o futebol, o treinador lá estava para falar de seu hobby de cantar. Com uma banda formada por amigos, Ney Franco cantou a canção “Tava na beira do caos”.

O resultado do jogo da última quinta, aproximou ainda mais o São Paulo da beira do caos, que seria uma eliminação precoce na Libertadores. Competição preferida de dez entre dez torcedores do time, a provável eliminação certamente trará uma caça às bruxas ao elenco. Ainda mais com jogadores qualificados como Jádson, Ganso e Luís Fabiano.

Situação inimaginável para o São Paulo que, há cinco anos, era considerado um exemplo de organização, de estrutura e que era o maior vencedor do futebol brasileiro. Mas parece que a diretoria parou no tempo. E aqui vamos elencar os motivos que levam o São Paulo a essa crise.

* GOLPE DO JUJU

caos1

Juvenal Juvêncio sempre foi ótimo dirigente. Falando a língua do boleiro, como diretor, conquistou muitos títulos e trouxe bons atletas para o clube. Juvenal foi diretor do São Paulo entre 1984 e 1987 e entre 2003 e 2006. Em ambas as situações, ele assumiu a presidência do clube na sequência. No primeiro mandato, conseguiu formar um dos piores times da história do São Paulo, que fez campanha pífia durante o Paulistão de 90. Conseguiu também o vice-campeonato brasileiro em duas oportunidades.

No segundo mandato, conquistou três títulos brasileiros, mas mudou o estatuto do clube, o que gerou críticas de diversos lados. Após o tricampeonato, se acomodou. Centralizador ao extremo, está fechando as portas para diversos aliados. E ao se “perpetuar” no poder, fez exatamente o que sempre foi criticado nos rivais com os nefastos Mustafá Contursi (Palmeiras), Alberto Dualib (Corinthians) e Marcelo Teixeira (Santos)

* INDISCIPLINA

caos3

Quando surge o assunto indisciplina no São Paulo, o nome que vem à mente é sempre o mesmo. Luís Fabiano. Até texto aqui (http://www.doentesporfutebol.com.br/2012/12/11/fabuloso-e-suas-expulsoes/) na DPF ele já teve. Em 2013 não está sendo diferente. Os gols estão vindo em quantidade. Mas a expulsão diante do Arsenal, após a partida, fez com que todo o seu histórico viesse à tona. De fora dos últimos jogos, por culpa única e exclusiva dele, o artilheiro mostrou-se desapontado com seu próprio comportamento.

Mas nem só o atacante trouxe problemas para Ney Franco. Ano passado, Rogério bateu de frente com o técnico ao discordar de uma substituição. Em 2013, Ney já teve problemas com Ganso, após uma alteração no clássico diante do Palmeiras, e com Lúcio, que reclamou ao ser sacado do jogo diante do Arsenal. E, desde então, perdeu lugar entre os titulares.

* INDEFINIÇÃO NO SISTEMA DE JOGO

O São Paulo terminou o ano passado praticando um futebol de encher os olhos. Com três atacantes, sendo Lucas o principal deles, Ney Franco achou a formação ideal para o time que terminou o ano como campeão da Sul-Americana e com a melhor campanha no 2º turno do Brasileirão. Mas Lucas foi vendido e o treinador entrou em parafuso.

Na temporada, o esquema variou entre o 4-2-3-1 e o 4-4-2. Mas o time chegou a jogar no 3-5-2 também. A incerteza do esquema a ser utilizado traz problemas de entrosamento ao time. Embora as melhores partidas tenham sido realizadas no 4-4-2.

* EXPECTATIVA PRO FUTURO

pj2

Rogério está prestes a se aposentar. Muitos no clube não parecem confiar no reserva imediato, Dênis. O time não tem um lateral direito de ofício. Os volantes não acertam um passe de mais de dois metros, além de pecarem na marcação. Principalmente quando jogam Denílson e Maicon. Ganso ainda não está 100%. Lúcio chegou e, depois da briga, não atuou mais com os titulares. Cortez, quando acertou o último cruzamento, o Papa ainda era Bento XVI. Edson Silva e Carleto não inspiram confiança.

E assim segue o time que foi exemplo de administração, que teve várias conquistas sob o mesmo esquema, que prezava pela disciplina… Jogando o ano de 2013 na lata de lixo, ainda no mês de abril. Em 2014, Juvenal sairá do comando e o goleiro também largará o osso. Quem sabe, com nova administração, o time consiga retomar as glórias de tempos nem tão distantes assim.

Comentários

Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.