Seedorf – 37 de anos de sabedoria

  • por José Eduardo Volpini
  • 6 Anos atrás

A especulação de Seedorf no Botafogo trouxe consigo a desconfiança de todos. Seria mais um sonho de clube brasileiro. Algo utópico, que só faria a equipe passar vergonha por almejar algo tão irreal.

Ronaldinho e Seedorf comemoram tento. Foto: Zimbio.

Ronaldinho e Seedorf comemoram tento. Foto: Zimbio.

O meia era citado também no Corinthians, que tinha maior visibilidade e o apoio de Ronaldo. Porém, Seedorf não é um jogador qualquer. Não escolheu o clube mais fácil para vencer. Queria finalmente morar no Rio de Janeiro com sua esposa, que nasceu no país, e também mostrar que podia render e mudar um pouco a estrutura do nosso futebol.

“Ele mostrou o melhor posicionamento. Eu estava dando muito vacilo na marcação. Ele sabe muita coisa. A pegada foi muito grande” Iam, jogador da categoria de base do Nova Iguaçu.

“Por ele ser meia e eu também, ele passou mais o posicionamento, o espaço que tenho que ocupar em campo. Ele me disse que para ser um meia tem que ter muita responsabilidade. É do meia que sai todas as jogadas, mas também disse que com o tempo a gente aprende tudo que a gente deseja.”Wellington, jogador do clube carioca.

“Acredito que Seedorf teve maior continuidade na Europa, mais anos em primeiro nível. Jogou em equipes de ponta, como Real Madrid, Milan e Inter. É um exemplo de profissionalidade e aguentou um nível físico muito exigente, até depois de 35 anos.” Massimo Basile, editor do Corriere dello Sport ao Lance.

Não podemos ignorar o fato dele receber uma quantia alta. Poderia conseguir mais em outros lugares. Chegou no Botafogo com sua idade avançada, mas com conceitos inovadores – ou pelo menos atípicos no futebol brasileiro, como a marcação durante o tempo inteiro e feita por todos os jogadores da equipe, algo que é muitas vezes ignorado pelo status de certos profissionais e de até alguns que não possuem tal moral para exigir algo. Também busca um maior contato com o clube e o grupo, envia email para os jogadores e diretoria, argumenta com as peças importantes, como Jéfferson, e passa um pouco do seu aprendizado para os outros. Mostra simplicidade e dá opiniões construtivas ao falar com o técnico Oswaldo de Oliveira:

– Esse rapaz a cada dia que passa demonstra um espírito de equipe que é muito difícil de encontrar. Você pode encontrar em jogadores brasileiros que saíram de lugares humildes. Mas o Seedorf é campeoníssimo, ele muito bem podia ter pedido para ficar de fora. Mas ele falou quero ir lá, quero jogar, quero dar sequencia ao trabalho. Faz ele crescer muito. No meu conceito e no grupo todo contou o treinador.

-Tenho uma sintonia muito grande com o Seedorf. A gente conversa muito e ele mesmo tem essa sensibilidade. É um cara que abrange o jogo todo, que conversa o jogo todo, um jogador muito importante para o Botafogo”

O jogador acompanha do reservas jogo do Campeonato Carioca. Foto: Guilherme Pinto

O jogador acompanha do reservas jogo do Campeonato Carioca. Foto: Guilherme Pinto

E já não bastasse esse suporte fora de campo, ainda mostra uma atitude totalmente contrária a dos grandes nomes do futebol daqui. Pega ônibus, anda de bicicleta, possui um carro no valor aproximado de 40 mil reais e atende os fãs e imprensa de forma solícita. Para finalizar, não podemos esquecer sua história e seu grande futebol, muitas vezes deixado de lado por suas atitudes diferenciadas. O jogador já foi campeão três vezes da Uefa Champions League por equipes diferentes (Ajax, Real Madrid e Milan). Conquistou também o Mundial de Clubes, o Campeonato Espanhol, o Italiano e o Holandês. Defendeu a equipe da Holanda por muito tempo, mesmo tendo nascido no Suriname.

Seedorf em jogo contra o Cagliari. Foto: Fabrizio Forte

Seedorf em jogo contra o Cagliari. Foto: Fabrizio Forte

Quem acompanha o futebol europeu nas últimas décadas sabe de sua importância. Seus lampejos e grandes momentos são mais vivos pela passagem no Milan, onde atuou com Kaká, Shevchenko, Pirlo, Maldini e Nesta, em uma equipe sensacional dirigida por Carlo Ancelotti. Foi essencial na última conquista internacional do clube, quando deu suporte ao camisa 22 do clube de Milão e foi peça importante novamente no final do ano, diante do Boca Juniors.

Parabéns ao jogador pelos 37 anos. Atuações e gols memoráveis, e o mais importante: uma atitude fora dos gramados que não pode ser ignorada.

“O que mais me chamou a atenção foi a humildade. Ele ficou duas horas de pé em um sol muito quente. Esse cara é um mensageiro mesmo”, Jânio Moraes, presidente do Nova Iguaçu.

 “Ele gosta muito de ouvir o que você tem a falar. Não é aquele cara que, por tudo que conquistou, se mostra arrogante. Pelo contrário. É muito humilde. Perguntaram bastante sobre as dificuldades que ele teve na carreira, na base. Ele disse que foi difícil, mas frisou que, além do futebol, ele sempre levou a sério o estudo, que os estudos têm que estar sempre em primeiro lugar”” Daniel Barboza, técnico das categorias de base do clube.

O jogador mostra sua classe no Engenhão.

O jogador mostra sua classe no Engenhão.

Confira algumas matérias e fontes sobre o especial do craque:

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