“Tá no barbante!”

  • por Lucas Amaral Nunes
  • 8 Anos atrás

Os jargões e bordões do futebol brasileiro

“Errrrgue o braço e aponta o juiz!” Os jargões e expressões sempre foram característicos em transmissões do meio esportivo. Alguns são lendários e foram incorporados ao linguajar cotidiano, outros, mesmo sendo utilizados apenas uma vez, transformam-se em marcos. Relembre algumas das expressões mais importantes e populares que já figuraram na rádio e televisão brasileiros.

O narrador da Bandeirantes também é lembrado pelo bom humor

O narrador da Bandeirantes também é lembrado pelo bom humor

Considerado um dos melhores narradores de todos os tempos, Sílvio Luiz, hoje na Bandeirantes, sempre se destacou na autoria de frases que levam o público ao delírio. No início de suas transmissões, transformou em clichê a frase “acerte o seu aí que eu arredondo o meu aqui”. O gol, momento tão esperado em um jogo de futebol, ficou marcado pelo “olho no lance!” que ele solta a cada jogada com chances de finalização. Após a concretização, vem sempre o “foi foi foi foi foi foi ele… o craque da camisa número (numeração da camisa do jogador)”. Em momentos não tão agradáveis, como falhas técnicas, o inevitável “pelo amor dos meus filhinhos, o que é que eu vou dizer lá em casa?” é típico. Além desses, outros bordões como “pelas barbas do profeta”, “foi ali na orelhinha da girafa”, “pode mandar o charuto daí” o consagraram como um gênio da locução esportiva.

Galvão Bueno, da  Rede Globo, é um dos mais famosos narradores brasileiros

Galvão Bueno, da Rede Globo, é um dos mais famosos narradores brasileiros

Quem nunca se alegrou ao assistir à televisão e ser recepcionado pelo tradicional “bem, amigos da Rede Globo” (que mais tarde viraria até nome de programa)? Pois é, Galvão Bueno é um ícone entre os narradores, com uma série infindável de jargões. Na estreia de Ronaldinho Gaúcho pela seleção, após um lance de plasticidade do atleta, o “olha o que ele fez!” repetido por três vezes ficou famoso entre os torcedores. E todos devem se lembrar, durante a Copa do Mundo de 1994, do “sai que é sua, Taffarel” gritado sempre que o goleiro fazia alguma defesa. Outras expressões próprias dele e muito conhecidas são “pode isso, Arnaldo?” e “haja coração, amigos”.

Você provavelmente já escutou alguém utilizando a expressão “que faaaase!” no dia a dia. Ela é parte do peculiar repertório de Milton Leite, um dos maiores narradores da atualidade. Também dele, os debochados “que beleza” e “agora eu si consagro” se tornaram partes integrantes da cultura jovem. Até mesmo o “méu Déus” (assim mesmo, com acentuação esdrúxula) que ele solta em lances falhas grotescas já caiu no gosto dos populares. Além disso, suas improvisações são também das mais criativas e interessantes. Em um jogo da seleção holandesa, por exemplo, soltou a frase “bola pro Mathijsen que o jogo é de campeonatijsen”. Na mesma partida, disse que a Holanda tinha “Van Bommel, Van Persie, Van Nisterooy e a ’Van Tagem’” no jogo. O caráter humorístico dado ao futebol por Milton Leite faz com que sua popularidade esteja em franca ascensão entre os torcedores brasileiros.

Milton Leite compõe a equipe do SporTv.

Milton Leite compõe a equipe do SporTv.

É do gaúcho Januário de Oliveira o “taí o que você queria” e o “E o gol! Goooooool…”, muito populares entre as torcidas do Brasil. Ele também ficou marcado pela frase “tá lá o corpo estendido no chão”, originalmente um verso de João Bosco, quando algum jogador se encontrava deitado por lesão. Além disso, costumava dizer “ririririkakakaka”, em lances bisonhos e “é disso que o povo gosta” em momentos de plasticidade.

O narrador Luciano do Valle é outro que marcou as transmissões esportivas brasileiras com algumas de suas expressões. Muitos dos torcedores hão de se lembrar do “impressionante, impressionante”, tantas vezes por ele repetido em suas narrações.

Muitos locutores iniciam suas transmissões sempre com a mesma frase, como que para saudar o telespectador. É o caso de Cléber Machado, com o “Você ligado na Globo…” , Luís Roberto com o “Você que se liga aqui na Globo…” e Maurício Torres com o “Alô, Brasil”.

Em Minas Gerais, as narrações esportivas da Rádio Itatiaia são sempre marcadas por frases características. “Gol, gol, gol, gol, gol, gol”, grita Alberto Rodrigues, ao passo em que Mario Henrique se consagrou como “Caixa!”. Willy Gonser prefere o “golaço, golaço, golaço!”. Fernando Sasso, por sua vez, utilizava “tá no filó” para relatar os gols.

Muitas expressões criadas ou popularizadas por narrações esportivas fazem parte do cotidiano do comum brasileiro. Estão em cada bar, em cada esquina e às vezes se tornam parte integrante da tradição do país e da cultura do torcedor. Durante dois sons semelhantes, os do apito, no início e fim de um jogo de futebol, as vozes dos narradores certamente transformam em mais mágicos os 90 minutos que os separam. Como diria Fiori Gigliotti, uma das lendas do rádio brasileiro, a emoção começa quando “abrem-se as cortinas do espetáculo”.

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Lucas é jornalista desde 2011, mas o fanatismo pelo futebol o acompanha desde o berço. Aficionado por história, jogadores antigos e contemporâneos e causos e contos sobre o mais famoso esporte bretão. Participou de sites como o cruzeiro.org e o fanáticos por futebol. Atualmente atua como editor do futebol mineiro na Doentes por Futebol, onde também é o responsável pela coluna “Lendas do Futebol”.