Tributo a Ênio Andrade

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Ênio Andrade foi uma das poucas pessoas do meio futebolístico a ter o respeito e se tornar parte importante da história dos dois maiores clubes do Rio Grande do Sul. Foi sob seu comando que o Inter conquistou seu tricampeonato brasileiro, em 1979, de forma invicta. Dois anos depois, conquistaria o mesmo título, mas pelo tricolor gaúcho. Morreu em 1997, decorrente de complicações pulmonares.

Ênio começou sua carreira como zagueiro no São José de Porto Alegre, onde permaneceu por pouco tempo, vindo a transferir-se para o time colorado no ano seguinte. Lá, conquistou dois campeonatos gaúchos, em 1950 e no ano posterior. Após essa conquista, foi para o Renner, extinto clube de Porto Alegre, onde ficaria até 1957. Foi nesse clube que Ênio passou a jogar como meia. Convocado à seleção, ganhou o II Campeonato Pan-Americano, uma competição que já não existe. Após passagem pelo Palmeiras, Náutico e novamente pelo Zequinha (São José), o jogador encerrou a carreira, em 1961.

Foto: Fonte - Internacional.com.br Ênio, quarto da esquerda para direita, enquanto jogador.

Foto: Internacional.com.br Ênio, quarto da esquerda para direita, enquanto jogador.


Na sua trajetória como treinador, teve um começo difícil, mas aos poucos foi conquistando torneios estaduais e montando times competitivos. Sua grande chance veio com o Inter, que o contratou para disputar o brasileiro de 1979. Ênio, como sabemos hoje, aproveitou a chance muito bem. Com um time muito habilidoso, com Falcão como organizador do jogo, Batista, Mário Sérgio e outros, foi campeão invicto, feito até hoje não repetido. O treinador pôs o jovem zagueiro Mauro Galvão como titular, embora o beque ainda não tivesse completado 18 anos. Uma aposta acertada.

Foto: Fonte - Internacional.com.br Ênio, durante a campanha invicta do Internacional, em 1979

Foto: Internacional.com.br –  Ênio, durante a campanha invicta do Internacional, em 1979


Em 1980, Ênio quase conquistou a América. Após empatar no Beira-Rio sem gols, o treinador, então com 52 anos, viu seu time tomar um gol no Uruguai e o Nacional sagrando-se campeão da Libertadores. Demitido do Inter por Asmuz, tido por muitos colorados como o pior presidente da história, foi treinar o rival. Falcão, quando indagado sobre essa mudança de clube, proferiu que o Grêmio começava a ser Campeão Brasileiro. E o camisa 5 tinha razão. Sob a tutela de Andrade, o Grêmio ganhou seu primeiro título do Brasileiro e Ênio marcou seu lugar na história do futebol gaúcho.

Cinco anos depois, veio seu terceiro título, pelo terceiro time diferente. O Coritiba, que tinha como um dos destaques o atacante Lena, pai dos jogadores Alecsandro e Richarlyson, conquistou o Brasileiro, ganhando a final contra o Bangu. O treinador tinha uma visão do esporte como poucos, e, não raro, alterava os rumos da partida através de instruções no intervalo.


O técnico ainda viria a treinar outro importante clube brasileiro: o Cruzeiro. Pelo time celeste, conquistou dois campeonatos Mineiros (1990 e 1994) uma Supercopa Libertadores, uma Copa Ouro e uma Copa Master da Supercopa. Esses títulos foram os únicos internacionais de sua vitoriosa carreira. As partidas mais lembradas de sua passagem pelo Cruzeiro foram as finais da Copa Ouro contra o São Paulo de Telê Santana em 1995, que nos anos anteriores havia sido bicampeão da Libertadores. Após uma vitória e uma derrota, Ênio viu seu time derrotar o adversário nos pênaltis.

 

Acusado de ser retranqueiro por parcela dos jornalistas esportivos brasileiros, o treinador nunca teve uma chance na seleção canarinho, apesar dos bons times que montou. Mas, se não obteve o devido reconhecimento por parte da imprensa, alguns treinadores e jogadores o colocam entre os melhores que já existiram no país. 

Vanderley Luxemburgo, por exemplo, declarou que, depois de Zagallo, Ênio foi o treinador que mais admirou: “Nunca trabalhei com o Ênio, mas vi muitas vezes as equipes dele jogar. Era incrível como o seu time tinha um desenho tático com sua cara”. Falcão completa: “O Ênio era muito bom. A boleirada adorava ele”.

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Ênio Andrade morreu aos 68 anos, vítima de complicações pulmonares. Sua história, entretanto, permanece viva nos autos da história do futebol brasileiro.

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Gaúcho, colorado e estudante de Engenharia de Computação. Doente por futebol desde que se entende por gente. Joga futsal nas horas vagas. A cada dois jogos, uma lesão.