O grande duelo de Paris!

  • por Victor Mendes Xavier
  • 7 Anos atrás

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Começam, nesta terça-feira, as quartas de final da UEFA Champions League, com seus quatro duelos decisivos, disputados em jogos de ida e volta. O gol marcado fora de casa será critério de desempate e, caso haja a necessidade, ocorrerão prorrogação e pênaltis.

Em Paris, um dos destaques desta fase é o confronto entre Paris Saint-Germain e Barcelona, dois times milionários. Enquanto os franceses buscam se firmar como grande clube do Velho Continente, os espanhóis procuram confirmar cada vez mais o status de uma das maiores gerações da história do futebol europeu e mundial.

A História do Confronto

Paris Saint-Germain e Barcelona já se enfrentaram em três oportunidades por competições europeias: duas vezes pela UEFA Champions League e uma vez pela extinta Recopa Européia (torneio que reunia apenas os campeões de Copas Nacionais).

O primeiro duelo oficial entre franceses e espanhóis foi no dia 01/03/1995, em Barcelona, em jogo das quartas de final da UEFA Champions League da temporada 1994-95. Neste jogo, o Barcelona saiu na frente, com o russo Igor Korneev aos dois minutos do segundo tempo. O Paris Saint-Germain, porém, empatou com o liberiano George Weah, artilheiro daquela edição do torneio, aos 9 minutos. Clique aqui e veja os detalhes.

No dia 15/03/1995, ocorreu o jogo de volta no Parce des Princes. O Paris Saint-Germain saiu atrás no placar: José Mari Bakero, ao cinco minutos da segunda etapa, colocou o clube catalão em vantagem, porém o brasileiro Raí empatou aos 27 minutos e Vicent Guérin, aos 38 minutos, virou para o clube parisiense. O PSG eliminava o Barcelona (clique aqui e veja a ficha detalhada deste duelo) e só cairia nas semifinais, ante o Milan.

Em 14/05/1997, no estádio De Kuip, na holandesa Feyenoord, Barcelona e PSG decidiram a Recopa. Num jogo equilibrado, o Barcelona venceu com um gol de Ronaldo Fenômeno, de pênalti, aos 37 minutos do primeiro tempo. Era o segundo título internacional conquistado pelo Barça (havia sido campeão europeu da temporada 1991-92). Clique aqui e veja como foi.

PARIS SAINT-GERMAIN

por ROGÉRIO BIBIANO SANTOS

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Ligue 1

O PSG lidera a Ligue 1 (principal divisão francesa do futebol) com 61 pontos. A equipe é seguida de perto pelo Olympique de Marseille, que está com 54 pontos.

Após uma excelente série de quatro vitórias, o PSG acumulou três empates consecutivos. Na última rodada, antecedendo o grande duelo contra o Barcelona, a equipe venceu o Montpellier, por 1×0.

UEFA Champions League

O Paris Saint-Germain possui uma das melhores campanhas entre os quarto finalistas. Em oito jogos, a equipe venceu seis, empatou um jogo e perdeu outro. O PSG classificou-se em primeiro lugar no Grupo A, com 15 pontos ganhos.

Nas oitavas de final, eliminou os espanhóis do Valencia. No primeiro jogo, disputado no Mestalla, vitória por 2×1. No segundo jogo, no Parc des Princes, bastante equilíbrio e empate em 1×1, que classificou a equipe.

O artilheiro do PSG na UEFA Champions League é o argentino Ezequiel Lavezzi, com cinco gols em sete jogos.

Ponto forte

A equipe treinada pelo italiano Carlo Ancelotti costumava jogar num estilo de posse de bola e, quando pressionada, utilizava-se da habilidade do seu principal jogador, o sueco Zlatan Ibrahimovic. Nesta UEFA Champions League, durante a Fase de Grupos, Ibrahimovic se destacou fazendo a função tática de meia e se tornando o líder em assistências da competição até aqui, com cinco no total.

A partir da chegada de Lucas, o PSG passou a jogar num 4-3-3, com características bem definidas, tendo na velocidade do brasileiro uma arma importante para a fluência desta proposta de jogo. Neste sentido, o ponto forte da equipe parisiense é a retomada de bola e a saída veloz com Lucas, que geralmente tem a aproximação de Javier Pastore, bem como o auxílio precioso de Ezequiel Lavezzi, além, é claro, da referência no ataque, Ibrahimovic.

Ponto fraco

A pouca posse de bola nos jogos pelas oitavas de final é uma preocupação para o PSG, ainda mais quando considerado o próximo adversário (o Barcelona é particularmente conhecido por manter o domínio da bola, não importando o adversário).

Se a equipe parisiense hoje possui um padrão tático melhor definido, baseado na velocidade como um ponto forte, a marcação pelas laterais é uma fraqueza. Somado à falta de qualidade maior no suporte ao ataque, o apoio pela lateral direita é algo raro de se observar em boa parte dos jogos do clube, especialmente quando Jallet atua pelo setor.

Formação

O PSG deve atuar num 4-3-3, buscando explorar ao máximo a saída em velocidade do brasileiro Lucas.

A defesa titular deverá contar com Sirigu no gol, Jallet ou Gregory van der Wiel, na lateral direita; neste caso, o lateral francês é forte na marcação, enquanto o holandês apoia com melhor qualidade. No meio de zaga, deverá contar com Tiago Silva e Alex, dupla brasileira com muita experiência na UEFA Champions League e força no jogo aéreo. Na lateral esquerda, o brasileiro Maxwell é titular e se destaca pelas características ofensivas.

No meio-campo, Blaise Matuidi e o jovem italiano Marco Verratti são os responsáveis pelas ações defensivas, ambos com um grande poder de marcação. Cabe salientar que o jovem Verratti possui um bom passe de longa distância. Compõe o setor, encarregado de dar a qualidade de armação, o argentino Javier Pastore, que também possui excelente movimentação, participando proativamente da maior parte das jogadas da equipe.

No ataque, o brasileiro Lucas, pela direita, é a saída em velocidade. Na ponta esquerda, está o argentino Ezequiel Lavezzi, que geralmente tem liberdade para se movimentar por todo o setor de ataque. Tanto o brasileiro Lucas quanto o argentino Lavezzi precisam retomar a marcação e fechar o avanço dos laterais adversários, bem como cobrir seus companheiros. Na frente, com a função de pivô, Ibrahimovic, liberado de pena imposta pela UEFA devido à expulsão contra o Valencia, é a principal estrela da equipe.

As opções do treinador Ancelotti, são: Mamadou Sakho para a defesa, Clément Chantôme para a função de médio volante, David Beckham como segundo meia, Jérémy Menez para a ponta e Kevin Gameiro, atacante. O ítalo-brasileiro, Thiago Motta, com lesão na virilha, é desfalque para este jogo.

Provável escalação: Sirigu; Jallet (Van der Wiel), Tiago Silva, Alex e Maxwell; Matuidi, Verratti e Pastore; Lucas, Ibrahimovic e Lavezzi. Técnico: Carlo Ancelotti.

BARCELONA

por VICTOR MENDES XAVIER

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Pelo segundo ano consecutivo, o sorteio da UEFA Champions League colocou Ibrahimovic x Barcelona frente a frente. Agora sem Josep Guardiola, o sueco terá a chance de se vingar dos azulgrenás, que, na temporada passada, o despacharam da competição, quando ele ainda atuava no Milan. Ibra, que teria que cumprir suspensão no jogo da ida, foi informado pela UEFA que poderá disputar o duelo em Paris e, certamente, são altas as expectativas para encarar um de seus ex-clubes. O Barcelona, de moral elevada após eliminar o Milan e encerrar as desconfianças, vai desfalcado a Paris: Puyol, Adriano e Alba não jogam por lesão, enquanto Pedro terá que cumprir suspensão.

A temporada até aqui

Líder isolado e virtual campeão da Liga Espanhola, nem tudo foram mil maravilhas para o Barcelona no início da temporada. Sem Guardiola, que, em abril, logo após a eliminação para o Chelsea, havia anunciado que não renovaria seu contrato para 2012-13, a equipe demorou a engrenar. Em campo, Tito Vilanova não mexeu na filosofia de jogo de Pep, dando continuidade ao estilo do ex-treinador. No entanto, o jogo encantandor dos últimos quatro anos não fluia. Especialmente na Uefa Champions League, o Barcelona não convencia. O estopim foram dois jogos muito abaixo da média contra o Celtic, que resultou em uma derrota por 2×1 e uma vitória pelo mesmo placar com o gol da vitória aos 47 minutos do segundo tempo, através de Jordi Alba.

A perda da Supercopa para o Real Madrid, quando foi amplamente dominado pelo time de Mourinho, foi moralmente absorvida pela campanha louvável em âmbito doméstico: enquanto os merengues iniciaram a temporada pecando na busca pela manuntenção do título, os blaugranas, por sua vez, firmaram o melhor início de um time em toda história do campeonato, vindo a perder sua invencibilidade apenas na primeira rodada do returno (derrota para a Real Sociedad por 3×2, no País Basco). Pela Copa do Rei, o Barça foi eliminado pelo Real Madrid ao perder de forma acachapante no Camp Nou por 1×3. Após a derrota para o Milan por 2×0 no jogo de ida das oitavas de finais da Liga dos Campeões, parecia que o ciclo que mais encantou no futebol nos últimos anos estava chegando ao fim. Ledo engano. Como ainda não havia acontecido na temporada, o jogo da volta mostrou um Barcelona em essência. Messi inspirado, Xavi e Iniesta dominantes no meio-campo e goleada por 4×0, que certamente marcou um novo rumo na temporada blaugrana.

Pontos fortes

Lionel Messi e Andrés Iniesta vivem estados de graça. O primeiro, eleito pela quarta vez consecutiva o melhor jogador do mundo pela Fifa e France Football no início de janeiro, caminha para registrar sua melhor temporada nos números, após assombrosos 72 gols na temporada passada – 91 no ano. São 55 gols em 43 jogos e a artilharia isolada da Liga Espanhola.

Iniesta, por sua vez, é o motor do time. Adaptado ao setor esquerdo do ataque, em uma tentativa de encaixar Fàbregas no meio-campo, o espanhol, segundo muitos especialistas, faz a melhor temporada de sua carreira. Com o provável retorno de Villa, de volta à boa fase, ao time titular, Iniesta tem atuado em sua posição original nos últimos jogos. Impulsionado pelo título e o troféu de MVP da Eurocopa, o camisa 8 é fundamental para o esquema do treinador, fazendo ótima parceria com Jordi Alba pelo lado esquerdo. Por outro lado, quem cresceu consideravelmente na temporada foi Xavi. O camisa 6 começou de maneira tímida, não tão dominante no meio-campo, mas desde dezembro tem feito partidas com o selo Xavi de qualidade.

Pontos fracos

Desde a Era Guardiola a zaga não inspirava confiança. Com Tito Vilanova esse problema se acentuou. Os erros são múltiplos e cruciais. A recomposição é feita com muita lentidão, o que gera muitas bolas nas costas, sobretudo pelo lado de Daniel Alves, lateral que ataca com mais frequência que Alba, o lateral esquerdo. O catalão, talvez, seja o grande destaque desse sistema defensivo. Inteligente taticamente, ele comete poucos erros e ajuda substancialmente o ataque. Com Puyol apto, a melhoria é considerável, porém não garante 100% de confiança. Acontece que o capitão deve ser desfalque para o restante da temporada, graças a uma operação no joelho.

Ainda que Mascherano demonstre raça e boa marcação no mano-a-mano, não é dos jogadores mais confiáveis. Outro ponto fraco conhecido desse time do Barça é a dificuldades de encarar retrancas. A eliminação para o Chelsea ratificou essa deficiência. Contra o próprio Milan, na fase posterior, os azulgrenás foram derrotados no San Siro e tiveram seu jogo neutralizado, quando os rossoneros retraíram as linhas e diminuiram os espaços de Messi, Xavi, Iniesta e Fàbregas.

15:45 – Futebol, Liga dos Campeões da UEFA: Paris Saint Germain x Barcelona – GLOBO, BAND, ESPN BRASIL e GLOBOESPORTE.COM (Internet)

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.