Westfalenstadion em chamas: Borussia Dortmund x Málaga

  • por Vicente Freitas
  • 7 Anos atrás

BVB x Málaga

Pré-jogo BVB (por Vicente Freitas)

O Borussia Dortmund vem pra decisão da vaga, jogando em casa, no Signal Iduna Park, tendo ao seu lado a vantagem (nem tão grande assim) do empate fora de casa em La Rosaleda por 0x0. A equipe alemã conta com o estádio lotado por mais de 80.000 pessoas e a sempre presente pressão assustadora imposta pela “Gelbe Wand” (Muralha Amarela), com mais de 25.000 pessoas na Tribuna Sul pulando e cantando antes mesmo do início da partida.

O fim de semana após o primeiro jogo da partida de ida pelas quartas-de-final foi de partida pela Bundesliga contra a fraca equipe do Augsburg, já com o título do rival Bayern de Munique “pré-agendado” (o que se confirmou no sábado, com vitória bávara sobre o Eintracht Frankfurt, por 1×0, com um golaço de letra de Bastian Schweinsteiger). Não tendo o BVB razões para se desgastar numa competição já perdida, além de possuir certa folga para o terceiro colocado, o técnico Jürgen Klopp entendeu por bem preservar seus melhores atletas e escalou um time quase todo reserva para o embate contra o time suábio.

Mesmo jogando com vários jogadores que usualmente não jogam juntos, o que ocasionou uma nítida falta de entrosamento, os aurinegros não se abalaram e começaram melhor a partida, impondo seu modo de jogo ofensivo, marcando 1×0 com Schieber e diminuindo o ritmo. Como punição, nos últimos 5 minutos do primeiro tempo, sofreu uma virada relâmpago e terminou em desvantagem a primeira metade. Klopp decidiu pôr em campo, com apenas 5 minutos da etapa final, Götze e Lewandowski, o que mudou a cara do jogo, fazendo o time atacar mais e paulatinamente retomar as rédeas da partida. O empate veio com Schieber, Subotic virou novamente o placar após bola alçada a área e, nos acréscimos, “Lewy” deixou o dele, aumentando seu isolamento na artilharia da Bundesliga. Placar final: 4×2. Com o ‘vice’ quase assegurado, o Borussia se prepara para sua partida mais importante dos últimos anos.

O time alemão não deve ter muitas alterações em comparação ao jogo de ida, já que todos seus titulares devem estar à disposição do treinador, com exceção de Hummels, que ainda se encontra lesionado.
O alinhamento deverá ser o costumeiro, com: Weidenfeller; Piszczek, Subotic, Santana e Schmelzer; Kehl e Gündogan; Reus, Götze e Błaszczykowski; e Lewandowski.

Força máxima contra os espanhóis na Champions League.

Pré-jogo Málaga (por Victor Mendes)

“Sim, podemos”. Essa é a frase que ilustra o malaguismo às vésperas do duelo mais importante da história do Málaga. Na visita a Dortmund, o time de Manuel Pellegrini (que perdeu seu pai no final de semana, mas confirmou sua ida ao Westfalenstadion) irá se deparar com um estilo de jogo com o qual ainda não lidou na Uefa Champions League: o futebol total do Borussia Dortmund, capaz de envolver até Real Madrid e Manchester City em seus domínios. Para quem já surpreendeu Panathinaikos, Milan, Zenit e Porto, a tarefa é, ainda assim, muito árdua.

A suspensão de Welington certamente transmite dor de cabeça ao treinador do chileno, que vive um dilema: escalar Sérgio Sánchez ou Lugano no lugar do brasileiro? Certamente, o estado físico de Lugano, que não joga habitualmente, não é o dos mais desejáveis. Os jogadores transmitem aos torcedores a máxima tranquilidade possível. Na entrevista coletiva, Jesus Gámez lembrou os duelos contra Zenit e Milan, “onde o Málaga também não era o favorito”, enquanto Camacho e Demichelis ratificaram a “boa campanha dos blanquiazules fora da Andaluzia”. O zagueiro argentino aproveitou para deixar claro que o provável pressão da “muralha amarela” pode ser favorável ao time da Costa do Sol da Andaluzia.

A esperança está depositada em Isco Román. O melhor jogador sub-21 do mundo (eleito o Golden Boy pelo jornal italiano Tuttosport) carrega em suas costas o peso de ser o principal protagonista do time de La Rosaleda. Isco, que recebeu elogios de Marco Reus, levou a zaga do Dortmund à loucura no primeiro tempo do jogo da ida. Quem também terá papel fundamental na partida de amanhã será Toulalan, que terá que estar concentrado ao máximo para lidar com o poderososo meio-campo do time alemão. Na extrema direita do 4-2-3-1 blanquiazul, Joaquín terá que atuar com mais saliência em relação ao jogo na Espanha.

A postura malaguista é uma incógnita. Especialmente nos jogos fora de casa, o time de Pellegrini deixa a bola com o adversário, protege-se com boa discplica tática e aciona os ponteiros para executar o contra-ataque. Na frente, a dúvida entre Saviola e Santa Cruz persiste. Fase por fase, a do argentino, titular na ida, não é a melhor. Especula-se que o chileno abrirá mão de um dos dois para priorizar a velocidade e movimentação (provavelmente com Julio Baptista de falso nove e Sebá ou Portillo no meio-campo) em dentrimento de uma referência de área. Seria uma mensagem clara de como ele pretende encarar o jogo.

Pela situação das equipes, o confronto lembra muito Arsenal x Villarreal de 2005-2006, quando o Submarino Amarelo era franco-atirador contra o timaço de Londres. À época, como todos sabem, o Villarreal de Pellegrini ficou no quase e ainda viu Riquelme desperdiçar um pênalti nos minutos finais. Sete anos depois, Pellegrini e seu Málaga desafiam seus destinos.

Sobre o jogo:

UEFA Champions League quartas-de-final, segunda mão 
Borussia Dortmund – Málaga CF

15:45 (horário de Brasília)

Transmissão pela ESPN e ESPN+

Loca: Signal Iduna Park, em Dortmund (Alemanha)

Borússia Dortmund: Weidenfeller, Piszczek, Subotic, Felipe Santana e Schmelzer; Gündogan, Kehl, Reus, Götze e Grosskreutz; Lewandowski.

Málaga: Caballero, Gamez, Lugano, Demichelis e Antunes; Toulalan, Camacho, Joaquin, Julio Baptista e Isco; Saviola.

Comentários

Pernambucano. Formado em Direito, pela UFPE. “Sofredor” do Santa Cruz FC e apaixonado pelos Aurinegros de Dortmund, acompanha o Tottenham Hotspurs na Premier League. Germanófilo e Eslavófilo, apesar de não saber nada em alemão, muito menos em russo, tcheco ou polonês. Entende que o futebol perfeito seria uma mistura de verticalidade e disciplina tática alemã, técnica e elegância argentina e raça uruguaia. É fã de Nedved, Pirlo, Zidane, Romário, Kahn, Messi. Tem raiva de não ter visto Puskas, Heleno de Freitas, Cruyff, Pelé, Maradona, Sammer e nem Beckenbauer jogar.