A difícil missão de Guardiola

  • por Victor Hoffmann
  • 7 Anos atrás

Quando foi anunciado em janeiro como futuro técnico do Bayern, Pep Guardiola já sabia que teria à sua disposição um grande time. Depois do anúncio, os bávaros comprovaram isso em campo, avançando contra Arsenal e Juventus na Champions League, atropelando o Barcelona na semifinal, confirmando o título alemão com quebra de recordes e, neste sábado, conquistando a Europa após 12 anos de jejum. No próximo domingo, contra o Stuttgart, na final da Copa da Alemanha, o clube pode garantir uma inédita “tríplice coroa”.

Foto: Reprodução - Guardiola visitando Heynckes em treino do Bayern

Foto: Reprodução –
Guardiola visitando Heynckes em treino do Bayern

São feitos que trazem uma grande responsabilidade ao espanhol de manter o nível na próxima temporada e mostrar que não era apenas um “distribuidor de coletes” no Barça. No clube blaugrana, Guardiola tinha um time que valorizava mais a posse de bola do que propriamente a força física. Nessa filosofia, os catalães foram bicampeões europeus e mundiais e tri no Espanhol, entrando para um seleto grupo de melhores times da história do futebol.

Sob o comando de Jupp Heynckes, o Bayern se caracterizou como um time rápido e letal. Na temporada 2011/12, os 121 gols em 55 jogos, no entanto, não foram suficientes para as conquistas. Vice do Borussia na Bundesliga e na Pokal, a derrota pro Chelsea em casa na final da Champions foi a mais doída. Para 2012/13, o clube reforçou a defesa, seu ponto fraco, contratando Dante e Javi Martínez (este custando €40 milhões aos cofres bávaros). O ataque seguiu com números avassaladores – 148 gols em 53 jogos – e a defesa se tornou a menos vazada da história da Bundesliga, com apenas 18 gols sofridos. Com essa segurança, a ‘Salva de Prata’ veio com seis rodadas de antecipação e apenas uma derrota. Na Champions, o “Super Bayern” suou contra o Arsenal, mas cresceu contra a Juve e deu uma aula ao Barcelona. Na final, Robben tirou todo o peso das suas costas e evitou um terceiro vice em quatro anos. Festa vermelha e sensação de dever cumprido por parte de Heynckes, que ainda não confirmou seu futuro.

Foto: Reprodução - Götze em ação contra seu novo time

Foto: Reprodução – Götze em ação contra seu novo time

Para a próxima temporada, o clube já anunciou a chegada de dois reforços. Jan Kirchhoff, zagueiro do Mainz, chega, a princípio, para ser opção no banco. Porém, Mario Götze, adquirido por € 37 milhões junto ao Borussia Dortmund, é um jogador que causará impacto no elenco bávaro, pois não foi contratado para ser reserva.

Com isso, Pep já terá sua primeira grande dor de cabeça: dá pra tirar Robben, Müller ou Ribéry do time? O holandês teve sua saída especulada, mas após o gol do título europeu, isso parece ser bastante improvável. Outra opção seria testar Götze como “falso 9”, posição em que ele já jogou com Klopp no BVB e que Guardiola utilizava no Barcelona com um tal de Messi. Seria uma mudança significativa no modo de jogar desse Bayern, que com Mario Gómez ou Mandzukic sempre teve um centroavante fixo. Vale informar que, nessa posição, outro jogador do Dortmund pode chegar: Robert Lewandowski é fortemente especulado em Munique.

Foto: Reprodução - Weiser e Emre Can, as principais promessas do Bayern

Foto: Reprodução – Weiser e Emre Can, as principais promessas do Bayern

Guardiola sempre foi bastante elogiado no Barça por valorizar ‘La Masia’, a fábrica catalã de jovens talentos. No Bayern, ele também terá jogadores promissores para trabalhar. O principal deles é o polivalente Emre Can, de 19 anos, chamado de “jóia” pelo presidente do clube, Uli Hoeneß. Can é meio-campista de origem, mas já foi utilizado na lateral e na zaga. Com Heynckes, ele atuou em quatro jogos na temporada, inclusive marcando um gol. Højbjerg, meia dinamarquês de 17 anos, Weihrauch, atacante, e Rankovic, zagueiro, também foram aproveitados por Heynckes após se destacarem no time B. Quem completa essa lista é Mitchell Weiser, contratado junto ao Köln após se destacar no Mundial Sub-17 de 2011, atuando como meia e lateral-direito. Emprestado ao Kaiserlautern, ele lembra muito Daniel Alves, ex-comandado de Pep.

Afirmar que Guardiola irá mudar a filosofia do Bayern a partir de julho parece, neste momento, loucura. Como disse o ex-meia Ballack, se tem alguém que pode melhorar ainda mais o atual time, esse alguém é Pep Guardiola. E é o que espera o torcedor e a diretoria bávara: uma nova hegemonia do clube na Europa, assim como foi na década de 70. Elenco e dinheiro para isso é o que não falta.

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Doente por futebol, torcedor do Figueirense e fã do futebol alemão.