A invasão não divulgada

  • por Edson Vinicius
  • 6 Anos atrás
Mais de 50.000 rubro negros invadiram o Pacaembu em 1984

Mais de 50.000 rubro negros invadiram o Pacaembu em 1984

As duas invasões promovidas pela Fiel torcida corintiana ficaram famosas. A primeira ocorreu no campeonato brasileiro de 1976 contra o Fluminense no Maracanã, ocasião em que dividiu as arquibancadas com os tricolores. A segunda foi em 2012, quando quase 20.000 loucos foram ao Japão assistir ao mundial interclubes.

Um outra invasão, contudo, é pouco comentada e valorizada no futebol brasileiro. Em 19 de julho de 1984, numa quinta feira à noite, mais de 50.000 rubro-negros tomaram o estádio do Pacaembu no jogo extra entre Flamengo e Grêmio pela fase semifinal da Taça Libertadores daquele ano. A partida definiria quem iria para a final contra o Independiente, da Argentina.

Os dois times se igualaram em número de pontos na chave (que contava ainda com a Universidad de Los Andes (ULA), de Mérida – Venezuela), o que motivou o jogo de desempate. Porém, o Grêmio tinha um saldo de gols superior na fase, o que lhe dava a vantagem do empate ao final da prorrogação.

Na fase semifinal, o time gaúcho aplicou goleadas no Flamengo (5×1) e na ULA (6×1), jogando no Olímpico. O Flamengo devolveu a derrota para o tricolor ao vencer no Maracanã por 3×1. Entretanto, o desempenho abaixo do esperado do time rubro-negro na partida final do grupo, no Rio de Janeiro, deixou o clube com a obrigação de vencer o duelo em São Paulo. O Flamengo precisava ganhar a equipe venezuelana por uma diferença de 7 gols para ir ao Pacaembu com vantagem, mas teve uma vitória apertada, de virada, por 2×1, no jogo em que ficou famosa a provocação do treinador Zagallo, que disse duvidar que a ULA fizesse um gol no Flamengo.

O público surpreendeu a todos. Inesperadamente, as ruas de acesso ao estádio paulistano foram tomadas por carros e torcedores rubro-negros, com longos congestionamentos se formando. A polícia militar precisou pedir reforços, pois o número de pessoas presentes foi muito superior ao calculado, especialmente por se tratar de um jogo sem a presença de times locais e realizado no meio da semana às 21h. Filas enormes se formaram nas bilheterias. Os vendedores ambulantes e as barraquinhas de cachorro-quente, bebidas e churrasquinho viram seu estoque se esgotar rapidamente. A nação rubro-negra, quinta maior torcida da capital paulista, apoiada por milhares de torcedores vindos do Rio de Janeiro, literalmente tomou de assalto o estádio Paulo Machado de Carvalho, representando mais de 95% do público total de, oficialmente, 53.500 pessoas. A divulgação desse número “redondo” pelos alto falantes do estádio, aliás, foi seguido de uma sonora vaia de todos os presentes, que acreditavam que o número havia sido minimizado.

O Flamengo formou com: Fillol, Leandro, Guto, Mozer, e Adalberto; Andrade, Adílio e Tita; Elder, Bebeto (Nunes) e João Paulo. O técnico era Zagallo.

O Grêmio, treinado por Carlos Froner, levou a campo: João Marcos; Casemiro, Baidek, De León e Paulo César; China, Luis Carlos e Osvaldo (Bonamigo); Renato Gaúcho, Guilherme e Tarciso.

O jogo teve uma nota só: o Flamengo tendo a posse de bola, dominando a partida, mas sem conseguir criar muitas chances de gol, pois tinha pela frente uma bem armada muralha defensiva do time gremista, que, por sua vez, era tímido nos contra-ataques. A impressão geral foi de que os times poderiam jogar por um dia inteiro, e, mesmo assim, o placar não sairia do zero. E assim foi até o apito final, após 120 minutos de jogo. O resultado classificou o Grêmio para a final do torneio (quando viria a ser batido pelo Independiente); o Flamengo, já há um ano sem contar com Zico, novamente fracassava numa tentativa de título após a venda do Galinho para a Udinese. Ficou apenas a lembrança da força de sua torcida.

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Médico clínico geral e geriatra, apreciador do bom futebol, doente pelo Flamengo e viúva de Zico!