A toca que não teve lobo

  • por Doentes por Futebol
  • 8 Anos atrás

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Texto elaborado por Enrico Bruno, do Bundesliga Brasil, parceiro da Doentes por Futebol.

Em uma temporada marcada pela falta de comando (no banco de reservas e na cadeira principal do clube), o Wolfsburg capengou

Após passar aperto no início da temporada, a equipe se safou do rebaixamento, mas foi instável durante o restante da Bundesliga. O principal motivo para o desempenho irregular estava bem perto de casa. Dentro de sua própria casa, melhor dizendo. A Toca dos Lobos sequer chegou a ser temida, e o Wolfs fez de seu estádio a casa da sogra, onde os convidados tiveram totais liberdade para abrir a geladeira e urinar de porta aberta.

A expectativa era a mesma

Desde o título de 2009, o time nunca mais foi o mesmo. De lá pra cá, foram quatro novas temporadas sem sequer alimentar o sonho de uma Champions. O 8º lugar de 2012 fez crescer a fome de um Lobo sedento por vitórias. Para voltar ao topo, Felix Magath comandava a alcateia. Mas o rabugento, que deixava claro sua antipatia por brasileiros, tinha uma mão cheia de verde-amarelos à disposição.

Para Magath, o “pior” deles era Diego, vide seu primeiro treinamento na temporada: “estão vendo ele se esforçar? Porque eu não estou”, falou o treinador aos profissionais da imprensa. A rixa com os brazucas era somente um indício daquilo que ainda estaria por vir. Muitos outros jogadores ainda parariam na mira do técnico.

Brasileiro Diego retornou para o Wolfsburg e foi bem.

Brasileiro Diego retornou para o Wolfsburg e foi bem.

Peças boas, mas sem engrenagem

Em nove meses de Bundesliga, três treinadores passaram pelo banco de reservas do Wolfsburg. A temporada, como adiantamos, foi iniciada com Felix Magath, mas com apenas 5 pontos nos primeiros 24 disputados, o ex-jogador foi demitido e a bomba caiu no colo do interino Lorenz-Günther Köstner. Daí surge um dos maiores problemas do Wolfsburg na temporada. Não tinha como um treinador começar a Bundelisga com as peças que bem lhe entendesse. Tanto Köstner quanto Hecking, que chegaria em dezembro de 2012, pegaram o bonde já andando. Pior, encontraram os lobos já no fundo do poço.

Do quase rebaixamento à volta por cima

Ainda com o Köstner, o Wolfsburg apresentou melhora significativa em campo. O interino promoveu as entradas de Kjaer, Schäfer, Polak e Hasebe na equipe principal. Por mais que alguns deles ainda fossem remodelados no esquema de Dieter Hecking, as vitórias vieram. O ponto mais positivo, porém, foi a redenção de Diego. O meia começou a jogar e foi o cérebro da equipe até o final do campeonato.

Na 12ª rodada, os lobos deixaram a zona de rebaixamento para não mais voltar. A briga, agora, era para se distanciar da degola. Tarefa que ficou por conta do terceiro técnico, Dieter Hecking. Com apenas um turno para colocar ordem na casa, Hecking readaptou ainda mais a equipe para seu esquema. Com poucos meses para entrosar equipe, o grupo foi amadurecendo, e fez um returno até bem melhor que o primeiro.

Uma das mudanças na ‘nova’ equipe foi a entrada de Hasebe na lateral-direita, (apesar do brasileiro Fagner ter feito ótimas partidas). Perisic chegou e ajudou a desafogar Diego no meio campo. Träsch herdou o lugar de Josué, que se transferiu para o Atlético-MG, e Medojevic revezou com Polak na outra vaga de volante. No ataque, Olic saiu de vez da ponta e voltou a jogar dentro da área. Parecia que ia dar liga.

Tropeços dentro de casa

Com apenas um semestre, os lobos saíram da condição de candidatos ao rebaixamento para meros figurantes. Na 31ª rodada, veio a confirmação do time alviverde na primeira divisão. Nos últimos 10 jogos, surgiu a arrancada que faltou durante os meses anteriores. O time passou quase um terço do torneio sem ser derrotado. A boa sequência, porém, poderia ser ainda melhor sem os constantes tropeços dentro de casa. Dos cinco jogos em casa, 4 terminaram empatados. Péssimo e inadmissível para uma equipe que leva em média 25991 pessoas por jogo em um campo para 30 mil expectadores. Vale lembrar que o Wolfsburg venceu apenas três partidas na cidade da montadora de automóveis. Os torcedores passaram mais raiva abastecendo seus Volkswagens antes dos jogos que nos compromissos do time em regiões mais distantes.

Brasileirada fez bonito, mas Wolfs não merece tanto

Para a temporada que vem, o Wolfsburg tentará, mais uma vez, deixar de ser figurante e alcançar voos mais altos. O desempenho rame-rame não condiz com o plantel que o clube possui. Um dos times mais brasileiros da Bundesliga é bom no papel, mas ainda não consegue se encontrar dentro das quatro linhas.

Diego comemora tento. Foto: Uol Esporte.

Diego comemora tento. Foto: Uol Esporte.

Josué saiu querido do clube. Naldo ainda segura as pontas na defesa, e Diego segue comendo bola. Será um milagre segurar o brasileiro para a temporada que vem. Cá pra nós, o Wolfsburg é pouco para o que o camisa 10 tem feito. Agora, o bastão passa para Klaus Allofs, ex-diretor esportivo do Werder Bremen. Cabe a ele manter as boas peças e tentar resgatar o passado recente em alta dos lobos. Além, claro, de fazer o time voltar a mandar no lugar que joga.

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