Análise tática: Corinthians 1×1 Boca Juniors

  • por João Vitor Poppi
  • 8 Anos atrás

Boca, Bianchi e Riquelme. Sinônimos de Libertadores

Quem é rei nunca perde a majestade. Quem é tetra campeão da Libertadores não deixa de ser copeiro. Esse é Carlos Bianchi, que deu aula de futebol em um Pacaembu lotado. O Boca Juniors ocupou muito bem os espaços em campo, teve uma postura adequada e fez o regulamento jogar a seu favor.

Marcação agressiva e contragolpes bem armados minam o Corinthians

Marcação agressiva e contragolpes bem armados minam o Corinthians


Disposto no 4-4-1-1, com Riquelme fazendo o enganche à frente da linha de quatro meias, o time argentino marcava a partir da intermediária ofensiva e não permitia que sua defesa ficasse enterrada dentro da área. O Boca ganhou muita mobilidade na parte tática com essa postura, pois não ficava preso na retaguarda, nem exposto na ofensiva. Ganhou o meio-campo e foi um time sóbrio, que sabia o que precisava fazer.

O time treinado por Bianchi, quando atacado, possuía agilidade na recomposição defensiva, muito pelo posicionamento mais compactado horizontalmente no meio-campo. Formavam-se duas linhas de quatro próximas uma da outra. 

Dois aspectos foram fundamentais para o Boca conseguir ser superior na primeira etapa e não ser dominado na segunda. São eles: estilo de marcação e contragolpes. Bianchi foi preciso. 

Primeiro aspecto. O time de La Boca teve uma marcação agressiva, não esperou o Corinthians partir com a bola dominada, mas atacou a posse de bola adversária. Erviti saía para dar o bote e segurar o ímpeto de Paulinho; Riquelme chama a atenção, se impõe, prende marcação, e foi isso o que ele fez com Ralf; os meias abertos, Erbes (direita) e Sánchez Miño (esquerda), ficavam postados em cima dos laterais alvinegros. Tudo isso tirou a chegada de quem vem de trás do time brasileiro, o homem surpresa. As ultrapassagens foram esgotadas. 

Assim, o Corinthians ficou muito previsível. Sentiu muita falta do Paulinho articulador que chega na área para concluir. Mas o time mandante atacou seu adversário de forma equivocada, não entendeu o cenário da partida, em que tinha suas forças enfraquecidas pela ótima postura do Boca. Os ataques alvinegros eram construídos com toques de lado e verticais, o que facilitava muito a marcação agressiva do time argentino. No primeiro tempo só ocorreu uma penetração na área adversária com jogada construída: a do gol mal anulado de Romarinho. E aquele era o caminho correto: os pontas fazerem a diagonal, dando a opção para enfiada de bola, o que não se repetiu.

Segundo aspecto. O Boca sempre teve o contra ataque ao seu dispor. Não permitiu ser sufocado. Para quem busca uma classificação em Libertadores fora de casa contra uma equipe tecnicamente forte coma a alvinegra, isso é importantíssimo. É deixar o adversário preocupado, incomodar e sempre mostrar estar vivo no jogo. Atacando a posse de bola adversária, surgiam muitos desarmes no meio-campo, que eram rapidamente ligados aos meias abertos. S. Miño, vindo da esquerda, fazia a diagonal para o meio, para participar da armação das jogadas e dar liberdade a Riquelme, que se movimentava e complicava os rivais. Aos 25 minutos, o camisa dez anotou o golaço que deixou seu time em ótima condição. Blandí, o atacante, caía bastante pelos lados, não ficava preso na área, dificultando a marcação.

Para o segundo tempo, Tite fez duas alterações: Edenilson e Pato nas vagas de Alessandro e Romarinho. O Corinthians, nos primeiros minutos da etapa complementar, abafou o Boca na base da bola aérea, como tentou fazer em boa parte da primeira etapa e não havia conseguido.

Com Edenilson chegando à linha de fundo, Pato pela esquerda e Paulinho mais solto, alvinegro cresce, mas ainda foi pouco para anotar três gols

Com Edenilson chegando à linha de fundo, Pato pela esquerda e Paulinho mais solto, alvinegro cresce, mas ainda foi pouco para anotar três gols


O alvinegro melhorou porque conseguia chegar na linha da fundo para cruzar, principalmente pela direita com as ultrapassagens de Edenilson. Antes, as bolas alçadas vinham de trás e a marcação não sentia dificuldades. Pato ficou bem aberto pela esquerda. Paulinho cresceu na partida, pois a saída de bola acontecia pelos lados e o volante, pelo centro, chegava até a área adversária. O gol de empate surgiu assim, com Paulinho cabeceando cruzamento de Emerson, aos seis minutos.

O Corinthians parou por aí, não conseguiu evoluir em construção de jogadas. O time alvinegro não tabelou, o que poderia ser o escape para surpreender e ficar cara a cara com Oríon. As duas linhas de quatro do Boca facilitavam muito as coberturas, pois estavam compactadas, retirando os espaços de arrancadas e jogadas individuais do adversário.

Pato, após nova jogada aérea, perdeu um gol sem goleiro. O time sentiu o lance, que, em uma noite pouco inspirada, poderia reacender o time treinado por Tite. O Boca, nos 15 minutos finais, recuou, pois estava mais desgastado que o Corinthians, que buscava de todas as formas o segundo gol. Os Xeneizes marcaram mais através do bom posicionamento, pouco buscaram o contragolpe, mas não levou sustos. O Boca sabe ser frio quando precisa, e foi. Carlos Bianchi, definitivamente, voltou. O Boca está ganhando ainda mais força.

 

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.