Análise tática: Corinthians 2×1 Santos

  • por João Vitor Poppi
  • 8 Anos atrás

Corinthians  domina primeiro tempo. Santos melhora na segunda etapa

Muricy pensou mal o jogo do Santos. A forte marcação adiantada e a velocidade pelos flancos corintiana já não são nenhum segredo. As escolhas do treinador, atual campeão Paulista, para formar o meio campo santista fizeram o estilo de jogo do rival se sobressair.

Cícero e, principalmente, Arouca afunilavam muito. Eles ocuparam os lados da linha de três do 4-2-3-1 do Peixe. Essa movimentação errada dos meias gerou corredores pelos lados, que foram muito bem utilizados pelo alvinegro da capital. Com Emerson e Romarinho em cima de Bruno Peres e Léo, respectivamente, sobrou espaço para os laterais do Corinthians apoiarem com intensidade. Tite adiantou as linhas do time, colocou os volantes para marcar a bola destinada a Neymar e soltou os lados, com mais destaque para o esquerdo.

O volume de jogo do time mandante crescia cada vez mais, pois o rival não tinha contra ataque. Os passes trocados para tentar sair do campo defensivo eram sempre verticais. O jogo pelos lados fugia das características dos meias adversários, Cícero e Arouca. 

O pior foi desperdiçar a explosão e o arranque de Neymar, que poderia ter dado forma aos contragolpes do alvinegro praiano. O camisa onze atuou centralizado. Com o time adversário todo adiantado, ele pouco recebia a bola e, quando a pelota chegava em seus pés, estava muito longe do gol e com Ralf próximo. Ficando em uma posição central, em que o passe rápido é a melhor alternativa e sem campo para colocar sua velocidade em jogo, o craque santista não foi bem.

Total domínio corintiano na primeira etapa

Total domínio corintiano na primeira etapa

Paulinho também fez o papel de meia, por muitas vezes, subindo ao ataque corintiano e formando um 4-1-4-1 a partir do 4-2-3-1 inicial. Quem teve que acompanhar o camisa oito corintiano foi Renê Junior, que fez mais uma boa partida, com coberturas e desarmes precisos. Mas a marcação em cima de Danilo ”explodiu” para Marcos Assunção, e o meia do Corinthians levou a melhor.

O time da Fiel buscava tabelar pelos lados, com o primeiro passe sendo destinado em profundidade ou centralizado – ocorria boa variação -, abriam-se espaços com facilidade, mas faltava capricho no último toque. Os donos da casa tiveram incrível volume de jogo, mas não criaram muitas chances claras de gol. Méritos para os dois zagueiros do Santos, que individualmente fizeram uma boa partida, com importantes desarmes.

O primeiro tempo ficou no 1×0 Corinthians, gol de Paulinho, após bola aérea. No intervalo, Muricy sacou M. Assunção e Miralles para as entradas de Felipe Anderson e André, respectivamente. O treinador sabia que seu time estava afogado, muito por suas escolhas, mas conseguiu corrigir boa parte dos seus erros. Distribuiu o time com um triangulo de base alta, com Renê. Jr como cabeça de área, Neymar (esquerda) e Felipe Anderson (direita) abertos pelos lados e André fazendo o pivô.


A produtividade do Santos aumentou. O time não estava mais ”morto”, agora conseguia atacar e, quando necessário, contra-atacar. Com dois jogadores abertos e em profundidade, os laterais adversários contiveram as descidas ao ataque. Neymar ficou no mano a mano com Alessandro várias vezes e criou boas chances de gol. 

O volume e velocidade do Corinthians não foram os mesmos do primeiro tempo, tanto pelo desgaste físico quanto pela melhora do rival. A equipe da capital, agora, conseguia ser perigosa através da transição rápida e ultrapassagens. Renê Junior, único jogador à frente dos zagueiros, ficou como vigia de Danilo (depois, Emerson); Arouca e Cícero, mais adiantados, marcavam, mas também saíam pro jogo. E foi aí que o jogo de Paulinho cresceu: com velocidade na retomada ao ataque e a possibilidade de ultrapassagens – carregando ou não a bola -, o que o volante faz com muita qualidade.

Santos melhora e diminui o placar

Santos melhora e diminui o placar


Emerson perdeu duas grandes chances cara a cara com Rafael. O Santos chegou ao seu melhor momento na partida, mas levou o segundo gol, novamente após bate-rebate de bola aérea. Paulo André foi o oportunista da vez. O Peixe não mudou a forma de jogar e continuou colocando profundidade pelos cantos. Após boa descida de Bruno Peres, que foi derrubado, F. Anderson bateu a falta e Durval diminuiu o marcador, 2×1. O gol ocorreu por méritos do time visitante, que na segunda etapa buscou o gol com coragem da mesma forma antes e depois de levar o 2×0. Pelo primeiro tempo em que teve total domínio, o Corinthians saiu de campo com o sentimento de que poderia ter levado um placar melhor para a Vila Belmiro. A final está em aberto.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.