Análise tática: Fluminense 0x0 Olimpia

  • por João Vitor Poppi
  • 6 Anos atrás

Tricolor não soube sair da forte marcação imposta pelo time paraguaio

O Fluminense terminou o duelo em São Januário com mais de 60% de posse de bola. Criou pouco, pois não soube a maneira correta de atacar, não entendeu o jogo de ”xadrez”. O Olimpia, dentro da sua proposta de jogo, foi bem. O time paraguaio buscou anular o sistema ofensivo do adversário o jogo inteiro, pensou sobretudo em se defender, e assim o fez.

O clube de Assunção usou os já conhecidos auxiliares dos laterais para trancar os flancos do campo. Com três zagueiros e dois jogadores marcando em cada lado, tornou-se muito difícil construir jogadas laterais. Atuou no 5-3-2 que variava para o 5-4-1, pois Salgueiro voltava para formar uma linha, torta, de quatro pelo meio. Tamanho ímpeto defensivo, praticamente, tirou qualquer chance do time anotar um gol fora dos seus domínios e, por vezes, gerava muito espaço pelo centro.

Marcação do Olimpia do meio para frente, com Salgueiro fechando pela esquerda. O 5-3-2 se torna, praticamente, um 5-4-1

Marcação do Olimpia do meio para frente, com Salgueiro fechando pela esquerda. O 5-3-2 se torna, praticamente, um 5-4-1

O Tricolor caiu na marcação adversária. Buscava atacar pelas laterais, tentando chegar à linha de fundo, mas não havia espaço para ultrapassagens, o que tornava as descidas do time previsíveis e fáceis de serem marcadas; a marcação do Olimpia teve bom posicionamento e força para desarmar. O Fluminenses insistiu o tempo todo nessa jogada, por isso a posse de bola não se reverteu em gol, nem mesmo em criação de jogadas.

Fluminense 0x0 Olimpia

 

O grande erro do time brasileiro foi não usar o espaço existente na faixa central do campo, onde, várias vezes, tinha um jogador a mais que o adversário. Aranda acompanhava Wagner; Báez (direita) e Ortiz (esquerda) auxiliavam os laterais, com este último se movimentando por dentro, para Salgueiro compor a marcação por aquele lado, formando uma linha, torta, de quatro no meio. Nesse setor esquerdo defensivo do Olimpia, sobrava espaço para Jean ser o homem surpresa e fazer rápida transição  justamente pela movimentação defensiva adversária não ser constante. No entanto, volante tricolor ficou devendo. Apenas Aranda ficava mais centralizado, o que muitas vezes forçava um zagueiro a ter que sair para dar o bote no meio.

Fluminense não aproveitou o espaço pelo centro do campo e forçou jogadas pelos, congestionados, flancos

Fluminense não aproveitou o espaço pelo centro do campo e forçou jogadas pelos, congestionados, flancos

Faltou Wagner buscar mais o jogo e receber mais a bola. Faltou Rhayner e Wellington Nem, que atuaram como pontas/meias na linha de três do 4-2-3-1 de Abel Braga, fazerem a diagonal, afunilando, dos lados para dentro da zaga paraguaia. O Fluminense sentiu a pouca participação ofensiva de Jean, que poderia mudar a cara do jogo. O volante teve a chance de surpreender a zaga adversária, mas pouco passou da intermediária ofensiva.

Pouquíssimas vezes o Tricolor da Laranjeiras buscou atacar pelo centro. E nessas vezes, foi quando levou mais perigo ao gol do bom goleiro Silva. Com Fred dando toque de letra, quebrando a marcação, aos 17 minutos; Rhayner dentro da área, mano a mano com o zagueiro, perdendo no jogo de corpo, aos 46 minutos, após boa triangulação pelo centro; com Rhayner perdendo gol cara a cara com o goleiro, após ele mesmo roubar a bola pelo meio e deixar para Fred dar ótima enfiada, aos 19 minutos do segundo tempo. Foi em ataques pelo meio que o Fluminense conseguiu, na maior parte das vezes, amarelar o time do Olimpia. Aranda foi expulso aos 37 da etapa final.

Quem estava sem condições de jogo fez muita falta ao time. Deco poderia ser o meia que Wagner não foi. Thiago Neves tem características para jogar aberto e fazer a diagonal para o meio, afunilar. A dupla, se estivesse tecnicamente em um bom dia, teria força suficiente para solucionar boa parte dos problemas do time. Com as entradas de Rafael Sóbis e Felipe, Abel tentou colocar no time características que a dupla, fora de combate, daria. 

Nos últimos dez minutos, também impulsionado pela expulsão de Aranda, o Olimpia se postou com os nove jogadores de linha à frente de sua área. Não tinha mais espaço perto do gol de Silva. O Fluminense conseguia chegar com facilidade até a intermediária ofensiva, mas de nada adiantou, pois dali em diante tinha- se um paredão paraguaio. Abel fez as alterações muito tarde – aos 28 minutos do segundo tempo fez a primeira. O jogo ficou no 0x0 e agora o Flu encontrará enorme pressão no Estádio Defensores del Chaco.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.