Análise tática: Olimpia 2×1 Fluminense

  • por João Vitor Poppi
  • 6 Anos atrás
(Imagem: Portal Terra)

(Imagem: Portal Terra)

 

Fluminense fica, mais uma vez, com o sentimento de que poderia ter sido diferente

O gol do Fluminense saiu mais cedo do que se esperava. Aos dez minutos de jogo, após falha da zaga paraguaia em grave erro de Manzur. Rhayner de cobertura fez um belo gol. Mais inesperado ainda foi a postura inicial do Olimpia no 4-4-2. O técnico Ever Almeida colocou em campo um time que negou tudo o que havia feito em São Januário, no empate sem gols. A forte marcação, a compactação, os lados totalmente trancados e prontos para minar a velocidade do time brasileiro pelos flancos não existiu nos primeiros 20 minutos.

Com um jogador a menos no meio campo, o Olimpia não conseguiu encaixar a marcação. O Tricolor ganhou força para tomar a iniciativa ofensiva. O meio campo paraguaio se adiantava para tentar marcar a saída de bola do time brasileiro, se desprendendo da zaga, que não saia, gerando enorme espaço entre as duas linhas de quatro. Wellington Nem e Rhayner jogaram com facilidade entre os meias abertos ( e Ortiz) e os laterais (Salinas e Silva) adversários, impondo velocidade em cima destes e prendendo-os na defensiva. Qualquer jogada individual gerava perigo, pois, praticamente, não existia coberturas na marcação do perdido Olimpia.

Grande espaço entre as duas linhas de quatro do Olimpia

Grande espaço entre as duas linhas de quatro do Olimpia

O time mandante não conseguia criar perigo ao gol de Cavalieri. O cenário da partida era muito favorável ao Tricolor, que devia ter aproveitado mais o momento e Wagner precisava ter sido participativo.

Aos 35 e 41 minutos, Salgueiro marcou dois gols de bola parada, um deles após pênalti infantil de Digão, e virou o placar. Por incrível que pareça, quando o gol de empate aconteceu, o Olimpia já era dono do jogo. Com apenas 20 minutos, Ever Almeida já fazia sua primeira alteração, pois sabia: escolheu a forma de jogo errada e se insistisse nela seu time dificilmente reagiria. Sacou Caballero para entrada de Ferreyra.

El Decano mudou taticamente. Saiu do 4-4-2, com duas linhas de quatro, para o 3-5-2, que variava para o 5-3-2. Voltou a usar a mesma tática do jogo de ida: trancou os flancos. Com Miranda como líbero, laterais sustentados por três zagueiros e próximos dos meias, acabou o espaço para jogadas individuais e velocidade pelas pontas do time das Laranjeiras. Não acontecia mais o mano a mano do ataque Tricolor contra a defesa adversária, pois, agora, quem tinha o homem de ”sobra” era o Olimpia.

Com o tática igual ao do primeiro jogo Olimpia chega a virada. Flu comete os mesmos erros  de São Januário

Com o tática igual ao do primeiro jogo Olimpia chega a virada. Flu comete os mesmos erros de São Januário

Salgueiro atuando aberto pela direita fez a bola chegar com maior qualidade a zona de definição do seu time. Ferreyra conseguiu prender os zagueiros. Zaga e meio-campo compactados. O time tricampeão da Libertadores tirou a velocidade dos pontas, única jogada trabalhada pelo Flu; os laterais, que estavam mal tecnicamente, com menos espaço, pouco fizeram; Wagner mais uma vez foi inerte quando o time clamava por jogadas pelo centro e Jean não mostrou a eficiência do ano passado. O time treinado por Abel Braga, mais uma vez – como no primeira partida -, não soube aproveitar a única jogada que poderia mudar a cara do jogo: pelo centro. Existia espaço para insistir por ali, diferente dos lados congestionados, mas o atual campeão brasileiro, de novo, escolheu o caminho mais difícil e se complicou. A cadência e o passe diferenciado, em profundidade, de Deco fizeram muita falta.

Com toda essa reestruturação tática, que ocorreu em menos de dez minutos, o Olimpia deixou o adversário muito enfraquecido ofensivamente, sem criação alguma de jogadas. Com o apoio maciço de um Defensores del Chaco lotado, muita disposição e Salgueiro inspirado o time paraguaio teve força não apenas para virar o marcador, como já foi dito, mas também dominar a primeira etapa até seu fim.

No segundo tempo Abel substituiu Bruno, Jean e W.Nem por Thiago Neves, Samuel e Rafael Sóbis, respectivamente. Rhayner passou a ser o lateral direito. Samuel caia pelo lado direito e Sóbis pelo esquerdo. Wagner e T. Neves ficaram próximos a frente de Edinho, a única mudança que melhorou o time, discretamente, pois a bola passou mais vezes pelo meio de campo antes de chegar aos lados de campo. Formou-se um 4-1-4-1, com o lado direito mais espetado, com Samuel.

O Olimpia se fechou completamente, mas com os dois atacantes, Bareiro e Ferreyra, e amparados por Salgueiro, apertava a saída de bola dos zagueiros e volante adversário. Em duas roubadas de bola conseguiu criar duas grandes chances, desperdiçadas.

O Fluminense não teve tranquilidade e mesmo jogando o segundo tempo, praticamente, todo no campo ofensivo, só buscava a jogada aérea. Levou perigo em alguns rebotes e bate-rebate de bolas alçadas na área adversária. Faltou uma inversão de jogada, trocar passes até surgir um espaço ou a chegada de um homem surpresa, vindo pelo centro, mas tudo isso requer consciência e essa o Flu só teve enquanto estava com a vantagem no marcador. Abel não deveria confiar tanto no 0x0 como mandante, sabendo que a armação de jogadas do time, hoje, é deficitária e a zaga é inconstante.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.