Análise tática: Paysandu 1 x 1 ASA

 

Foto: Reprodução - Paysandu e ASA na abertura da Serie B.

Foto: Reprodução – Paysandu e ASA na abertura da Serie B.

Pela primeira rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, Paysandu e ASA se enfrentaram em Belém, no Pará. O resultado foi um empate de 1 a 1. Deu pra ver na partida o que pode-se esperar dos dois times na competição. O ASA vem de um início de temporada bom, pois foi vice-campeão da Copa Nordeste, mas ainda causa um pouco de desconfiança na torcida pelo fato de não ter chegado na final do Campeonato Alagoano. O Paysandu tem um elenco de qualidade do meio pra frente e boas condições para fazer uma campanha agradável na Série B, apesar de alguns problemas táticos.

Na prancheta, o Paysandu entrou em campo com um 4-2-2-2, que variava pro 4-2-3-1, com os recuos do atacante João Neto pela direita, juntando-se a Eduardo Ramos e Djalma no meio. Já o ASA optou pelo 4-3-1-2/4-1-2-1-2, formando um losango no meio-campo, levando vantagem nas disputas pela intermediária.

Paysandu no 4-2-2-2/4-2-3-1; ASA no 4-3-1-2.

Paysandu no 4-2-2-2/4-2-3-1; ASA no 4-3-1-2.

A equipe paraense explorava bastante as jogadas pelo flanco direito, com as rápidas projeções do lateral Yago Pikachu nas transições ofensivas, buscando o fundo na maior parte do tempo. O atacante João Neto também ajudava o jovem lateral nas investidas em velocidade pelo setor, através de suas centralizações, aproximando-se de Rafael Oliveira no comando de ataque, na tentativa de abrir um corredor para Yago Pikachu pela direita. O Papão também buscava os cruzamentos para a área e os longos lançamentos para o atacante Rafael Oliveira, que ficava mais plantado no miolo de zaga alagoano, fazendo suas infiltrações para cabecear e finalizar. E foi assim que saiu o primeiro gol dos donos da casa, logo no começo da partida.

O time de Arapiraca chegava com mais perigo pela esquerda, com o forte apoio do lateral Chiquinho e com as jogadas individuais de Wanderson, em áreas próximas da ponta-esquerda. Pelo meio, Didira circulava nas costas de Wanderson e Léo Gamalho, e recebia o apoio dos volantes Milton Júnior e Pedro Silva quando o ASA tinha a posse da bola. Sendo assim, o esquema variava do 4-3-1-2 para o 4-1-3-2. Pedro Silva geralmente caía pela direita, enquanto Milton Júnior participava das jogadas no setor de articulação com Didira, formando uma linha torta de três homens no meio. Quando o atacante Wanderson se movimentava mais na meia-esquerda, o sistema tático alagoano virava um 4-3-2-1.

Sem a bola, o ASA cercava a intermediária e fortalecia sua marcação, explorando principalmente as deficiências do Paysandu na criação de jogadas, já que Eduardo Ramos e Djalma não estavam em uma noite muito inspirada na capital paraense. Além disso, o ataque do Papão tinha pouca mobilidade para fugir da marcação encaixada pelos visitantes. Por esse e muitos outros motivos, as dificuldades eram grandes no Paysandu.

Na segunda etapa, o Papão tomou uma postura mais ofensiva, partindo com tudo para o campo de ataque. O problema é que faltava organização e coordenação nos movimentos ofensivos da linha de frente, que continuou com muita carência na armação das jogadas e na hora da finalização. Isso deve-se principalmente pelo fato de que o Paysandu não conseguia fazer com que a bola chegasse na frente em boas condições para que seus atacantes marcassem. Pelas circunstâncias do jogo, o empate pode ser considerado um resultado injusto, pela melhor aplicação técnico-tática do ASA.

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Natural de Recife-PE e futuro jornalista esportivo. É colunista de futebol nordestino no BOL Esporte/ Portal Terceiro Tempo e colabora com o Doentes Por Futebol. Gosta bastante de análises técnico-táticas.