Arena Pernambuco: Aprovada no jogo-teste, mas pode melhorar

  • por Caio Feitosa
  • 6 Anos atrás
Foto: Reprodução - Bola rolando pela primeira vez na Arena Pernambuco

Foto: Reprodução – Bola rolou pela primeira vez na Arena Pernambuco

Cadeiras confortáveis, visão completa do gramado de qualquer ponto das arquibancadas, acústica perfeita, telões de alta definição, acessos bem distribuídos, gramado um verdadeiro tapete. Dada essa descrição, algum desavisado interrogado para dizer onde seria o estádio com certeza chutaria algum estádio europeu. Porém, essa é a Arena Pernambuco, última das seis sedes da Copa das Confederações a ser inaugurada.

De acordo com o COL (Comitê Organizador Local) e a SECOPA (Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo), o novo estádio foi aprovado no teste. Mas todos estão cientes que melhorias ainda precisam ser feitas, alguns locais externos carecem de acabamento, as lixeiras são mal sinalizadas, os bares e lanchonetes têm carência de alimentos e funcionários e área externa e estacionamento precisam de iluminação adequada.

Entretanto, a maior dificuldade foi na acessibilidade. Eu mesmo, por exemplo, saí de minha residência às 17:40. A distância percorrida foi de aproximadamente 15km. Cheguei ao estacionamento exatamente às 20:00, no momento em que a bola começou a rolar. Com 15 minutos de jogo, finalmente cheguei ao setor para o qual tinha comprado ingresso. Durante todo o trajeto, engarrafamento em vários pontos, fora dificuldade para entrar no estacionamento, que vendeu 2 mil vagas, mas possuía apenas uma única entrada, onde passava apenas um veículo por vez. Só a espera para estacionar levou meia hora. Por outro lado, o retorno foi bem mais tranquilo. Nenhum congestionamento, apesar de muita fila na espera dos ônibus que faziam o percurso de 3km entre a Arena Pernambuco e o estacionamento disponibilizado para o jogo (o da Arena ainda não está pronto).

Quem optou pelo transporte público, no caso, o metrô, também encontrou contratempos. A ida dos torcedores ao estádio coincidiu com a volta pra casa do trabalhador comum. O resultado foi a superlotação das estações e dos trens e muito tumulto na entrada e saída dos torcedores dos veículos. No retorno para casa, também aconteceram problemas. Dois passageiros ficaram feridos em virtude de uma pedra atirada pelo lado de fora do metrô, que no Recife passa por muitas áreas com altos índices de violência. Ao desembarcar nas estações, não havia ônibus para fazer a integração até locais mais próximos às residências dos passageiros. Portanto, o Consórcio Grande Recife foi quem mais ficou devendo: poucos ônibus para trafegar até o metrô ou estacionamento, nenhuma linha para fazer diretamente o transporte até a Arena e falta de respeito com os usuários do metrô que não encontraram ônibus para transportá-los para casa.

Foto: Reprodução - Janela do metrô com vidro quebrado no pós-jogo.

Foto: Reprodução – Janela do metrô com vidro quebrado no pós-jogo.

Falando do que se viu dentro da Arena, o torcedor foi um espetáculo à parte, visivelmente deslumbrado com toda a beleza e estrutura do novo estádio. Viram-se famílias inteiras, torcedores respeitosamente sentados em suas poltronas em um clima muito festivo e pacífico. Tanto é que havia alguns torcedores com a camisa do Sporting que, misturados sem nenhum problema com a torcida do Náutico, inclusive comemoraram o gol da sua equipe sem serem incomodados. No total, 26.803 pagantes para uma renda de R$ 1,04 milhão.

Por fim, o jogo em si acabou ficando como evento secundário. Baixo nível técnico, com um 1º tempo dominado pelo time português, dono das ações da partida e dando uma aula de postura tática aos brasileiros. Tanto é que abriu o placar aos 26 minutos, num gol contra do zagueiro Luís Eduardo, o primeiro tento da Arena Pernambuco em um jogo oficial. No final do 1ª etapa, o zagueiro Miguel Lopes foi expulso ao fazer uma dura falta no jogador Adeilson.

Com um a mais, o Náutico deu uma equilibrada na partida no 2º tempo, mas mesmo assim não conseguia levar perigo ao adversário, diferentemente dos portugueses, sempre mais conscientes e que por pouco não ampliaram o marcador. Aos 37 minutos, para que o Náutico não saísse com uma derrota num jogo histórico, Caion se jogou na área e o árbitro deu o pênalti. Elton converteu e deu números finais ao jogo: 1×1. A partida demonstrou a fragilidade da equipe alvirrubra, que precisará melhorar exponencialmente se quiser sonhar em não cair.

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Fanático pelo Calcio e pelo futebol nordestino, recifense, torcedor do Clube Náutico Capibaribe, ex-narrador esportivo de (projeto de) web-rádio e estudante de Engenharia Química.