Balanço da temporada: Liverpool, Arsenal e Tottenham

  • por Doentes por Futebol
  • 8 Anos atrás

Matérias realizadas pelo parceiro Premier League Brasil.

Liverpool  – Por Gustavo Miltão

suarez

A temporada 2012/2013, que, no início, parecia nebulosa para o Liverpool, termina com um ar de esperança. Sem o mesmo poder financeiro dos rivais mais ricos na Premier League, os dirigentes vermelhos trouxeram uma nova filosofia. A chegada de Brendan Rodgers à Anfield, substituindo Kenny Dalglish, era o símbolo dessa mentalidade. Tanto nos gastos financeiros quanto no estilo de jogo dos Reds. Saíram os investimentos altos em “medalhões”, vieram contratações mais jovens e promissoras. Saiu o futebol robotizado, veio o estilo do toque de bola, seguindo a tendência atual do futebol. Os resultados, evidentemente, não foram tão vistosos no primeiro ano. Nenhum título foi levantado pelo clube. Eliminações precoces nas copas nacionais (incluindo uma para o Oldham na FA Cup) e saída na fase de 16-avos de final da Europa League para o Zenit, da Rússia. Mas, foi na Premier League que o time viveu os seus melhores momentos na temporada e deixou seu torcedor motivado para o futuro.

O sétimo lugar na Premier League, a princípio, não parece bom, pois não levou a equipe a nenhuma competição europeia na próxima temporada. Mas há bons motivos para que o torcedor dos Reds creia que o próximo ano será melhor. Dois deles em especial: as novas contratações feitas em janeiro (Phillipe Coutinho e Daniel Sturridge) encaixaram como uma luva na equipe de Rodgers e foram decisivos no aumento do poder de fogo do ataque, que contou com Luis Suárez como expressão maior, com seus 23 tentos marcados na Liga. Os Reds terminaram com o quinto melhor ataque da Premier League, com 71 gols marcados, sendo que Sturridge e Coutinho, juntos, marcaram 14 desses tentos desde que chegaram. Melhor ambientados ao elenco, a dupla promete dar ainda mais trabalho no futuro. Vitórias marcantes como contra o Tottenham, em Anfield, mostram que os Reds ainda têm a camisa e força para chegar ao tão sonhado “top 4” em 2013/2014.

Porém, nem tudo são flores no caminho dos Reds. O temperamental Suárez aprontou de novo. Graças à mordida em cima de Ivanovic no duelo contra o Chelsea, pegou pesadas 10 partidas de suspensão. Glen Johnson e Jose Enrique seguem instáveis nas laterais. A zaga perdeu a referência e liderança de Jamie Carragher (aposentado). No ataque, Fábio Borini, que chegou a peso de ouro da Roma, teve uma temporada atrapalhada por lesões.  Mas, o saldo geral é positivo. Com algumas contratações pontuais na próxima janela, o time que “nunca andará sozinho” poderá dar mais alegrias a sua fanática torcida.

Destaque Positivo: Ataque. Com 71 gols marcados na liga e uma dupla de ataque que finalmente parece ter encaixado, as expectativas são as melhores possíveis para a nova temporada.

Destaque Negativo: Ao mesmo tempo em que infernizou as defesas adversárias no campeonato, o temperamento de Luis Suarez irritou técnicos, adversários e até a própria direção do clube. A mordida em Ivanovic foi o auge da agitada temporada do uruguaio, que pegou 10 jogos de gancho e perdeu a chance de ser artilheiro da liga.

Arsenal – Por Gustavo Rodrigues

Wilshere, Arsenal

Quarto colocado na Premier League, o Arsenal acaba a temporada, novamente, sem títulos. A grande alegria foi, novamente, deixar para trás o rival Tottenham na tabela de classificação, inclusive tirando-o da próxima UEFA Champions League. Na última rodada, após vitória apertada contra o Newcastle, os Gunners garantiram vaga na fase preliminar da principal competição entre clubes da Europa – vale lembrar que essa é a 16ª vez seguida que o Arsenal “baterá ponto” na UCL.

A perda de seu maior atacante deixou um vazio grande no ataque dos Gunners, que tentaram tapar a qualquer custo com as chegadas de Giroud e Podolski, mas nada foi resolvido. Enquanto van Persie marcou 28 gols pelo United, a dupla, somada, balançou as redes apenas 21 vezes. Para aliviar, outro recém-chegado caiu nas graças da torcida. O espanhol Santi Cazorla foi o líder de passes para gol e considerado por muitos o melhor dos Gunners nesta temporada.

Eliminado na terceira fase da Capital One Cup para o vice-campeão Bradford, o Arsenal também não foi longe nas outras duas copas que participou. Na FA Cup, foi eliminado na quinta fase pelo Blackburn, em derrota por 1 a 0, no Emirates Stadium. Na UEFA Champions League, caiu nas oitavas de final para o campeão Bayern de Munique, mas saiu de cabeça erguida por ter quase eliminado os alemães. Após perder em casa por 3 a 1, venceu na Alianz Arena por 2 a 0, e pressionou até o fim atrás do terceiro gol, que não veio.

E na temporada que vem, o que fazer? Claro que os Gunners vão atrás de um atacante de nome para tapar de vez o buraco deixado por van Persie. Além de necessitarem de uma defesa mais consistente, que não dê tantos sustos ao torcedor.

Destaque Positivo: Santi Cazorla certamente foi o grande destaque do time do Arsenal na temporada. O espanhol logo que chegou agradou a torcida e ao técnico Arsenè Wenger, autor de 12 gols na Premier League.

Destaque Negativo: Olivier Giroud chegou como a maior esperança de gols para o Arsenal na temporada, mas decepcionou. Artilheiro do Montpellier no campeonato francês, Giroud veio pela bagatela de 12 milhões de libras, mas com 11 gols em 34 jogos, certamente será suplente.

Tottenham – Por Luccas Oliveira

Bale

Um ótimo time em grandes jogos, mas disperso contra adversários mais fracos. Essa avaliação do Tottenham resume o que foi a temporada 2012/13 para o clube. Se pegarmos o desempenho dos Spurs em partidas importantes, como a vitória contra o Manchester United em Old Trafford (a primeira em 23 anos) e as classificações contra Lyon e Inter de Milão na Europa League, o trabalho de André Villas Boas deve ser aplaudido de pé. Mas, ao analisar os duelos contra Wigan, Fulham, Stoke, Basel (que valeu a eliminação nas quartas-de-finais da Europa League), West Brom e QPR, a coisa ficaria feia para o português.

Nem tanto o céu, nem tanto o inferno. Podemos dizer que, apesar de não conseguir ter alcançado seu objetivo maior (classificar para a Champions League), a temporada serviu para o Tottenham se consolidar, ainda mais, como a quinta força da Inglaterra, na cola do rival Arsenal para entrar no Top 4. Os 72 pontos conquistados na Premier League configuram um recorde da equipe na história da competição (começou em 1992/93, vale lembrar). Além disso, tem em seu elenco o melhor jogador em atividade na Inglaterra: Gareth Bale, que voltou a jogar demais e teve performances memoráveis na temporada, marcando 21 gols.

O objetivo para a próxima temporada começa exatamente com o galês: segurá-lo em White Hart Lane. A expectativa é que o Real Madrid abra os cofres para tirar Bale do clube londrino, que tem a amizade com André Villas Boas e o carinho da torcida como trunfo. Com Bale, os Spurs podem voltar à Champions League. Sem ele, o futuro é nebuloso.

Destaque Positivo: Gareth Bale. O galês foi eleito como o melhor jogador da temporada inglesa por jogadores, imprensa, pela própria Premier League e pelos torcedores de seu clube. Marcou 21 gols na temporada, melhor marca de um jogador do Tottenham desde Teddy Sheringham em 1992/93. Fez nove gols de fora da área, marca nunca alcançada por qualquer outro jogador na Premier League. Precisa falar mais?

Destaque Negativo: Emmanuel Adebayor. Em 25 partidas, apenas cinco gols e uma assistência. Muito pouco para um centroavante de um grande clube, ainda mais com o histórico do togolês. Para piorar, protagonizou a eliminação do Tottenham na Europa League, contra o Basel, ao isolar a cobrança decisiva da disputa de pênaltis.

Comentários