Campeonato Mineiro: dois tempos distintos e título do Galo

  • por Victor Oliveira
  • 7 Anos atrás

galo

O Cruzeiro precisava vencer por três gols de vantagem o Atlético, melhor time do Brasil no momento, para conquistar o título mineiro. Apesar da goleada na primeira partida disputada no Independência, durante toda a semana foi ressaltado pelos jogadores do Cruzeiro que era possível a improvável vitória. Para buscar o resultado, Marcelo Oliveira montou uma estratégia de marcação forte no flanco direito, por onde joga Bernard, imprimindo velocidade na transição ofensiva pelo flanco oposto. Esse foi o painel tático do duelo:

cruzeiro 2x1 atletico - final mineiro 2013

Cruzeiro e Atlético no 4-2-3-1: Marcelo Oliveira entrou com o citado esquema bem torto, com Dagoberto praticamente como um segundo atacante e Everton Ribeiro compondo o meio ao lado de Leandro Guerreiro e Nilton. O comandante da Raposa armou um forte esquema de marcação pelo lado direito de sua defesa, flanco em que joga Bernard e onde Ronaldinho costuma cair com freqüência. Além do apoio de Everton Ribeiro na transição defensiva, Ceará ficou mais preso e Guerreiro ficou cuidando de Ronaldo. Pelo lado esquerdo, Dagoberto partia para dentro da área, o que abria o corredor para Egídio avançar. A estratégia do Cruzeiro também prendia Marcos Rocha na defesa, uma das forças ofensivas do Galo. No primeiro tempo, o Cruzeiro impôs um jogo veloz baseado em transições ofensivas ligeiras. Na etapa complementar, o Galo colocou a bola no chão e conseguiu praticar o seu jogo envolvente, com bastante movimentação no setor ofensivo.

O Cruzeiro começou em cima, tentando colocar o Atlético sempre distante de sua área. Para evitar a esperada pressão inicial, Cuca entrou com a equipe bem fechada atrás, esperando a oportunidade do contragolpe. Marcelo Oliveira compactou os setores, congestionou o lado direito de sua defesa e soltou o time pela esquerda, jogando nas costas de Marcos Rocha e se aproveitando da lentidão de Gilberto Silva na cobertura. Enquanto Dagoberto fazia as diagonais para dentro da área, Egídio avançava pelo corredor, sendo o responsável pela profundidade no setor.

Com transições ofensivas velozes, o Cruzeiro jogou de forma intensa o primeiro tempo. Liderado por R10, o Atlético, aos 10’, começou a tentar pressionar a saída de bola do adversário e habitar o campo de ataque, mas o Cruzeiro, mais compactado, empurrava os meias do Galo para o campo de defesa, impondo seu abafa na base de uma composição de espaços mais veloz que a do rival. Durante toda a etapa inicial, o time de Marcelo Oliveira se preocupou em atrapalhar a saída e o trabalho de bola que tão bem realiza o Galo.

Aos 17’, gol de Dagoberto. Ele sofreu o pênalti e marcou deslocando o goleiro Victor. Lembrando que a jogada iniciou com Dagoberto roubando a bola de Marcos Rocha quase no meio de campo e partindo para cima do lento Gilberto Silva. Preso no campo defensivo, aos 23’, Cuca inverteu Jô com Tardelli, soltando este com Ronaldo na frente para ter mais velocidade no contragolpe. Outro destaque do primeiro tempo foi o posicionamento de Nilton, muito bem alocado para pegar a segunda bola na intermediária. Lembrando que de nada adiantou a inversão de Cuca com o Galo muito espaçado em campo.

Aos 31’, em outra jogada baseada na velocidade, Borges surpreendeu Richarlyson, que chegou atrasado e fez o pênalti. Novamente Dagoberto, aos 33’, bateu com frieza e fez o segundo: 2×0 para o Cruzeiro. Resultado merecido pelo comprometimento tático e pela dedicação do time azul celeste na etapa inicial. No intervalo Cuca salientou que iria cobrar mais marcação dos seus laterais. O Cruzeiro alargou com eficácia a marcação jogando em velocidade pelas beiradas. Até Diego Souza se dedicava na marcação, ajudando muito no combate em cima dos volantes atleticanos.

Na segunda etapa, tivemos um jogo totalmente distinto. Colocando a bola no chão e ficando com sua posse, o Galo adiantou o time e voltou muito mais ofensivo. O Atlético encostou fazendo uma marcação quase que homem a homem, tirando o espaço do Cruzeiro que não tinha mais a bola no ataque. Tanto que Borges reclamava com freqüência para o treinador Marcelo Oliveira que a bola não estava chegando. Aos 14’, Ricardo Goulart entrou na vaga de Diego Souza. A tentativa era voltar a imprimir a velocidade do primeiro tempo que o Cruzeiro parece ter esquecido no vestiário.

Com Ronaldinho muito mais produtivo, o Galo conseguiu na etapa complementar fazer seu jogo, que é recuperar a bola no meio com marcação intensa e partir em velocidade para o ataque. Aos 19’, Oliveira colocou Anselmo Ramon na vaga de Borges para obter mais presença de área. Já Cuca, aos 22’, tirou o exausto Bernard e colocou o veloz Luan, buscando renovar o fôlego pela beirada. A partir dos 28’, o ritmo do jogo caiu demais devido a correria que foi instaurada desde o início do duelo. Num jogo com muitas finalizações, vale ressaltar a excelente atuação dos dois goleiros.

Dono do segundo tempo, o Atlético conseguiu o gol que sacramentou a conquista aos 33’, também de pênalti convertido por Ronaldinho Gaúcho. Com dois tempos distintos, sendo um de cada equipe, o Cruzeiro conseguiu derrotar o rival, mas o placar foi insuficiente para obter o título. O Atlético conquistou o bicampeonato que não vinha há 13 anos e agora foca na Libertadores, onde enfrenta o mexicano Tijuana pelas quartas de final. Já o Cruzeiro se concentra no início do Brasileirão e na continuidade da Copa do Brasil. Abraço!

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