Clubes, arbitragens e ditados populares

  • por Leandro Lainetti
  • 8 Anos atrás

“Pimenta nos olhos dos outros é refresco”. O dito popular não poderia ser mais perfeito para definir a relação clubes brasileiros e arbitragem. O erro, como diz o dicionário, é um engano, um equívoco. É quando se tem a intenção de fazer algo certo mas, por algum motivo, as coisas dão errado. Falando em erros, tem outro ditado que diz: “errar é humano”. Pois bem, coloquemos tudo em pratos limpos.

Os árbitros são humanos, logo podem errar. Se não é intencional, podem acontecer equívocos, certo? Sim, mas só até a página dois. Torcedores, dirigentes, jogadores, técnicos, todos aqueles que são ligados a qualquer time de futebol de alguma forma invertem a situação ao seu bel prazer e interesse. Corinthians e Boca. Um pênalti escandaloso a favor do Timão não marcado e um gol mal anulado. Erro? Não, esquema. Eliminados, todos os corintianos falaram em conspiração para vê-los fora da Libertadores.

Foto: Agência Estado - Sheik recebe cartão após reclamar no lance do pênalti não marcado

Foto: Agência Estado – Sheik recebe cartão após reclamar no lance do pênalti não marcado

Flamengo e Defensor, oitavas de final da Libertadores de 2007. Os rubro-negros precisavam fazer 3×0 para se classificar. Já haviam marcado dois gols e… duas penalidades claras não assinaladas em cima de Renato Augusto e Paulo Sérgio. Erro? Não, Hector Baldassi recebeu suborno para prejudicar os cariocas, alegaram os flamenguistas. Outros ainda utilizaram o argumento “juiz argentino, sabe como é…”

Final do Campeonato Brasileiro de 1995, Botafogo e Santos. Partida empatada em 1×1, com gol de Túlio, do Glorioso, em impedimento. No fim do jogo, o Santos vira o placar com o atacante Camanducaia. Seria o gol do título. Seria, se Marcio Rezende de Freitas não tivesse anulado. Resultado: Botafogo campeão. Erro? Não, complô contra o clube praiano, afirmaram os santistas.

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Jornal Gazeta Esportiva deixou a imparcialidade de lado após a polêmica de 95

Em todos esses casos e, em inúmeros outros, o time que sofreu com o erro reclamou. Quem foi “beneficiado” silenciou. É praxe no futebol brasileiro que todos, em algum momento, bradem contra a arbitragem. Mas isso só acontece quando é de interesse próprio. Você já viu algum técnico dizer que venceu por 1×0 com um gol irregular e falar que o adversário foi prejudicado ou que os juízes são horríveis? Não, aí foi mérito da equipe. Já no outro vestiário, estarão falando que só perderam porque foram “roubados”. Essa é a nossa lógica, somos roubados ou competentes. A escolha do dia depende do que aconteceu na partida em questão.

Erros acontecem e fazem parte do futebol. Transformá-los em algo maior é burrice. E fazer isso quando é conveniente, hipocrisia. Um dia seu time será “prejudicado”, em outro será “favorecido”. Se for chorar quando o erro for contra você, pense duas vezes antes de rir do rival. Afinal, “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.

Comentários

Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.