Copa do Brasil: América/RN 2 x 6 Atlético/PR

  • por Victor Oliveira
  • 8 Anos atrás
Foto: Alex Regis/Vipcomm)

Foto: Alex Regis/Vipcomm

América-RN e Atlético-PR se enfrentaram ontem pela segunda fase da Copa do Brasil. A partida foi disputada no estádio Barretão, em Ceará-Mirim, cidade próxima da capital potiguar (28 km). A nova casa do América-RN passou por ajustes até a tarde de ontem. Mesmo assim, ainda existem algumas instalações que não foram entregues. O time paranaense teve três desfalques importantes: o lateral-direito Jonas (virose), o meio-campo Paulo Baier (dores musculares) e o atacante Ciro (lesão no músculo do abdome).


O time de Natal veio completo, com Roberto Fernandes podendo contar com sua força máxima. No plano tático, o Mecão iniciou com uma espécie de 4-2-2-2 e o Furacão no habitual 4-2-3-1 de Ricardo Drubscky, que é um dos melhores treinadores em atividade no futebol brasileiro. Após sofrer dois gols, Roberto Fernandes prendeu Ricardo Baiano na zaga e desenhou um 3-5-2 no campo do Barretão. Abaixo o painel tático do primeiro tempo:

Tática
Mecão no 3-5-2 com Índio Oliveira de segundo atacante e alas liberados para o ataque e o Furacão do jeito que Drubscky gosta, desenhado num 4-2-3-1 com dinâmica de 4-2-2-2. Pela esquerda, Everton era mais meia do que atacante. No outro flanco, Marcelo era mais agudo, fazendo praticamente um segundo atacante. Com Everton auxiliando na criação, Felipe aproveitava para cair mais pela direita, alargando a marcação dos volantes do América. Roberto Fernandes iniciou com uma linha de quatro na zaga, mas, após levar dois gols em 13 minutos, alocou Ricardo Baiano como zagueiro e liberou os alas para o apoio.

Aproveitando da fragilidade defensiva do adversário, o Atlético Paranaense abriu três gols de diferença com Éderson (1’), Felipe (13’) e Cleberson (36’). Todos os tentos se iniciaram a partir de falhas gravíssimas dos defensores, além dos erros infantis de posicionamento. Na base do abafa e no embalo da torcida, o América conseguiu dois gols no final da segunda etapa com Itamar (40’) e Daniel (42’). O Furacão ainda fez o quarto aos 47’, com Éderson. Coletivamente, sobretudo no aspecto ofensivo, o time da casa deixou a desejar. Mesmo com as falhas clamorosas na defesa, o Mecão se destacou no primeiro tempo pela total falta de criação no setor de meio campo.


Ricardo Drubscky foi treinador do Tupi no ano de 2011, quando conquistou junto com o Galo Carijó a Série D, vencendo o Santa Cruz na final em seu estádio lotado. Seu 4-2-3-1 com dinâmica de 4-2-2-2 tem seu funcionamento baseado no binômio velocidade/intensidade, sendo este propiciado pela compactação dos setores. Com os meias bem próximos dos atacantes, o Furacão teve um volúpia ofensiva envolvente, o que desnorteou a frágil defesa do América. Os dois gols marcados pelos donos da casa e a vantagem de apenas dois gols dos visitantes não descreveram com veracidade a etapa inicial.

Tática 2
Painel tático da etapa final: Roberto Fernandes manteve o 3-5-2, entretanto fez algumas mudanças táticas. No intervalo, o comandante do Mecão sacou Norberto e Índio Oliveira, colocando em seus lugares Netinho e Ebinho. Com a lesão de Netinho aos 4’, novamente Roberto teve que mudar, lançando Bruninho em seu lugar. Assim, ficou o América num 3-5-2 torto, com Fabinho mais preso na ala direita para cuidar de Everton, Daniel mais preso como um primeiro volante e Bruninho fazendo dupla função: na transição defensiva fazia um volante na cobertura de Renatinho (que estava posicionado praticamente como um ponta) e na transição ofensiva se juntava a Cascata como um meia de criação. Já o Atlético continuou no mesmo esquema e com a mesma dinâmica, apesar das alterações.

Na etapa complementar, o Mecão se perdeu ainda mais no aspecto defensivo. Roberto Fernandes tentou aproveitar os flancos com Renatinho bem adiantado pela esquerda e Ebinho como um ponta direita. Mas Cascata, recuado para distribuir o jogo, não conseguiu cumprir sua função. O América tentava ter volume e ser incisivo, mas esbarrou em suas limitações técnicas e não conseguiu ser objetivo na busca pelo gols que necessitava. Com mais duas falhas gritantes do sistema defensivo, o Mecão acabou levando mais dois gols, despedindo-se de forma melancólica da Copa do Brasil.


Os gols do Atlético na segunda etapa foram marcados por Manoel (26’) e Douglas Coutinho (43’). Além da eliminação no torneio nacional, a derrota significou a perda de uma invencibilidade de 18 jogos da equipe de Natal. Ficou evidente que o Mecão precisa de reforços em todos os setores se almeja beliscar uma vaga na elite do futebol brasileiro. Já Ricardo Drubscky parece caminhar para o merecido reconhecimento na primeira divisão do Brasileirão. Nada mais do que justo. Abraço!

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