Expulsão e paciência com a bola dão vitória ao Galo

  • por João Vitor Poppi
  • 8 Anos atrás

SPFC 1X2 GALO

Ganso esbanjou categoria em dominar, limpar a marcação dentro da área e fazer a assistência para Jadson abrir o placar, logo aos oito minutos de jogo. O gol fez o torcedor são-paulino crer em um final feliz para a partida, mas a expulsão de Lúcio, aos 35 minutos do primeiro tempo, e a paciência atleticana com a posse de bola deram a virada para os visitantes.

Os times atuaram no habitual esquema tático 4-2-3-1, com o time mandante atuando de forma mais compactada. O Tricolor começou melhor. Conseguiu colocar velocidade na bola que chegava ao campo ofensivo e para isso adiantou quem dava os primeiros botes (na linha de frente mineira): volantes e laterais, principalmente o esquerdo. O time do Morumbi cresceu, mais precisamente, forçando o jogo em cima dos laterais adversários, que eram mal protegidos. Bernard e, principalmente, Tardelli se desprendiam do posicionamento inicial do time e deixavam espaços pelos flancos. Pierre e Leandro Donizete, preocupados em marcar Ganso e Denílson, respectivamente, não conseguiam fazer coberturas eficientes pelos lados. A zaga mineira ficou desequilibrada, o São Paulo forçava as jogadas ofensivas pela esquerda, em cima da lentidão de Gilberto Silva.

'Sampa consegue soltar mais os laterais, em razão do trabalho de marcação mais efetivo dos seus jogadores ofensivos de lado. Na base da marcação forte e adiantada e velocidade, Ceni vê seu time superior em boa parte da primeira etapa

‘Sampa consegue soltar mais os laterais, em razão do trabalho de marcação mais efetivo dos seus jogadores ofensivos de lado. Na base da marcação forte e adiantada e velocidade, Ceni vê seu time superior em boa parte da primeira etapa

O brigador Aloísio saiu machucado, aos onze minutos, dando lugar para Ademílson. O São Paulo continuou impondo o ritmo do jogo com agressividade pelos lados e criando chances de gol. O jovem de 19 anos, que entrou no decorrer do jogo, parecia fora do calor da partida e perdeu três ótimas oportunidades para ampliar o placar. O time perdeu muito em força, intensidade e luta com a lesão do substituto de Luís Fabiano.

Junto com os gols perdidos veio a infantil expulsão do zagueiro Lúcio. Antes de ficar com um jogador a mais em campo o Galo já estava conseguindo equilibrar o duelo. Toque de bola e cadência atleticana diminuiram a velocidade do time paulista, que não tinha mais o fôlego do início para fazer uma marcação agressiva. A movimentação, com a troca constante de posições entre Bernard e Tardelli, começavam a abrir espaços na marcação do São Paulo. O Atlético fez o adversário preocupar-se em marcá-lo e por isso se encorpou no jogo, pois é um time de imposição. A troca de Leandro Donizete por Josué, no intervalo deixou ainda mais claro esse momento da partida, melhorando o passe do time alvinegro. E claro, tudo isso se evidenciou e ganhou força com a expulsão do zagueiro de 34 anos.

Seis minutos depois do cartão vermelho ser mostrado pelo árbitro paraguaio, outro duro golpe atingiu o time treinado por Ney Franco. Bernard cobrou escanteio e Ronaldinho Gaúcho, com certa facilidade, testou pro gol. O São Paulo não conseguiu levar a vantagem para o vestiário e entrou em uma sinuca de bico. Apertar o meio campo do adversário ou se compactar todo na defesa e lutar por uma bola?

O time tricolor não tomou nenhuma das duas posições, ficou sem estratégia e entregou-se para o Atlético, que aumentou a toada ofensiva e virou o placar. Esperou o time mineiro, demasiadamente, não apertou a marcação e nem deu botes. Da linha de três, com Jadson, Ganso e Osvaldo (da direita para esquerda), atuando do centro de campo pra frente, apenas o último teve profundidade. Os donos da casa fizeram uma marcação à distância e não conseguiram desarmar para contra-atacar.

O Galo conseguiu fazer a saída de bola e transição ofensiva com liberdade. A bola que saía dos pés do Ronaldinho Gaúcho chegava para os homens de frente com facilidade. Aos 14 minutos da segunda etapa, uma linha de passes que começou na esquerda com Bernard terminou com o gol de Tardelli pelo lado oposto, dentro da área adversária, 2×1 Atlético-MG.

'Mesmo com um a mais em campo, Atlético soube dominar o jogo com posse de bola e paciência para ser preciso. Em uma de suas estocadas, o poder de decisão de seus jogadores fez a diferença

Mesmo com um a mais em campo, Atlético soube dominar o jogo com posse de bola e paciência para ser preciso. Em uma de suas estocadas, o poder de decisão de seus jogadores fez a diferença

Ganso ficou como o jogador mais adiantado do São Paulo. Outro equívoco, que tirou o resto de esperança no empate. O camisa oito não sabe jogar de costas pro gol, o que a posição o forçou a fazer muitas vezes. Com isso, ele, que fez um bom primeiro tempo, não conseguiu colocar Osvaldo no jogo – nos 45 minutos finais.

Na reta final do jogo, o time visitante cansou. Bernard e Diego Tardelli, exaustos, saíram para entradas de Luan e Rosinei, respectivamente. Na base do desespero, nos últimos lances, o Tricolor foi ao ataque e deixou a impressão de que o segundo tempo poderia ter sido diferente se o time não tivesse ficado ”em cima do muro”. Porém, na última bola do jogo, Josué desarmou Carleto e Ronaldo Gaúcho fez jogadaça pelo meio, mas Luan, sozinho, foi impreciso no passe para Rosinei, de frente pro gol. O erro deu sobrevida ao São Paulo, que agora precisará fazer seu melhor jogo do ano para buscar a classificação.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.