Grêmio e seu déficit financeiro

koff

O ano de 2013 do Grêmio deveria ser de entusiasmo, já que todos os torcedores estavam em êxtase com o novo estádio, que se ergue imponente na entrada de Porto Alegre. Além disso, o tricolor conseguira a classificação à Copa Libertadores, o que deveria alavancar a venda de produtos oficiais, bem como a ocupação média da Arena. Porém, o que se tem visto até aqui é uma falta de sintonia entre o clube e a OAS, que construiu o estádio. A folha salarial dos jogadores, por sua vez, inchou, o que complicou ainda mais a situação financeira do time. Segundo a imprensa esportiva gaúcha, o déficit no primeiro trimestre já chega a R$ 28 milhões[1], o que põe em cheque todo o planejamento anual.

Apesar de arrecadar bastante com seus sócios, sendo o segundo time com mais sócios adimplentes, o Grêmio não usufrui da renda total obtida, já que, por contrato, o clube precisa pagar uma verba para que parte dos sócios possa entrar no estádio. Isso porque esses sócios possuem “cadeira cativa”, algo que não estava contemplado no contrato assinado. Estima-se que o Grêmio pague anualmente R$ 42 milhões[2]. Esse dinheiro, ao contrário do que muitos pensam, não vai direto à OAS, mas sim à empresa gestora do estádio. O Grêmio ficará com 65% do lucro obtido pela gestora no final do ano, porém, após o pagamento do financiamento junto ao BNDES, amortização, reparos, despesas administrativas e outros gastos, esse lucro pode ser nulo. A empreiteira descarta essa possibilidade, mas não há garantia alguma, ao contrário do pagamento dos sócios, que ocorre mensalmente e já pesa muito aos cofres tricolores.

Foto: Fonte: http://www.skyscrapercity.com/ - Foto aérea da Arena do Grêmio

Foto: http://www.skyscrapercity.com/ – Foto aérea da Arena do Grêmio


A situação é considerada grave pelos conselheiros[3], chegando ao ponto de surgir, na internet, uma campanha para que o Grêmio comprasse o estádio da OAS[4]. Essa hipótese está descrita no contrato (cláusula 7.4), mas a ausência de valores atrapalharia a negociação, já que a OAS deveria aceitá-la. A empresa tem direito a 35% dos lucros obtidos durante 20 anos, o que deve ser levado em consideração na hora de avaliar o valor da venda. Trata-se de um cenário ímpar e indesejado, e cabe ao presidente Koff, que também comanda o Clube dos 13, contornar essa situação.

A conquista de um campeonato relevante, como a Libertadores, aliviaria esse déficit, pois, além do prêmio da competição, a venda de camisas e novas associações seriam alavancados, gerando uma renda extra, ainda que pontual. Mas a disputa de um campeonato de alto nível requer investimentos, e o elenco do tricolor é um dos mais caros do Brasil, estimado em R$ 7,5 milhões por mês[5]. Só entre os atacantes, os salários giram em torno de 2 milhões.


O técnico Vanderlei Luxemburgo pediu à direção gremista algumas contratações, que até agora não se provaram acertadas. Caso do zagueiro Cris, que já foi expulso duas vezes na Libertadores, prejudicando e muito a equipe. O goleiro Dida é outro, já que divide a opinião da torcida, uma vez que deixa no banco o Marcelo Grohe, um goleiro novo e habilidoso, que poderia ser vendido no final do ano.


A situação do Grêmio é delicada, e cabe ao seus dirigentes a diminuição da folha salarial do elenco enquanto a situação com a OAS não é normalizada.

FONTES:

1-http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/esportes/gremio/noticia/2013/05/deficit-do-gremio-no-primeiro-trimestre-e-de-r-28-milhoes-e-preocupa-conselho-4123567.html

2 – http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2013/03/15/gremio-tenta-rever-pagamento-e-criar-receitas-para-manter-socios-na-arena.htm

3 – http://www.sul21.com.br/jornal/2013/03/e-o-problema-mais-grave-da-historia-do-gremio-afirma-gladimir-chiele-sobre-arena/

4 – http://www.correiodopovo.com.br/Esportes/?Noticia=492252

5 – http://www.abolapune.com.br/2013/05/09/gremio-reformula-elenco-para-diminuir-gastos/

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Gaúcho, colorado e estudante de Engenharia de Computação. Doente por futebol desde que se entende por gente. Joga futsal nas horas vagas. A cada dois jogos, uma lesão.