Hoffenheim e (quase) tudo que deu errado

  • por Doentes por Futebol
  • 8 Anos atrás

Captura de tela 2013-05-22 às 14.11.24Texto elaborado por Walter Paneque, do Bundesliga Brasil, parceiro da Doentes por Futebol.

Como a maioria dos times que investe em pacotes enormes de contratações, as alternativas de final de temporada do Hoffenheim não eram tantas: ou dava errado, ou dava muito errado; no fim das contas o Hoffe saiu no lucro, restando a ele a vaga na Relegation

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Sonhando acordado

Investindo cerca de €26 milhões para a temporada 2012/2013, quase a mesma quantia que o Borussia Dortmund, o Hoffenheim começou a temporada pensando alto. Atuações promissoras em parte dos amistosos e contratados de renome credenciaram o time a lutar pelo tal ‘algo mais’ no Campeonato Alemão. Peter Hofmann, presidente do clube, afirmou por diversas vezes que as expectativas sobre o novo elenco eram altas.

A ideia de lutar por uma posição melhor, até que não era tão pretensiosa assim: entre os reforços estavam os jovens Joselu, Usami e Volland (que retornou de empréstimo ao 1860 München), e os mais rodados Wiese, Delpierre e Derdiyok, constituindo uma interessante mescla entre promessas e referências. No entanto, o que se desenhou no papel de rascunho do presidente acabou como um garrancho, acreditem, traçado por cinco treinadores diferentes.

Show de horrores

Os sonhos e expectativas começaram a desmoronar na estreia do time em jogos oficiais, pela fase preliminar da Dfb-Pokal. Partida em tese tranquila contra o modestíssimo Berliner AK-07 e primeira decepção: goleada fora de casa por 4 a 0 e eliminação da Copa. Com falhas defensivas bisonhas e péssima organização dentro de campo, pôde-se ver um snippet do que seria o filme de terror exibido na temporada 2012/2013. Na Bundesliga, a primeira vitória veio somente na quarta rodada, após 11 gols sofridos nos três primeiros jogos.

A situação complicada do Hoffenheim. Foto: Uol Esporte.

A situação complicada do Hoffenheim. Foto: Uol Esporte.

Com Wiese na meta – e falhando com frequência – o time não conseguiu uma sequência. A linha de defesa com jogadores mais experientes, com Ochs, Delpierre, Compper e Johnson tampouco funcionou. O novato Jensen passou a ganhar chances na zaga, mas como os outros, sofreu com mais um problema da equipe; a desordem imperava no meio-campo. Volantes que não protegiam, não passavam, não atacavam, e, em suma, praticamente só atrapalhavam. Com tamanha transgressão do time, dono da pior defesa da competição, não é difícil imaginar o que foi o time do meio para a frente. Jogando habitualmente com três meias e um centroavante fixo, conseguiu marcar lá seus golzinhos, mas não suficiente pra resolver muita coisa. O saldo, como é de se pensar, foi bem negativo.

Quem é o técnico?

O Hoffenheim foi o time da elite alemã (e quem sabe dentre as principais ligas da Europa) que mais vezes trocou de treinador. Entre agosto de 2012 e este mês de maio de 2013, cinco treinadores passaram por Sinsheim. O time começou nas mãos de Markus Babbel, que havia assumido no final da temporada anterior, mas logo se perdeu, dando lugar a Andreas Müller um mês após o início da Bundesliga. Müller também não conseguiu sequência, e em dezembro de 2012 e o interino Frank Kramer assumiu interinamente. Duas derrotas bastaram para que, apenas 15 dias depois, Marco Kurz fosse contratado. Dentre os anteriores, o que melhor conseguiu esboçar algo no time, Kurz passou o bastão para Markus Gisdol, que permaneceu até o final da temporada.

Os brasileiros

Acredite se quiser: entre todos os jogadores, os brasileiros são os mais bem cotados para permanecer na equipe na próxima temporada. Se não fosse a desconjuntura do meio-campo, Roberto Firmino teria rendido ainda mais. Fez uma temporada nota 6 se avaliada do ponto de vista técnico, mas se o parâmetro for o próprio time do Hoffenheim, podemos dizer que o meia foi nota 8. Não fez nada além do que podia diante das circunstâncias.

Outro brasileiro, o goleiro Gomes, contratado no meio da temporada, vinha conseguindo resolver o dilema dos goleiros, tomando conta da posição, e fazendo boas partidas, até que uma lesão na mão o afastasse da temporada.  Não fosse o azar, teria maior felicidade.

Sobrou até para o goleiro Gomez...

Sobrou até para o goleiro Gomez…

Agora ao Hoffenheim restam apenas os fatídicos jogos da Relegation, nos dias 23 e 27 deste mês de maio, contra o Kaiserslautern, para enfim decidir qual será o futuro do time do sul da Alemanha. Se na 1.Bundesliga ou na 2.Bundesliga, pouco importa, o que interessa aos torcedores no momento é uma certeza, algo que realmente faça o time poder brigar por algo, e não só contratações ao atacado e loucuras do bilionário, e dono do clube, Dietmar Hopp.

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