Juan Pablo Sorín

  • por Gustavo Ribeiro
  • 8 Anos atrás
Foto: Reprodução - Sorín com a camisa do Cruzeiro

Foto: FootballGeral – Sorín com a camisa do Cruzeiro

Há 38 anos, nascia Juan Pablo Sorín, um argentino que com garra, raça, suor e sangue, conseguiu conquistar o carinho de todos. Um argentino com coração mineiro, que consegue fazer brasileiros e argentinos esquecerem a rivalidade, pelo menos quando o assunto é ele.

Quando a bola estava com o adversário, ficava na sua posição, a lateral esquerda, e marcava bem. Mas quando seu time tinha a bola – principalmente o Cruzeiro de 2000 a 2002 e a Argentina de Bielsa -, estava lá dentro da área, pronto para finalizar, seja com o pé ou pulando para cabecear contra os zagueiros.

Juan Pablo Sorín estreou no futebol em 9 de Setembro de 1994, defendendo a camisa do Argentino Juniors em um jogo contra o San Lorenzo. Pelo clube argentino, Juampi marcou 1 gol em 21 jogos. No ano seguinte, ele já estava se transferindo para a Juventus, da Itália, onde fez apenas 5 jogos, mas estava no elenco que conquistou a Liga dos Campeões de 1996. A passagem pela Vecchia Signora serviu para lhe dar experiência.

Em 1996, Juan volta para a Argentina, mas desta vez para defender as cores do River Plate, no qual participou dos títulos da Libertadores de 96, da Supercopa dos Campeões da Libertadores de 97, dos Apertura de 96, 97, 99 e do Clausura de 97. Na Libertadores de 97, treinado por Ramón Díaz, ele já dava mostras de umas das suas maiores qualidades: a versatilidade. Foi quando começou a jogar também de volante. Sorín foi um dos destaques do time, ao lado de Crespo, Francescoli e Rivarola.

Foto: Reprodução - Sorín na época de River Plate

Foto: Reprodução – Sorín na época de River Plate

Seu último jogo pelo Millonarios foi contra o Talleres, pelo Apertura de 99. Pelo River, Juampi realizou 152 jogos e fez 15 gols. Seu próximo destino seria o Cruzeiro, time em que se tornou um dos maiores ídolos. Sorín chegou ao Cruzeiro como a maior contratação da história. O auge de sua passagem por Belo Horizonte foi na final da Copa Sul-Minas contra o Atlético-PR, em jogo realizado no Mineirão com 69.533 torcedores, quando jogou mais de 50 minutos com um corte no supercílio, que estava tampado com uma faixa. Mesmo machucado, Sorín se recusou a sair de campo. Juampi já entrou em campo sabendo que tinha sido vendido para a Lazio por R$ 23 milhões.

O jogo já tinha passado dos 30 minutos do segundo tempo, quando o lateral Ruy fez ótima jogada pelo lado direito, chegou à linha de fundo e tocou pra trás, onde Sorín recebeu livre e tocou para o gol. Cruzeiro 1X0 Atlético-PR. Os mais de 60 mil torcedores no Mineirão vão à loucura. Sorín escrevia seu nome na história do Cruzeiro em seu jogo de despedida. “Não pode ser verdade. As cabecinhas que pulam descontroladas, a camisa voando na mão, um grito eterno, inesquecível e uma dança inesquecíve”, disse Sorín.

Quando Juampi chegou na Lazio, a Biancoceleste passava por uma terrível crise financeira e não cumpriu o acordo que fez com o jogador. Foi quando apareceu a proposta do Barcelona e o jogador não pensou duas vezes em aceitar. Na Lazio, fez apenas 10 jogos.

Sorín chegou na Espanha com o Barcelona passando por crise e muito mal na tabela, mas, com a chegada do argentino e do técnico Radomir Antic, o time foi melhorando e, ao final da temporada, a equipe catalã conseguiu uma vaga na Copa da UEFA. Pelo time espanhol, Sorín fez 15 jogos e 1 gol. Seu próximo destino seria a França.

Depois de uma passagem sem grande êxito pela Espanha, Juampi chega na França para defender o PSG, que fazia seis anos que não conquistava títulos. Naquela temporada, conquistam a Copa da França e o segundo lugar no Campeonato Francês, sendo que com Sorín em campo não perderam nenhum jogo. O argentino estava vivendo um dos melhores momentos de sua carreira, até que o técnico Vahid Halilhodzic começou a pressioná-lo para não participar das Eliminatórias e da Copa América com a seleção argentina, já que o time ficaria muitos jogos sem ele. Mas Jumpi recusou. “A la Selección no la negocio por nada”, disse Sorín ao técnico. Assim terminava sua passagem na França, onde jogou 22 partidas e marcou 2 gols.

Sorín retornou à Espanha, mas desta vez para defender o Villarreal. Por lá, ajudou a levar o Submarino Amarelo às semifinais da Liga dos Campeões de 2005-2006. Um de seus companheiros de clube era o também argentino Riquelme.

Foto: FootballGeral - Sorín com a camisa Celeste y Blanca

Foto: FootballGeral – Sorín com a camisa Celeste y Blanca

Pela seleção argentina, Sorín conquistou o Campeonato Mundial sub-20 em 1996. Pela seleção principal, seu primeiro técnico foi Daniel Passarella, que o elogiou muito: “Com Sorín tem algo especial, porque foi o jogador mais jovem que já treinei com camisa Celeste y Blanca”. Passarella foi seu técnico na albiceleste até 1998. Agora com Bielsa no comando, Sorín disputou 26 jogos e marcou 9 gols. Fã assumido do técnico, Juampi disse que Bielsa “é o técnico mais ofensivo do mundo”. Biles também fez questão de elogiar o lateral, falando que ele é “a imagem da seleção argentina”, por causa de sua raça e sua entrega.

Em Julho de 2004, Argentina e Brasil se enfrentavam no Mineirão, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo da Alemanha. O Brasil venceu por 3×1 com três gol do Ronaldo. Mas o momento mais inesperado do jogo foi quando Sorín fez um gol de rebote para diminuir para os hermanos. Como o Mineirão estava cheio de torcedores do Cruzeiro, Sorín foi aplaudido de pé. Momento histórico. Momento que dificilmente um jogador irá conseguir repetir.

Sorín disputou as Copa do Mundo de 2002 e 2006, sendo sempre uma das figuras mais respeitadas dentro do elenco argentino. Depois da Copa, Foi disputado por várias equipes, mas acabou assinando com o Hamburgo, pelo qual fez 26 jogos, marcou 4 gols e sofreu com várias lesões, o que o atrapalhou de render o seu melhor. Na Alemanha, ficou até 2008.

Depois do clube alemão, Sorín voltou para o Cruzeiro, onde continuou sofrendo com as lesões, o que mostrava que sua carreira estava chegando ao fim. Um dos momentos históricos de sua segunda passagem por Minas Gerais foi na última partida do Campeonato Brasileiro de 2008, na vitória do Cruzeiro sobre a Portuguesa por 4×1. Antes de a bola rolar, Sorín foi até a arquibancada comemorar com todos os torcedores que estavam no Mineirão. Um momento histórico para o jogador.

Sua primeira partida após sua volta à equipe celeste foi contra o Ituitaba, pelo Campeonato Mineiro, Sempre com a mesma raça, disputando todas as jogadas como se fosse uma final. Como não estava com seu melhor preparo físico, saiu no começo do segundo tempo e foi aplaudido pela torcida, que gritava “Ei, Ei, Ei Sorín é nosso rei!”.

Na final da Libertadores de 2009, Sorín não viajou com o elenco, o que desmotivou o próprio jogador. Com a diretoria contratando o lateral esquerdo Gilberto e com Arthirson e Gerson Magrão já no elenco, o ídolo argentino viu que estava perdendo seu espaço, até que no dia 28 de julho resolveu anunciar sua aposentadoria. “Foram muitos anos e vou deixar essa carreira sabendo que sempre vesti a camisa, deixei alma, deixei sangue”, disse Sorín durante a entrevista. Mas sua história nos gramados ainda não tinha acabado.

Foto: GloboEsporte - Sorín em sua despedida no Mineirão

Foto: GloboEsporte – Sorín em sua despedida no Mineirão

Em novembro de 2009, Sorín ganhou um jogo de despedida no Mineirão, que recebeu naquele dia mais de 62 mil torcedores, os quais queriam ver Juampi entrando em campo pela última vez. O jogo foi entre Cruzeiro e Argentino Juniors – o seu último clube contra o clube que o revelou. No primeiro tempo, Sorín vestiu a camisa do Cruzeiro. Na segunda etapa, Sorín vestiu a camisa do Argentino Juniors, mas foi só por 15 minutos. Cruzeiro venceu a partida por 2×1, mas o mais importante da noite foi a despedida do ídolo argentino. Uma festa que foi notícia no mundo inteiro, graças também ao respeito que o lateral esquerdo conquistou por onde passou.

A relação Sorín e Cruzeiro é uma das mais belas, se considerarmos a relação dos clubes brasileiros com jogadores estrangeiros. Sorín conseguiu o que poucos jogadores conseguiram: ser respeitado pelas torcidas rivais.

Parabéns, Juampi!

Texto publicado originalmente no blog FootballGeral

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.